Falta o novo na política

Vittorio Medioli

As mudanças comportamentais estão acontecendo rapidamente, mas quase imperceptíveis a quem não as apercebe. A distração faz com que o fenômeno seja confundido com o normal passar do tempo, entretanto, a um ano dessa década, correspondem cinco do século passado. A evolução disparou a ponto de o 21º século, em termos de avanços, ser superior aos últimos mil anos.

Exagero ou não, ninguém contesta que há 50 anos não existia computador, a televisão recém-chegada tinha apenas dois canais, a humanidade era uma terça parte do quanto é hoje. Se alguém dissesse que um dia haveria um telefone celular, que funciona em qualquer lugar e permite a uma pessoa comunicar-se com qualquer outra do planeta, e que, ainda, armazena milhares de funções e informações, podendo, com poucos toques, verificar-se na “internet” tudo sobre Leonardo da Vinci ou sobre as propriedades de uma partícula atômica, bem, esse sujeito seria considerado não só um extravagante, mas um louco.

Entre uma consideração extrema e uma mera consideração objetiva que deixa o “louco” uma pessoa atualizada, passou muito pouco tempo. Admirando estátuas de antigos romanos nos museus de Rodes, é possível encontrar figuras que poderiam corresponder a um de nós. Até o olhar mantém-se inalterado, e as poses das mulheres em nada mudaram.

Tentando medir a evolução material dos últimos 50/60 anos com uma régua “especialmente criada” e aplicada ao transcorrer da humanidade, poderemos encontrar, hoje, um avanço de condições e um impacto antropológico equivalente a mais de um milênio. Eu, nascido na década de 1950, conheci idosos nascidos em 1860, quando o automóvel sequer passava pela imaginação mais destravada, Garibaldi era um herói, e o eco de Napoleão ainda era presente nos manicômios – um em cada três se achava o imperador francês. Pois é, 50 anos depois convivo com Lamborghini, que numa reta pode alcançar 350 quilômetros por hora.

Mas o avanço não se limitou apenas à forma exterior, ela penetrou, no decorrer de cinco gerações, na grande massa humana que, de uma época em que a informação demorava meses, e até anos, para dar a volta no planeta, agora tenta adaptar-se a outra em que o celular deixa online qualquer um com qualquer outro.

VELHA POLÍTICA

Feito esse preâmbulo, suponho que a categoria dos políticos de hoje, moldada no passado mais vetusto, sobreviverá por pouco tempo. Existe um atraso enorme entre realidade mutante e realidade, e ainda não se realizou uma correspondente evolução de métodos e de supressão de vícios.

Na verdade, encontra-se represada uma energia evolutiva no âmbito político que poderá recuperar o tempo perdido e se adequar à contemporaneidade na forma de se enxergarem prioridades e escolhas, além de mudar radicalmente o modo de eleger representantes. Haverá, por via do voto, uma revolução muito em breve. Sente-se na atmosfera (quem gosta de Theillard de Chardin pode imaginar na “noosfera”) uma condensação de pensamentos comuns à humanidade à espera de explodir. Parecerá velho e surrado o jeito de manipular as massas? E como elas reagirão? Nesse momento surgirá um novo político que de político terá muito pouco? Espero que sim.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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