Fake news duram apenas 24 horas: divulgador de mentiras perde logo a credibilidade

Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

Na edição de ontem de O Globo foi publicada a reportagem de Bernardo Mello e Marlen Couto sobre a proliferação de fake news na internet que tanto tem a sua origem na direita quanto na esquerda, assinala a matéria, para acentuar que a desinformação tem mais de uma ideologia e que constitui um desafio para o Tribunal Superior Eleitoral na campanha política de 2022.

É claro que as fake news são um desserviço generalizado e que, a meu ver, dão margem ao direito de resposta por parte das vítimas de difamações, injúrias, calúnias e ofensas pessoais inconcebíveis. Mas, para mim, têm vida curta tais manifestações de fanatismo que representam a usina da fabricação das fake news.

INUSITADO – Têm vida curta porque se os fatos, sejam quais forem, divulgados tiveram importância, no dia seguinte o seu conteúdo estará no O Globo, na Folha de S. Paulo, no Estado de S. Paulo e no Valor, os quatro principais jornais do país. Às vezes, dependendo da importância que o falsificador aplica ao texto, o inusitado é tão grande que se verdadeiro fosse teria obtido lugar nos noticiários da GloboNews e da TV Globo, principalmente.

Portanto, para testar as fake news ou esvaziá-las de sentido, basta aguardar, como digo sempre, apenas 24 horas. O divulgador das fake news, tenha ou não nome falso ou oculto,  certamente vai repetir a mentira em dias seguntes . A mesma sob outro invólucro ou outras falsidades em outros sentidos, atingindos as mesmas ou outras pessoas. Mais uma vez se aplica, a quarentena citada. Isso de um lado.

DESQUALIFICAÇÃO – De outro, conforme acentuei, o produtor de fake news vai repetir a sua obra predatória, mas os leitores, centenas de milhares, talvez milhões, no caso político de eleitores, já estão acostumados a receber falsidades das mesmas fontes e, portanto, a repetição de inverdades desqualifica tanto o produtor delas, quanto o conteúdo delas próprias.

Essa questão das fake news pela rede imensa da internet teve origem no Lacerdismo, especialmente nas décadas de 50 e 60, na Cidade do Rio de Janeiro. Lacerdistas fanáticos, moralistas à procura da honestidade, comunicavam-se com pessoas, às vezes desconhecidas, com base na lista telefônica da época, e espalhavam notícias inverídicas. O comportamento era destinado a somar mais adeptos de Carlos Lacerda, primeiro para sua campanha a deputado federal, quando se elegeu em 1954, e depois a governador da Guanabara em 1960.

PAIXÃO – Numa terceira escala, destaque-se, no combate à posse de Juscelino Kubitschek na Presidência da República em 1956, e na queda do governo João Goulart em 1964. Lacerda teve vitórias e derrotas, mas os lacerdistas mantinham-se apaixonados. Continuavam a difundir matérias pelo telefone confundido o que estava acontecendo com o que eles desejavam com o que acontecesse. Foi o primeiro estágio das fake news.

O segundo estágio é esse que estamos atravessando, desde a consolidação e expansão da internet. Mas ao contrário do que pensam alguns, a mentira jamais se transforma em verdade.

Se matérias falsas influenciassem a opinião pública, as pesquisas não apontariam o desgaste do governo Bolsonaro e nem a diferença de Lula sobre ele em levantamentos eleitorais do Datafolha e do Ipec, isso porque a presença do bolsonarismo nas redes da internet é muito mais ampla do que a dos anti-bolsonaro. Eis aí um fato concreto que só pode ser negado por quem se propõe a lutar contra os fatos.

TERCEIRA VIA – Numa entrevista a Bernardo Mello, também O Globo de ontem, a diretora do Ipec, Márcia Cavallari, coloca cuidadosamente em dúvida a possibilidade de surgir um terceiro candidato. Para que isso acontecesse, disse, é preciso que tal candidato tirasse votos de Lula ou de Bolsonaro.

Mais de Bolsonaro do que de Lula, porque petistas têm ampla preferência dos segmentos de menor renda e dos segmentos de renda mais alta praticamente empatam com Bolsonaro. Márcia Cavallari acrescentou que para a campanha eleitoral é necessário abordar problemas sociais que estão na ordem do dia como a inflação, o custo de vida e a fome. Bolsonaro depende assim de assumir um rumo político nesse sentido.

Mas, a meu ver, é difícil porque além das realidades apontadas por Márcia Cavallari, existe o problema do congelamento salarial, acrescido agora da disposição do presidente em conceder um aumento capaz de repor a inflação dos últimos quatro anos apenas à Polícia Federal, à Polícia Rodoviária, à Polícia Penitenciária e alguns órgãos da Justiça. Isso desagrada as demais categorias do funcionalismo que se sentem discriminadas.

FAUSTÃOO portal Uol informou ontem que o apresentador Faustão vai estrear na Band no próximo dia 17 às 20h30. Fará um programa diário a partir desta hora, de segunda à sexta-feira. O programa terá corpo de dançarinas, músicas, danças, cantores e cantoras. O programa vai competir, portanto, com as novelas da Globo,ao menos em uma primeira etapa.

