Mancada do general Heleno obriga governo a recuar e manter acordo com o Congresso

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Heleno demonstra uma ingenuidade política constrangedora

Carlos Newton

O velho ditado está cada vez mais atual – “se você diz o que quer, ouve o que não quer”. As afirmações calamitosas do general Augusto Heleno, que é uma espécie de Rasputin imberbe no governo Bolsonaro, exercendo uma influência fora do normal, fizeram o Planalto recuar e manter o acordo sobre o Orçamento impositivo, que inclui a liberação das emendas dos parlamentares para obras em seus redutos eleitorais, uma tradição do Congresso.

Como se sabe, o ministro do Gabinete Institucional da Presidência ultrapassou os limites republicanos, ao afirmar que o governo não podia aceitar chantagem de parlamentares, acrescentando que o povo sairá às ruas para pressionar o Congresso.

INGENUIDADE – Se fosse conhecedor da política brasileira, o general Augusto Heleno não demonstraria tanta ingenuidade. Muitos presidentes em crise julgaram que o povo sairia às ruas para prestigiá-los. Isso ocorreu com João Goulart, que na época de sua queda tinha 70% de apoio popular.

Logo em seguida, aconteceu com Jânio, que não tinha maioria no Congresso e resolveu renunciar, na esperança que o povo o carregasse nas ruas de volta ao Planalto, conforme ocorrera com seu ídolo Fidel Castro no início da revolução cubana.

O líder político fica esperando o povo, mas ele não aparece. E quando enfim o povo resolve sair às ruas, à vezes há um fenômeno inverso e não acontece nada, fica tudo como está.

EXEMPLO DO MONSENHOR – Em Natal, por exemplo, o monsenhor Walfredo Gurgel, ferrenho anticomunista do PSD, governava o Estado no início do regime militar e houve uma enorme passeata contra a ditadura. Seus assessores indagaram se não ia mandar a polícia intervir. E ele respondeu:

“Já está quase na hora do almoço. Daqui a pouco bate uma fome no povo e todo mundo volta para casa…”

Não deu outra. As ruas foram ficando desertas e o monsenhor também foi almoçar. Mas ficou o exemplo de que, em política, não se deve contar muito com o apoio popular. Essa presunção do general Heleno, portanto, não tem fundamento na realidade. O importante seria Bolsonaro e seus ministros resolverem parar de dizer asneiras e montar uma base majoritária no Congresso.

AMADORISMO – É preciso entender que, em qualquer setor da vida, o amadorismo jamais dá bons resultados. Um exemplo claro foi a nomeação do general Braga Netto para a Casa Civil, com a responsabilidade de cuidar da Articulação Política com o Congresso, devido ao fracasso de outro militar, o general Eduardo Ramos.

Com toda certeza, a Articulação Política não pode ficar a cargo de amadores, porque requer profissionalismo e conhecimento específico. Essa expectativa de que a militarização do Planalto possa melhorar suas relações com o Congresso é de uma infantilidade constrangedora.

Com auxiliares e conselheiros que recomendem essa direção, o presidente Jair Bolsonaro nem precisa de inimigos. A piada é velha, mas se aplica concretamente na situação atual do governo. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente.

16 thoughts on “Mancada do general Heleno obriga governo a recuar e manter acordo com o Congresso

  1. É interessante lembrar que esses caras têm a faca e o queijo nas mãos, mas, infelizmente, eles representam apenas o retrocesso, sem nada de novo de verdade para oferecer ao Brasil, diferente do Marechal Deodoro que pelo menos proclamou a república que tb se desgastou, se exauriu, e que agora tb necessita de transformação. Mas a impressão é que, outra vez, o povo colocou a faca e o queijo em mãos erradas, vão só comer o queijo e deixar o resto ao Deus dará.

  2. CN, porque você condena a fala do general? Por acaso ela falou alguma mentira? Ele simplesmente falou o que todos nos já sabemos. O duro é ouvir vocês da imprensa afirmando que ele é inábil. Lamentável. Deveriam dar força a fala dele e ficarem ao lado da população brasileira. Lamentável. CN, mais uma vez: você é melhor que isso. Abraços.

  3. Caro C.N

    esta questão das verbas , projetos e vetos sobre o assunto e depois todo este melindre sobre a conversa do Gal Heleno, me deix a muito confuso

    Não entendo e nem sei todo enredo, mas escrevi ontem e o Lionço me corrigiu.

    este projeto ( de 30 bilhões para emendas ou similar) não é uma intromissão no executivo?

