Falam muito em SEGURANÇA para a Copa do mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, as duas competições no Brasil. Deviam aprender com a tragédia da Olimpíada de 1972 na Alemanha e a Copa do Mundo de 1974.

Helio Fernandes

Escrevi muito sobre as duas, diretamente da Alemanha, ainda sem nenhuma tecnologia. Era preciso muito jornalismo profissional para assistir, escrever, entregar num aeroporto ou na agência de uma empresa aérea brasileira, voltar, repetir: assistir, escrever, entregar.

Em 1972, na Olimpíada, na tragédia do assassinato dos judeus, covardemente. (Tenho certeza de que muitos, aqui mesmo, dirão: “Não era covardia, e sim o conflito espiritual, que explodiu naquele momento, mas jamais deixou de existir”.)

Repercussão imediata: a Alemanha, que ainda não se reabilitara da sangrenta Segunda Guerra Mundial, foi criticada pelo mundo inteiro. (Apesar de Beckenbauer dizer: “A conquista da Copa do Mundo de 1954 na Suíça foi um alivio para nós, sabíamos que o mundo nos culpava pela guerra”).

Dezoito anos depois dessa vitoria na Copa de 1954 (que não assisti de lá, só aqui pela televisão e com péssima transmissão) a Olimpíada de 1972, em Munich. Ninguém esperava o que aconteceu. Mas como consequência, o que todos esperavam: a exigência de que a Copa de 1974 não se realizasse na Alemanha.

A FIFA ainda era presidida por um inglês, Sir Stanley Ross, de 86 anos, que exatamente em 1974 tentava mais um mandato contra o brasileiro João Havelange, 48 anos na época. Era difícil qualquer prognostico, o centro de tudo era Frankfurt, fator e alavanca da riqueza da Alemanha.

O país se jogou numa campanha mundial de defesa do seu direito de realizar a Copa. Assumiu todos os compromissos de forma intensa, garantindo: “Não haverá o menor incidente, será a Copa mais segura e tranquila do mundo”.

Voltei para o Brasil depois da Olimpíada, em maio de 1974 já estava novamente na Alemanha, num hotel em Frankfurt. Naquela época a Fifa era praticamente inexistente, tinha apenas um escritório mínimo em Zurich e nada mais.

Sem o poderio que adquiriu também, a Copa do Mundo não era o espetáculo que é hoje, a Fifa só se tornou fortíssima depois da administração João Havelange. (Que ganhou a eleição por mínimos 8 votos).

As seleções ficavam num hotel qualquer, não existiam esse estádios que custam fortunas, a Fifa quer sempre os mais caros. Veta um estádio de 300 ou 400 milhões, dá toda cobertura e apoio (“moral”) a outro que custa 800 milhões.

(Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro: a Fifa vetou 104 itens do Estádio de São Paulo, que será construído em Itaquera. Já escrevi muito sobre o assunto. Incluindo os dutos da Petrobras, que para retirá-los, gastou quase 130 milhões, dos seus cofres).

De todas as Copa que vi nos países onde se realizava, foi realmente a mais tranquila. Em todos os jogos, seguranças de paletó verde e um cachorro ao lado, se fossem direto para casa, não saberiam o resultado. “Colados” uns aos outros, de costa para o campo, não viam nada de futebol, não se desligavam do público.

*** 

PS – O Brasil foi eliminado pela Holanda em Dortmund, jogando apavorada. A seleção da Holanda era realmente poderosa e quase invencível. Mas não se justificava tanto medo. Via-se que a seleção “medrava”.

PS2 – A final em Munich, Holanda contra a dona da casa, Alemanha, depois do Brasil perder o terceiro lugar para a Polonia, 1 a 0, gol do carequinha Lato, ponta esquerda, naquela época existia isso.

PS3 – Novamente o mesmo espetáculo de segurança, antes do jogo, durante e depois, na saída dos 80 mil espectadores.

PS4 – Portanto, não é preciso falar tanto em segurança. Temos que ficar preocupados não com terrorismo e bandidagem e sim com “autoridades”, principalmente estaduais e municipais.

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