Falta pouco para as eleições, mas o maior problema do país não entra em discussão

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Faltam cinco semanas para uma das eleições mais importantes da História Republicana, mas até agora não houve discussão sobre o principal problema do país. Na realidade, todos sabem que o Brasil vive uma crise terrível que parece não ter saída, com o crescimento desordenado da dívida pública, que aparentemente não tem solução, cada governo que entra e sai nada faz de concreto, apenas lava as mãos como Pôncio Pilatos. Os eleitores agem como se o problema não os atingisse, a mídia mal toca no assunto, não é nada fácil encontrar informações atualizadas sobre a dívida nos sites de pesquisa.

O fato concreto é que, seja quem for eleito, vai se defrontar com uma tenebrosa realidade. Encontrará um país falido que se tornou refém dos investidores e da elite do funcionalismo público, que conseguiu direito adquirido a salários e penduricalhos que fazem inveja a países já desenvolvidos e sem dívidas.

SILÊNCIO E OMISSÃO – Entre os 13 candidatos, apenas Ciro Gomes (PDT) costuma tocar no assunto, mas não entra em detalhes. Diz apenas que vai baixar os juros e encarar os banqueiros. Ou seja, nada de novo no front, porque a culpa não é só dos banqueiros, que devem ser trancafiados por uma série de outros crimes contra a economia popular, mas neste caso do irresponsável endividamento do poder público os bancos detêm menos de 25% da dívida.

Na última vez em que encontramos estatísticas a respeito, a divisão era assim: fundos de pensão e previdência (25,5%); fundos de investimento (25,2%); instituições financeiras (22,3%); não-residentes (12,1%); seguradoras (4,8%); governo (4,5%) e outros (5,6%).

Nenhum dos candidatos sabe o que fazer a respeito. Todos, inclusive Ciro Gomes, evitam falar sobre as contas públicas. Querem apenas chegar ao poder, para depois ver como é que fica.

FMI À ESPREITA – Os vampiros do FMI estão à espreita. Em abril, já avisavam sobre o risco do crescimento da dívida pública bruta, que inclui não apenas a dívida mobiliária da União, mas também a conta de juros dos papeis do Tesouro nas mãos do mercado interno e externo e os títulos usados nas operações compromissadas do Banco Central.

Em 2008, esse montante equivalia a 56% do PIB e somava R$ 1,470 trilhão. Dez anos depois, a dívida pública bruta atingiu em maio de 2018 um patamar inédito: 77% do PIB, o equivalente a R$ 5,133 trilhões, conforme o Banco Central. No entanto, se fosse utilizada a metodologia do FMI, que inclui na conta os títulos do Tesouro Nacional na carteira do BC e que somaram R$ 595 bilhões no quinto mês do ano, ou 8,9% do PIB, esse dado seria muito pior. Chegaria a 85,9% do PIB de R$ 7 trilhões, percentual acima da média dos países europeus e muito próximo aos 87% do PIB previstos pelo FMI para a dívida pública bruta brasileira no fim deste ano.

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P.S.
Os candidatos e os próprios eleitores podem fazer olhar de paisagem e fingir que está tudo no melhor dos mundos, seguindo a visão de Voltaire, mas a realidade é sinistra. Sem recursos, como governar? Seria interessante que os candidatos tocassem no assunto, mas quem se interessa? (C.N.)

24 thoughts on “Falta pouco para as eleições, mas o maior problema do país não entra em discussão

  1. Uma bomba relógio prestes a estourar. Provavelmente ocorrerá no colo do próximo presidente que será obrigado a tomar medidas duríssimas e impopulares por isso os candidatos não tocam no assunto hoje. MAIS UM ESTELIONATO ELEITORAL!!!

