Falta apenas um dia, para Dona Dilma deixar de ser cidadã comum, para se transformar em presidente. E tão importante quanto: é a primeira mulher, no Brasil, a atingir esse cargo máximo.

Helio Fernandes

O Planalto está à vista, e mesmo sem prazo definido, tanto pode ser 2014 ou 2018, a conquista é retumbante. Ela mesma já disse, num rasgo de sinceridade, reconheçamos: “Jamais pensei que isso pudesse acontecer”.

Rigorosamente verdadeiro. Os futuros presidentes não traçam seus caminhos, não projetam seus destinos, podem até sonhar, mas não se julgam tão iluminados, que esses sonhos se concretizarão algum dia.

Se demonstrarem certeza antecipada, se festejarem antes com amigos ou consigo mesmo, dificilmente chegarão. Os caminhos que levam à Presidência, são complicados e tumultuados demais. Exigem mais do que competência, sorte, um astral fora de qualquer imaginação, quantos estiveram tão perto e não chegaram?

Pinheiro Machado, na Primeira República, era tido e havido como “fazedor de presidentes”. Mas não “fez” a ele mesmo, sonho e objetivo que acabou em 1915, quando foi assassinado. Derrotou Rui Barbosa em 1910, quis eleger o próprio Rui em 1914, em troca da modificação da Constituição. Só que Rui não fazia concessão. Candidato em 1919, com 69 anos (naquela época, “idade avançada”) foi derrotado pelo “sistema”, Pinheiro Machado já estava longe.

Hoje, no Brasil, além de todas as realidades, o Poder é representado pelo Planalto-Alvorada. Até hoje, Dona Dilma tem feito diariamente o caminho pela metade. Ia para o Planalto, ficava lá o dia todo, voltava para casa.

A partir de amanhã fará o caminho completo de ida e volta. Depois de um dia cansativo, exaustivo, não definitivo, dormirá no Alvorada, a segunda parte do Poder. Deve ficar “em casa” no dia seguinte, domingo. Provavelmente não recebe ninguém, embora possa ter alguma idéia, que queira logo transmitir a quem de direito.

Não tenho a menor idéia de quem serão os confidentes de Dona Dilma, se tiver algum. Também se revelarão os íntimos, ela não é de muita intimidade, mas isso é obrigatório. Pela análise e pelo conhecimento, duas pessoas têm todas as condições (até pelas profissões e pela seriedade) de preencherem essa condição.

*** 

PS – Tudo que eu disser hoje, é a véspera da Presidência, ainda uma irrealidade. Mesmo o amanhã, que terá que vir, não virá imediatamente.

PS2 – O Lula de 2006 a 2010, teve alguma importância no que aconteceu de 2002 a 2006? De maneira alguma. As derrotas seguidas de Lula tiveram grande importância na “consolidação” do Poder que conquistou. Mas ele só percebeu que podia se transformar em “83 por cento de popularidade”, muito depois.

PS3 – Dona Dilma não sofreu nenhuma derrota, em termos esportivos (como Lula tanto gosta), “ela chega ao poder INVICTA”.

PS4 – Mas tem que ficar atenta. Muita gente estará trabalhando para derrotá-la. E não pode esquecer: uma derrota no Poder, tem todas as condições para atingi-la. O que não aconteceu com Lula, de 1989 a 2002.

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