Falhas na educação e no ensino nos levaram à ditadura do crime organizado

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Antonio Fallavena

Infelizmente, a leitura que é feita hoje, relativamente à escola, é equivocada. Quando Leonel Brizola falava em escolas, nos anos 50 e, posteriormente, Darcy Ribeiro se associou à luta, nosso país era outro, nossa sociedade muito diferente. As décadas passaram e, embora o foco educacional continuasse a ser o mesmo, o uso e a necessidade das escolas foram mudando.

Apenas para lembrar os de minha idade ou mais e os das gerações que nos seguiram, foi a partir do final da década de 70 e nas posteriores, com maior ênfase, que a sociedade mais mudou.

TUDO MUDOU – A partir daquele momento (final dos anos 70 aos dias atuais), algumas “pequeninas coisas” sofreram alterações profundas. A droga se espalhou, atingindo da criança aos idosos; a liberdade sexual total; a gravidez infantil e adolescente, descontrolada; a desagregação familiar; a “deterioração” da educação caseira; a perda de qualidade da escola, notadamente no ensino público, expandido pelo necessário acesso de quase a totalidade das crianças e adolescentes, entre outras mudanças na sociedade.

Ora, ouso dizer que estamos, hoje e para os próximos anos, necessitando mais de prisões do que de escolas, conforme Leonel Brizola e Darcy Ribeiro previram, com impressionante exatidão.

INSEGURANÇA – Hoje, o crime organizado está dando uma surra no Estado brasileiro, fazendo vítimas e escravos a cada dia. A corrupção ampliou-se e qualificou-se, causa prejuízos incalculáveis. As instituições públicas, em sua imensa maioria, desqualificadas e prestando serviços deficientes. São várias as pontas soltas.

Já não se sabe de quem é a responsabilidade pela educação das crianças. Será da escola? – pergunto eu. E o Estado brasileiro tem moral para tal? Se a responsabilidade for da escola, a situação se agravará, dia após dia. E se for dos pais/mães? Considerando-se que a maior demanda é por escolas infantis, a situação se agravará, dia após dia, pois a verdade é que as famílias estão terceirizando a educação.

NÃO FALTA ESCOLA – Com certeza, hoje não nos faltam escolas! Não nos faltam professores! O que falta é ensino nas escolas, assim como educação nos lares. Com o devido respeito, estão equivocados os que pensam que a escola corrigirá os erros de nossa sociedade. Ela precisa oferecer ensino de qualidade às crianças brasileiras.

Bem, já quanto à educação propriamente dita, o furo é mais embaixo, muito mais embaixo. Nosso problema maior está em educar as crianças, os futuros cidadãos. E isto só será possível se “enquadrarmos” os adultos. Fico imaginando como educar uma criança que assiste pai, mãe, tios e etc., fazendo tanta coisa errada, desrespeitando vizinhos, parentes e demais da sociedade, corrompendo leis e valores, sob o olhar das próprias crianças, seus filhos, sobrinhos etc.

O exemplo é a única forma de transferência de valores. Quem não os tem repassará o quê? Simples assim. Se é que desejamos uma sociedade melhor, precisamos reformar educação e  ensino, ao mesmo tempo.

10 thoughts on “Falhas na educação e no ensino nos levaram à ditadura do crime organizado

  1. Um artigo sensato, lúcido e que traduz nossa realidade. Comecei minha minha educação no Rio de Janeiro em 46. Lá. fiz o curso primário, o ginasial, o científico. Após isso, meu pai decidiu mudar-se para Fortaleza e aqui se deu bem. Era médico. Gostei da cidade. Aqui me formei em letras e, 25 anos depois, em odontologia, onde me especializei em cirurgia. Excelente cidade, apesar dos políticos, mal comum a todo o país. Hoje, aposentado, ganho uma miséria que mal dá para me alimentar. A palavra mais nefasta que conheço é democracia. Por que? Porque ela não existe. E a coisa mais necessária?
    ÉTICA !!! Não acredito que este país tenha futuro.

  2. A má qualidade do ensino e do seu conteudo não é falha e sim proposital . Qual a melhor maneira de exercer domínio sobre um povo ?

  3. Muito bem, a questão é: educar futuros cidadãos ou consumidores?

    Numa sociedade onde vigora literalmente a Mentira, onde o rotor da sociedade e o consumo, onde só valem os indivíduos em potencial de consumidor, aqueles para quem o “algoritmo da democracia e liberdade” calcula, excluindo-se ai, as crianças e os anciãos….

    E um assunto trágico, mas real…. Sociedade de consumidor, internet de consumidor, tudo e consumo, isso é o que ‘se educa’ hoje em dia…
    Educam-se consumidores, nada mais, hoje em dia…
    Somos a ultima geração que viveu numa sociedade que evitava mentira e buscava a ética e firmeza de princípios para educar nossos descendentes… Hoje o Mercado dita o numero…

    • “A educação na sociedade dos blocos de dinheiro dos investidores globais cujo dinheiro não tem para onde ir…”

      “… agora passa seus dias e noites nas mídias sociais.