    Os parlamentares nao podem se manifestar sobre verbas no orçamento?

    Precisam e devem receber 30 bilhões para executar um oramento paralelo, como o diabo gosta?

    Vetar e publicar a pressão ,( aquela legitima sempre feita pelo centrão e outros baluartes da justiça) é crime contra a democracia, porque deu o nome correto aos bois? Isto é chantagem ?

    Uma sugestão:

    tente um contato com o senador Lasier Martins ainda hoje e peça a ele para se manifestar aqui na Tribuna sobre este assunto.
    Ouvi no radio a caminho do trabalho e achei interessantíssimo a articulação feita pelo Podemos e outros CONTRA esta verba.

    Pelo que entendi é nítida, clara, direta chantagem,

    Se não ceder a isso é atentar para democracia então o desenho real do Brasil é ação do centrão e cia e de toda a “legitima pressão parlamentar”

    ser contra isto é “risco para democracia”

    E la nave vá

    • duarte, meu caro … Bom dia!

      Quem sou eu para corrigir o amigo … procurei é mostrar algo que as mídias escondem – que o MDB também tem ação!!! e que os problemas atuais não são decorrentes da tão demorada conquista da REDEMOCRATIZAÇÃO e nem da Constituição de 1988, elaborada por maioria de deputados e senadores do MDB histórico, sob a liderança do herói Ulysses, que a declarou CIDADÃ – por ser a 1ª Constituição Brasileira a pensar no povão!!!

      Entendo as falas do Ministro Heleno … só mostrei que o Brasil não tem dinheiro para investir (e promover crescimento e diminuir desemprego – como é o desejo do Heleno) por causa da dívida pública e da Nomenklatura, né???

      E qual a causa de Estados e Municípios também não terem dinheiro para investir (e então deputados e senadores aprovaram o Orçamento IMPOSITIVO??? é que o Governo Federal pode emitir títulos ou moeda sem lastro – e Estados e Municípios não) … … … a causa é que a carga tributária foi aumentando por meio de contribuições (que um tipo de tributo que fica só para o Governo Federal).

      Um apertão de mão.

      • CAPÍTULO VII … DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

        Seção I … DISPOSIÇÕES GERAIS

        Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

        XI – a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

        • ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS

          Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título. (Vide Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

  4. O primeiro-ministro é o sr codinome Botafogo, com apoio do STF.
    A culpa disso é do desbocado presidente, apoiado por camada da população que parece comportar-se da mesma forma
    A “grande massa” que apoia o desbocado presidente não é lá tão grande, haja vista as pesquisas. São “massa de rede”, com limitada capacidade de baderna, em muito diferente dos MSTs, MTSTs da vida, black blocs, UNE, UBES.
    Tá ruim a coisa, infelizmente.
    Seria tão bom termos ao menos tranquilidade.

  5. Já está passando da hora do Congresso nomear um deputado do PSOL para ir lá palácio e dar voz de prisão ao general Heleno e de quebra, meter a mão na cara do Bolsonaro.
    Onde já se viu um generalzinho qualquer falar mal do nosso excelente Congresso, a banana não pode comer o macaco.

  6. Resumindo os fatos: o Congresso Nacional tenta de forma espúria, em ano eleitoral para Prefeitos e Vereadores, enfiar na goela dos brasileiros o PARLAMENTARISMO sem que houvéssemos votado nas eleições de 2018 pra isso.
    Essa é a verdadeira indignação do General Heleno e dos brasileiros que anseiam por um Brasil mais decente e menos desigual, ao proferir a palavra de baixo calão.

      • Do que se pode concluir que não dá mesmo para acreditar em pesquisas. As eleições de 2018 ofereceram muitos exemplos nesse sentido. Também se pode concluir que números de “aprovação” numa pesquisa não significam apoio incondicional. As pessoas podem aprovar um determinado governo em certos aspectos e reprová-lo em outros, e sua aprovação pode não se opor a alguma mudança.
        Além do mais, em geral, pelo menos nos tempos recentes, de FHC pra cá, que eu saiba, as pesquisas tendem a inflacionar o s índices de aprovação somando o “regular” ao “ótimo” e “bom”. Considerar “regular” como aprovação é uma forçação de barra.

  7. Infelizmente o apoio a corrupção continua por parte de muitos. Precisamos mudar estes status de país da corrupção, senão o povo continuará sem futuro. Botafogo e Alcolumbre são os caras para acabarem com a corrupção! Viva Botafogo, Gilmar, Tóffoli e Alcolumbre

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