O horário é difícil em face da posição da competição. Na minha impressão, seria mais fácil aos domingos, competindo com Luciano Huck. Mas aguardemos o que vai acontecer em matéria de audiência.

12 thoughts on “Fake news duram apenas 24 horas: divulgador de mentiras perde logo a credibilidade

  1. Fake News são vários jornalixos dizerem aos quatro cantos que as Quadrilhas dos Irmãos Metralhas são oposição um ao outro, se detestam, são inimigos de longa data, e não convidem para a mesma mesa os dois que com certeza vai ter briga.
    Alguns jornalixos chegam ao ponto de falar que o PSDB são de “direita”…….
    Mas não é bem assim
    Todos sabem que eles fazem aquele teatrinho para o poder ficar nas mãos de um ou de outro..
    Criar empregos , nada disso, os petralhas querem o voto de cabresto, com as miserias dos bolsa-pobreza da vida.
    Toma 100 contos que tá bom demais para vocês e sua família se sustentarem.

    É uma pessoa de bom senso”, diz Suplicy sobre Alckmin

    Vereador petista encontrou ex-governador neste domingo para apresentar proposta de renda básica de cidadania

    https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/e-uma-pessoa-de-bom-senso-diz-suplicy-sobre-alckmin,57ef4911803e40c7e3f8eff69af7a3d6xz9bmrce.html

  2. Os “higienistas” das conversas alheias estão agitados, o problema é que eles fecham o olho esquerdo para a sua limpeza. Mentiras e verdades sempre estiveram presentes no dia a dia do povo.

    Engraçado é que a mesma gente que enche a bocarra para dizer que “a verdade é relativa” ou “que não existe verdade” quer, também, fiscalizar as mentiras alheias. Blaaarrrg!

    É verdade que as fake-news duram apenas 24 horas, Terta? Qual o tempo de duração das mentiras sobre a Escola Base? Alguém ainda se lembra? Não?

    “… os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, foram chamados de pedófilos … Chegou-se a noticiar que, antes de praticar as ações perversas, os quatro sócios cuidavam ainda de drogar as crianças e fotografá-las nuas. “Kombi era motel na escolinha do sexo”, estampou o extinto jornal Notícias Populares, editado pelo Grupo Folha. “Perua escolar carregava crianças para a orgia”, manchetou a também extinta Folha da Tarde.”

    E a fake-news da jornalista que gosta de “dar uns furos”; apesar de desmascarada, ganhou ares de legalidade pelas mãos imundas do advogado do pcc no stf. Até quando, Terta?

    O Facebook censurou um artigo, revisado por pares, publicado numa conceituada revista científica inglesa. Em carta berta ao Fuckberger, a revista esculhambou com a “checagem de fatos” dos “donos” da verdade.

    No fundo, a alegação de fake-news, é apenas uma maneira covarde de silenciar opiniões contrárias. É a nova forma do velho “Cale-se!”.

  3. Parabéns, Pedro do Coutto!

    Quando leio teus artigos e percebo o quanto incomoda aos lambe-botas teleguiados (atualmente) do Narcomilicomiliciano Boçal-presidente sabe o que me vem primeiro à memória?

    Mario Benedetti. Mario Benedetti e seu Poemaço “Não te rendas”.

    É isso aí, Pedro do Coutto: continue o Bom Combate

    … enquanto os teleguiados – assumidos ou enrustidos -, adeptos da tortura, do estupro e do genocídio continuarão suas armações canhestras na tentativa vã de justificar o abominável.

  4. Pedro Couto, boa tarde!
    Sobre a notícia de que Faustão estareia dia 17… vamos lembrar que no horário das 20:30 até 22:30 do programa previsto antes era ocupado por R. R. Soares, que agora está fora da Band – ótima notícia. E antes do dia 17/01 ele aparece já no dia 31 com um especial de virada.

  5. “Fake news duram apenas 24 horas: divulgador de mentiras perde logo a credibilidade”

    Deve ser por isso que a grande (minúscula) midia amestrada esta totalmente desacreditada, com -1 de influência em qualquer coisa no Brasil. Kkk… nisso o sr. Pedro do Coutto tem razão.

  6. Esse governo, Pedro, é o maior divulgador de Fakenews da historia do Brasil. Só perde para o governo de Donald Trump, por coincidência, o modelo foi copiado aqui, e comandado daquele gabinete de difusão de meias verdades, eufemismo para mentiras mesmo.
    o gurú dessa gente é o picareta norte americano Steven Bannon, que está prestando contas com a Justiça dos EUA, que lá é célere e bota o cara para dormir atrás das grades, seja rico ou seja pobre.
    Não dá para enganar todos ao mesmo tempo, uma hora, a verdade começa a aparecer. É o que está acontecendo, muito bem explicado didaticamente pelo analista Pedro do Couto.