      A visão original foi foi que essas mídias iam abrir um novo paraíso onde a informação fosse compartilhada livremente…
      Mas agora os algoritmos são tão fortes e sabem muito sobre você, tanto que só te dão o que sabem que voce gosta…

      Vive-se preso em uma câmara de eco, mas tudo o que você vê e ouve é você.
      Você vai ao escritório e senta-se em uma mesa, mas talvez seja um trabalho falso, seu trabalho real é shopping.
      As verdadeiras fábricas de nosso tempo são os shopping centers….

      Os políticos de hoje não têm idéia do que está acontecendo, eles fingem estar no controle, mas eles estão desamparados, nada fazem para impedir a corrupção.
      Eles não são realmente políticos.
      Tornaram-se vilões de pantomima cujo verdadeiro trabalho é nos irritar.

      Quando estamos irritados, clicamos e os cliques alimentam o poder cada vez maior e a riqueza das empresas que comandam mídia social.
      Pensamos que estamos nos expressando mas realmente somos apenas componentes em seu sistema.

      Esse sistema absorve toda oposição e é por isso que nada muda.
      …..

      Há quarenta anos, havia outro sistema abrangente foi na União Soviética, mas, na década de 1970, o sistema que estava começando a atacar a Rússia tornou-se uma sociedade onde todos sabiam que o que seus líderes diziam não era real porque podiam ver com seus próprios olhos que a economia estava caindo aos pedaços, mas todos tiveram que brincar e fingir que era real porque ninguém poderia imaginar qualquer alternativa soviética.
      A isso chamou-se hiper-normalização, onde você era uma parte do sistema em que era impossível ver além.
      A Mentira era hiper normal…”

      por Adam Curtis, em “Vivendo em um mundo irreal”7Trailer de 4 minutos em português:

      https://youtu.be/ITEqmta9g8c

  4. Parabéns ao articulista, que enquadrou o grande problema em lindes simples e definitórios. A palavra sugere, mas o exemplo arrasta. Nao há mais exemplos e os lares se desfazem sob a inclemente deterioracao dos costumes, cada vez mais dissolutos à palavra de ordem da Grande Meretriz. Brizola previu com exatidão, pois conhecia quem comandava os cordeis desse teatro.

  5. Antonio Fallavena, parabéns !

    O artigo fez-me recordar o tempo de minha infância como aluno no curso primário de escola pública aqui no Rio de Janeiro, então capital da República.

    O ensino era ótimo, os alunos eram de todas as classes sociais e os mais pobres tinham direito a merendar na escola.

    O respeito para com as professoras era total e o hino nacional cantado todos os dias.

    A diretora da escola era rigorosa educadora e disciplinadora, com alunos, professoras e funcionários.

    Os alunos mais travessos, vez por outra, eram “agraciados” com puxões nas orelhas. Até disso sinto saudades…

    Obrigado Antonio Fallavena.

    • Prezado Celso
      Seu comentário me proporciona a oportunidade de comparar alguns pequenos detalhes:
      “O ensino era ótimo, os alunos eram de todas as classes sociais e os mais pobres tinham direito a merendar na escola.”
      – Nos dias atuais, criaram-se cotas e tipologia cidadão para parcela dos alunos.
      “O respeito para com as professoras era total e o hino nacional cantado todos os dias.”
      – Professores, num número considerável, não se dão e não fazem por merecer respeito, dos alunos e da própria sociedade.
      – Hino nacional? É lembrado muito mais em jogos do que na vida da sociedade. É ridicularizado, pouco sabem cantá-lo e respeitá-lo. É mais utilizado e usado em jogos oficiais do que em escolas. Cuide quando as pessoas “tentam” cantá-lo a vergonha que é! No mais, não serve para nada. Nacionalidade, ética, moral e algumas coisas mais, era apenas uma “moda que passou”.
      “A diretora da escola era rigorosa educadora e disciplinadora, com alunos, professoras e funcionários.”
      – A maioria, preste atenção, a maioria das direções não sabem seu papel, o trabalho que devem realizar e passam a maior parte do tempo buscando soluções estruturais da escola e resolvendo os “problemas de seus colegas professores e dos alunos”!.
      “Os alunos mais travessos, vez por outra, eram “agraciados” com puxões nas orelhas. Até disso sinto saudades…”
      – Deus, hoje isto é feito pelo ECA – ou como eu digo “educador de crianças abandonadas”. Se pensar em punir, já pode pegar cadeia! Não esqueça: faz um tempo que alunos não são mais crianças, mas “pequenos cidadãos”.
      Com tudo isto rolando morro abaixo, alguns/muitos babacas retardados, dizem que, nos dias atuais, temos mais cidadania! Todos! Nem sabem do que se trata isto!
      Amigo Celso, obrigado pelo teu comentário. Que bom termos vivido um tempo diferente, com problemas mas com soluções também. Temos como fazer comparações.
      Aos demais colegas Tribunários, em breve, responderei seus comentários.
      Abraços e saúde a todos.
      Fallavena

  6. Não acho nada disto. Vejam o Marcelo Odebrecht engenheiro e envolvido até as orelhas na corrupção.Escola e crime não tem nada a ver. Educação sim, e esta deve vir de casa. Hoje tem uma teve e internet substituindo o papel dos pais na educação. É proibido fazer propaganda de brinquedos mas não de cerveja. Se o Macdonalds der um tabuleiro de xadrez junto com bigmac será processado, se der cerveja será elogiado.

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