    • Os Srs candidatos tem a OBRIGAÇÃO de dizer onde serão aplicados os cortes que certamente virão. Atingirão os programas sociais? Os servidores públicos? Todos os servidores ou só a elite que está há anos no “abate teto”? Os investimentos? Ninguém sabe mas TODOS nós brasileiros queremos saber!! Os debates entre os candidatos deveriam acontecer em ginásios com representantes de TODA a sociedade assistindo presencialmente e cada tema (dívida pública seria apenas um deles) sendo debatido por no mínimo 8 horas com intervalos evidentemente. Um mês apenas de campanha praticamente é uma piada! Nosso sistema político, eleitoral e partidário ACABOU!!!! Não somos representados pelos nossos “representantes”!!! Temos que exigir mudanças GERAIS do próximo presidente. O único que realmente tentaria mudar alguma coisa é o Amoedo. Mudaria para ficar tudo como está! Ao menos para os banqueiros e também os rentistas!!.

  2. Será que não entram em discussão porque o problema maior urgência emergência é se ele vai ser governado por gente seria ou por bandidos??????

    Esse é realmente o nosso maior problema, se colocamos um bandido ou um homem honesto,
    Mas o homem honesto é burro imbecil militar grosseiro.

    Esse é o eleitor que temos pro almoço um que quer ter um presidente intelectual ladrão .

    ou acabamos com a roubalheira ou a roubalheira acaba com a gente.

    Será a permissão para todo e qualquer crime, desde avanço de sinal até desfalque na lojinha do bairro. vai ser o exemplo de sociedade civilizada.

    Nessa nova sociedade realmente não vamos precisar de um museu nacional não podem deixar queimar.

    E a despeito das pesquisas a quem interessa a desinformação, quem ganha dinheiro com o caus?

    E tem uns gasparis da vida a ajudar, e se sentindo os maiorais por defender bandidos tal qual o bofff, nunca vi um texto do bofff sobre dignidade, da honestidade que os homens públicos devem ter, é mesmo uma mente deturpada, capturada pela síndrome de capacho tal qual ciro omis e outros mais, é desalentador ver a realidade .
    Mais é melhor jair se acostumando as coisa vão mudar sim pra desespero do acanhotados.

  3. Já sentimos as consequências. A nova vítima foi o Museu Nacional que transformou história em fumaça em poucas horas. O que se escuta é que o orçamento passou de 500, para 56 milhões, estando ainda o museu repleto de produtos químicos inflamáveis. No mínimo a preocupação em se ocuparem cargos, sobrepujou a de manutenção do patrimônio cultural que não é só do Rio, nem do Brasil, mas mundial.

  4. Bom Dia Carlos Newton,

    Esse é o principal problema do Brasil que simplesmente não tem solução e que faz com que este país tenha um futuro sinistro e sombrio.

    Parabenizo-lhe pelo excelente artigo e que outros mais venham pela frente.

    Uma ótima semana a todos.

  5. “Em 2008, esse montante equivalia a 56% do PIB e somava R$ 1,470 trilhão. Dez anos depois, a dívida pública bruta atingiu em maio de 2018 um patamar inédito: 77% do PIB, o equivalente a R$ 5,133 trilhões, conforme o Banco Central. ”

    -UÉ? Durante esse período a economia do país não esteve nas mãos de “entendidos” e de “especialistas”?

  6. O próximo Presidente encontrará um Orçamento Federal 2019, votado pelo Congresso, que super simplificado se resume:
    Arrecadação Federal …………….R$ 1.400 Bi
    Déficit Nominal com Dívida Pública R$ 490 Bi.
    Déficit Primario ……………………R$ 139 Bi.
    Limitantes:
    Lei de Teto de Gastos Federais,
    Regra de Ouro, ” Não se pode emitir Dívida Pública para pagar Gastos de Custeio, principalmente Folha de Pagamentos”.
    Redução de 5 p c do tamanho do Estado Federal.

    As 3 maiores Despesas do Orçamento.

    Juros/Amortização Dívida Pública R$ 351 Bi.
    Folha Pagamentos Fed …………..R$ 322 Bi.
    Previdência/Assistência Social R$ 289 Bi.

    O Presidente Eleito terá que atuar principalmente sobre essas 3 maiores Despesas.