  7. FURARAM O TETO DE GASTOS
    No Jornal O Estado de São Paulo, desta segunda-feira, a jornalista Adriana Fernandes, nos brinda com sua competência habitual, na Coluna Investimento/Poupança de longo prazo, comentando sobre a primeira entrevista do novo Secretário do Tesouro, Paulo Valle, funcionário de carreira do Banco Central, que assumiu após o pedido de demissão do titular, em caráter irrevogável, por discordar da Política do governo, em relação ao Teto de Gastos, na qual o ministro Paulo Guedes, docemente constrangido, concordou com os gastos indiscriminados exigidos pelo Centrão e pelo presidente, visando abrir o cofre para ganhar a eleição/reeleição.
    O recém alçado na Secretaria do Tesouro Nacional, informou ao Estadão, que estão estudando medidas de investimento no Tesouro Direto nos moldes da Previdência Complementar.

    CAPITALIZAÇÃO-TESOURO DIRETO DA PREVIDÊNCIA
    O Paulo Guedes, não esquece a ideia dele, de Capitalização da Previdência, que poria um fim no INSS, Autarquia que dá prejuízos gigantescos, segundo ele, por causa da política social do Instituto.

    TESOURO DIRETO PREVIDÊNCIÁRIO
    Isso, me parece uma cópia da Contribuição Definida, modelo implantado nas empresas estatais, pela antiga secretária da Previdência Complementar, a economista Solange Vieira, em substituição ao antigo modelo de Benefício Definido. Segundo os estudos em andamento, o cardápio dos papéis ofertados, consistirá de um período de acumulação de 30 a 40 anos, na verdade será de 35, para mulheres e homens. Durante esses 35 anos, o aplicador não receberá qualquer pagamento referente aos juros do investimento. Findos os 35 anos de aplicação mensal no Tesouro Direto Previdenciário, o investidor terá creditado a sua remuneração, como se fosse uma aposentadoria. Como se fosse? É uma aposentadoria.
    OBS: No futuro, quem desejar uma aposentadoria superior ao salário mínimo, terá que entrar nesse Tesouro Direto. Podem apostar nisso.

    CONTRADIÇÃO DEMONSTRA INSEGURANÇA
    Paulo Valle fala em estudos, mas, no desenrolar da entrevista, se contradiz e diz, que a ideia é lançar o novo papel já em 2022.
    Alega o Secretário, que esse desenho é inspirado nos estudos do Nobel de Economia Robert Merton e outros economistas brasileiros, que publicaram artigo sobre o tema no Instituto Brasileiro de Economia da FGV.

    RENTABILIDADE APÓS 20 ANOS

    Nesse estudo, se o investidor quiser receber uma renda mensal de R$ 1000,00 por 20 anos, poderá conseguir isso, depositando mensalmente a quantia de R$ 264,00 durante 40 anos, para uma acumulação de R$ 197 mil.

    Sinceramente, a meu juízo, esses estudos são delírios de uma noite de verão. Projetar remunerações previdenciárias, no interstício longo de 40 anos, quando os idealizadores provavelmente não estarão mais entre nós. Eu pergunto: Quem vai garantir esses pagamentos aos investidores previdenciários?
    Será, que daqui há quarenta anos, os investidores terão que entrar na Justiça para garantir sua aposentadoria digna, conforme os chilenos estão fazendo agora, na hora de se aposentar e ver, que a remuneração é irrisória, no maior engodo do governo Pinochet, que foi a Capitalização da Previdência? Pinochet já morreu, então, quem pagou o pato, foi o presidente Sebastião Pinheira do Chile, que não conseguiu controlar a revolta da população, com seguidas manifestações nas ruas de Santiago do Chile. O resultado: perdeu a eleição presidencial, pois foi identificado pelo povo, como um partidário das políticas nefastas do general Augusto Pinochet , ministro do Exército do presidente Salvador Allende, que traindo o presidente mandou bombardear o Palácio La Moneda, com o presidente no interior do Palácio.

    A entrevista propriamente dita, de Paulo Valle concedida a Adriana Fernandes, na Página seguinte, nem levei em consideração, quando o economista atesta: “O teto de gastos não morreu”.

    O Teto de Gastos está morto e enterrado, e o fato concreto que atesta o fim do Teto, foi a saída de quatro integrantes da equipe do Ministro Paulo Gurdes, incluso, o ex- Secretário do Tesouro.
    O Secretário se não sabe, deveria saber, que quem manda fazer e acontecer, em relação aos gastos do governo, se fura ou se não fura, é o presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes apenas cumpre ou pede demissão. No regime presidencialista, a Politica Econômica do governo, é prerrogativa do Presidente da República. Quem não concorda ou sai ou é saído. Não existe Plano B.

  8. .Esse Tesouro Direto Previdenciário é o embrião do fim do INSS.
    Quem não tiver sobra no salário para depositar no fim do mês, quando se aposentar daqui a 40 anos, sai sem nada. Trata-se de um massacre dos velhinhos. Só podia sair da cabeça do Paulo Guedes.
    O objetivo é tirar das costas dos empregadores, os 20% de contribuição do empregado para o INSS.

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