Fachin precisa marcar a reunião solicitada pelo ministro da Defesa e esvaziar pressão militar

Fachin disse contar com os militares para suporte logístico

Pedro do Coutto

O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em ofício dirigido ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, sinalizou que aceitará o convite para um novo encontro entre representantes das Forças Armadas e os técnicos do TSE para mais uma análise sobre o sistema eleitoral das eleições de outubro deste ano.

O ministro Edson Fachin agiu politicamente muito bem, o seu procedimento foi correto, mas deveria ter convocado a reunião pretendida pelo Ministério da Defesa, para retirar quaisquer motivos que as Forças Armadas pudessem ter para relatar previamente vulnerabilidades na recepção e na computação dos votos deste ano.

TRANSPARÊNCIA – Reportagem de Jussara Soares, na edição desta segunda-feira de O Globo, transcreve e analisa o mais recente episódio envolvendo uma sombra que os militares haviam lançado sobre a transparência das eleições.

Fachin registrou, inclusive, o trabalho técnico do colegiado do TSE e disse contar com os militares, sobretudo para o suporte logístico das eleições, a exemplo da participação que já tiveram no pleito de 2018.

O ministro  acentuou esperar a presença do general Heber Portella, representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência instalada pelo TSE.

CONTRIBUIÇÃO – “As Forças Armadas têm dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura e transparente. A grande maioria das sugestões apresentadas por elas foram acolhidas, indicando compromisso público do TSE envolvendo o diálogo plural com as diversas instituições da sociedade”, afirmou.

Fachin acrescentou que conta com as Forças Armadas na Comissão de Transparência e com o suporte operacional e logístico prestado por elas em todas as últimas eleições.

A resposta, na minha impressão, foi acertada, mas falta marcar a reunião solicitada pelo Ministério da Defesa.

RENÚNCIA NA PETROBRAS –  Na manhã de ontem, a GloboNews anunciou, por volta das 9h30, que o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, decidiu renunciar ao cargo, e para isso convocou o Conselho de Administração. Entretanto, esse terá que convocar nova assembleia para então ser aprovado o nome de quem o sucederá. Até o momento, o mais cotado é Caio Paes de Andrade, integrante da equipe do ministro Paulo Guedes.

Essa indicação, porém, choca-se com a visão de política econômica do próprio Guedes, uma vez que Paes de Andrade, se assumir o cargo, será para intervir no mercado e congelar os preços da gasolina e do óleo diesel; posição que contraria frontalmente a visão do ministro.

ELETROBRAS – Na edição de ontem de O Globo, houve a informação de que nove dos onze conselheiros da Eletrobras entregaram os seus cargos. Na justificativa, os executivos alegam que com a desestatização concluída por meio da capitalização sacramentada na semana passada, será necessária uma nova composição do colegiado para refletir a nova distribuição das ações da empresa.  Uma das vagas do Conselho já foi aberta e a outra é ocupada pelo representante dos empregados que não deixará o posto.

Para mim é uma surpresa o que a matéria focaliza:   que a Eletrobras funcionará sem controlador definido, o que o “mercado” americano chama de “corporation”. Um absurdo. Não existe a hipótese do poder ser exercido vagamente. Alguém tem que ocupá-lo, sobretudo porque tem que ser definida a responsabilidade tanto pelos erros, quanto pelos acertos cometidos. Alguém tem que usar a caneta e assumir a responsabilidade do comando administrativo e operacional. Há algo surpreendente por trás dessa renúncia.

8 thoughts on “Fachin precisa marcar a reunião solicitada pelo ministro da Defesa e esvaziar pressão militar

  1. Espero que o próximo governo seja patriota (de verdade), e aproveite a elevada aprovação advinda da vitória nas eleições, para ainda no primeiro dia de governo desapropriar as ações que foram vendidas nessa privataria, de modo a recompor sua posição de majoritário na Eletrobras.
    Depois poderia aproveitar o embalo e acabar com o teto de gastos e a nefasta reforma trabalhista.

  2. Acharam que ia ser fácil fraudar o sistema? Kkk…

    MINISTRO DA JUSTIÇA, DIZ AO TSE, QUE PF VAI FISCALIZAR URNAS E FALA EM ‘PROGRAMAS PRÓPRIOS’ DE AUDITORIA
    https://patria.digital/ministro-da-justica-diz-ao-tse-que-pf-vai-fiscalizar-urnas-e-fala-em-programas-proprios-de-auditoria/
    O Ministério da Justiça enviou um ofício ao TSE, na sexta-feira (17), para informar que participará, por intermédio da Polícia Federal, de todas as etapas de fiscalização e auditoria das urnas eletrônicas e de “sistemas e programas computacionais eleitorais”.

  3. Pô, ainda tem MP, CGU e TCU para fiscalizar. Putz! a apuração vai ter que ser pública? Assim não dá…

    Saiba quem pode fiscalizar e auditar as Eleições 2022 e como deve ser feito esse trabalho
    Legislação lista as entidades fiscalizadoras e permite que partidos contratem empresas privadas de auditoria para acompanhar a apuração e a totalização dos votos
    https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Junho/saiba-quem-pode-fiscalizar-e-auditar-as-eleicoes-2022-e-como-deve-ser-feito-esse-trabalho

  4. Que assunto relevante!!! Resolvido o “problema” das urnas , o Brasil se transforma por milagre no paraíso terrestre. Acabam a fome , o desemprego , a corrupção , o mensalão , as rachadinhas. Teremos só domingociatas , todo mundo vestido de verde amarelo , felizes , cantando… A culpa de tudo , por enquanto , são as malditas urnas eletrônicas que , só agora , passaram a ser passiveis de fraude. Confio nos bravos soldados do Bolsonaro para que esse terrivel problema seja resolvido!!!

    • Zanardi! não ironiza a conjuntura atual do Brasil.

      PS-Se convença que o golpe advém desses “urubus de toga” do STF e TSE.
      PS2-Já passou da hora de terem um freio de arrumação.
      Conspiração não somente contra a reeleição (que acontecerá) de Bolsonaro
      Zero Zero,mas ao Brasil, fazendo de tudo para colocarem no poder a escória política
      Lula ladrão.

      PS3-A má-fé desses “urubus de toga” é de tal gravidade que insistem em não modernizar o sistema eletrônico de votação com comprovante acoplado às máquinas para eventual auditoria dos votos.

      Salta aos olhos que precisam manter esse sistema como está (sem chance de auditar) para que a FRAUDE aconteça.

  5. “… para retirar quaisquer motivos que as Forças Armadas pudessem ter para relatar previamente vulnerabilidades…”
    Não se preocupem, esse general, que não faz seu trabalho de vigiar as fronteiras, arrumará outris pretextos oara o golpe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.