    Vejamos as propostas dos principais Candidatos:

    Haddad – Econ. Márcio Pochmann
    1 Contra o Teto de Gastos Fed
    2 Contra a Regra de Ouro
    3 Para combater S 3 principais Despesas ( Juros/Amortizacao, Previdência, Folha Pagamentos), usar 1/3 das Reservas BC p ativar a Economia, principalmente Obras de Infra-Estrutura e com maior crescimento do PIB extrair Recursos.

    Bolsonaro – Economista Paulo Guedes
    1 A Favor do Teto de Gastos
    2 A Favor da Regra de Ouro
    3 Reduzir a Dívida Publica Privatizando ( Vendendo) +- R$ 800 Bi de Empresas Estatais e Imóveis Fed. Renegociando o Perfil do resto da Dívida Pública.
    Na Previdência a favor da Reforma Dialogada começando pelo Funcionalismo Público que entraram antes de 2003, os que tem Direitos Adquiridos. Previdência fazer transição para Sistema de Capitalização.

    Marina – Econ. Eduardo Gianetti
    1 A Favor Teto de Gastos
    2 A Favor da Regra de Ouro
    3 A favor das Reformas com Diálogo.

    Alckmin – Econ. Pérsio Árida
    1 A Favor do Teto de Gastos
    2 A Favor da Regra de Ouro
    3 Zerar o Déficit Primário em 2 anos, reativar a Economia via atração de Capitais do Exterior, mais abertura da Economia ao Exterior, e com Recursos do crescimento Econômico e Reformas, atacar as 3 maiores Despesas ( Juros/Amortizacao, Previdência e Folha de Pagamentos).

    Ciro Gomes – Econ. Mauro Benevides Filho
    1 Contra o Teto de Gastos
    2 Contra a Regra de Ouro
    3 A favor de RE-IDUSTRIAR o Brasil, o que é fundamental. Usar +- US 100 Bi das Reservas do B C para pagar 12 p c da Dívida Pública, renegociar o restante alongando bastante o Perfil que hoje é de curtíssimos 5 anos. A Favor da Reforma da Previdência partindo para um Regime de Capitalização.

    Meirelles ex Ministro da Fazenda
    1 Criador e a favor do Teto de Gastos
    2 criador da favor da Regra de Ouro
    3 Zerar o Déficit Primário em 2 anos, fazer a Economia crescer a uma Taxa média 4 p c ao ano, criando 2 Milhões de Empregos/Ano, recuperada. CONFIANCA com os Recursos do crescimento e Reformas, fazer frente as 3 grandes Despesas Públicas ( Juros/Amortizacao, Folha de Pagamentos e Previdência). É o Candidato com mais experiência, e tirou na prática o Brasil da Recessão.

    Ė dentro dessas principais opções que escolheremos.

    • Queria saber como Meireles vai criar dois milhões de empregos por ano. Quando Dilma saiu o desemprego era de 11,7 milhões. Após dois anos de Temer/Meireles o desemprego era de 13,7 milhoes.

    • Flávio José Bortolotto, meu caro … Econ. Pérsio Árida foi fundamental no BC … antes trabalhava com George Soros.

      O mais indicado hoje é o Meirelles … que conhece de tudo do Capitalismo Financeiro … e do Produtivo; pois trabalhou na JBS!!! Está mais assim com o que Trump está revalorizando – PRODUÇÃO!!! !!! !!!

      Apesar de que Trump recebeu atenção do FMI; pois está governando à maneira de Pindorama – GOVERNAR É FAZER DÍVIDAS kkk

      Um aperto de mão.

  7. Alex Moura, bom dia, obrigado pela dica do site da Globo News. Acabei de assistir à entrevista do Dr. Paulo Guedes que no meu entendimento foi bastante esclarecedora. Quase não houve interferência dos entrevistadores porque ele fala ininterruptamente de forma didática e cristalina.

    Recomendo aos leitores desse blog, caso tenham tempo, haja vista a entrevista ser de 56 minutos, a escutarem os ensinamentos do Dr. Paulo Guedes, bastante úteis para o entendimento dos graves problemas que o próximo governante irá se deparar a partir de 2019.

    Sugiro que o Sr. Carlos Newton, se puder, discorra mais sobre esses graves problemas que ninguém ousa discutir.

  8. 60% da economia é informal. Os 40% da formalidade a bagunca e grande (notas fiscais frias, em duplicata, triplicata e pasmem Notas Fiscais Piratas)

    Resumindo: quem for eleito terá que administrar uma ECONIMIA ONIRICA

  9. DETENTORES DOS TÍTULOS PÚBLICOS FEDERAIS

    * Previdência……………………….24,58%
    * Instituições financeiras……….22,48%
    * Fundos de investimento………26,30%
    * Não-residentes…………………..12,57%
    * Governo……………………………..4,38%
    * Seguradoras………………………..3,90%
    * Outros…………………………………5,79%

    A dívida pública mobiliária federal interna fechou julho em 3,607 trilhões de reais. Junto com a externa vai para 3,748 trilhões.

    Nosso PIB nunca esteve em 7 trilhões. Ele é hoje 6,7 trilhões como informa o Banco Central.

    Também não procede a informação de que os candidatos não tocam no assunto da endividamento público. O economista PhD de Bolsonaro – Paulo Guedes -, discorreu com maestria no programa da Globo News como fazer para frear o crescimento do orçamento público federal. E foi além: foi o único que mostrou como iria zerar o déficit fiscal já no primeiro ano de mandato. Sugiro que vejam a entrevista no Youtube.

    Fonte dos dados: Banco Central e Tesouro Nacional.

  10. Em relação ao FMI, não procede o alarmismo.

    O Brasil teria de se socorrer junto ao FMI caso houvesse falta de divisas internacionais. O Brasil tem, hoje, US$381 bilhões de dólares. Suficientes para debelar qualquer ataque especulativo.

    Diferentemente do que ocorre com a Argentina nesse momento que está tendo que ser socorrida com US$50 bilhões pelo FMI.

    Então, o “alarmismo” , do artigo, obviamente não procede.

  11. Não, Sr. Carlos Newton, a dívida pública não é o principal problema e sim, decorrente, efeito, consequência, talvez do maior problema brasileiro, o estado mastodôntico.
    A dívida pública não é fruto de geração espontânea.
    Muito pelo contrário, ela decorre de um estado perdulário, que gasta quanto quer, como quer e quando quer.
    O estado, gigante por natureza, não saciado com o dinheiro obtido via extorsão dos contribuintes via impostos, age como um viciado, recorrendo ao crédito. Os investidores (ou credores), não são vampiros como o Sr. apregoa, apenas fornecem o que o cliente deseja, ou seja dinheiro. Em contrapartida, desejam que o cliente lhe pague juros. Simples assim. Se não existissem viciados não haveriam traficantes.
    Portanto, se não não fossemos obrigados a sustentar milhares de funcionários públicos, alguns com ganhos incompatíveis com o retorno dado ao contribuintes, milhares de sindicalistas, empresas estatais ineficientes e detentoras de monopólios, políticos, privilégios das mais variadas origens, bolsas esmolas para a camada pobre e os inúmeros incentivos para a camada rica da população, a realidade seria outra.
    Portanto, não veja a dívida como principal problema. Ela é, simplesmente, o efeito colateral de um estado inchado, perdulário, ineficiente, que determina asfixia social.
    E pessoas, das mais variadas vertentes, usufruem e se vangloriam deste sistema nefasto.

  12. Carlos nao falta recursos o que falta e a tal da prioridade,suspensao das desoneraçoes fiscais e suspensao e auditoria das dividas externa e interna vai fazer jorar dinheiro.

  13. 60 mil homicídios, 60 mil estupros, 60 mil mortes por violência no trânsito… Números aterrorizantes.
    Mortes por 100.000 habitantes, no Brasil, é o dobro de Botsuana, o triplo do Haiti e 5,5 vezes maior que os EUA.
    Sejamos sinceros, aqui é um dos países mais violentos do mundo.
    Este texto mostra que também na economia somos muito ruins.

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