Falta uma cultura de educação, fiscalização e engenharia de trânsito no Brasil

Milton Corrêa da Costa

Conforme matéria de destaque de O Globo, apenas 0,3% do arrecadado pela prefeitura do Rio com multas, no ano de 2012 (R$ 174.4 milhões), foram destinados à ações educativas de trânsito. O problema é evidentemente cultural. O motorista brasileiro, por deficiência de formação, tem um perfil voltado para a conduta imprudente e deseducada no trânsito.

É urgente, portanto, desenvolver campanhas educativas de trânsito, de caráter permanente, em horários nobres de televisão, tipo das existentes na República Tcheca e na Espanha com imagens fortes, tristes e chocantes de acidentes de trânsito. Na Austrália há um vídeo mostrando, por exemplo, os cuidados necessários com o transporte de crianças no carro. Algumas celebridades, que se envolveram em graves acidentes de trânsito, também poderiam se dispor a relatar, durante as campanhas, suas amargas experiências numa mea culpa dos atos imprudentes cometidos ao volante.

Por outro lado, o país possui rodovias e vias urbanas inseguras, muito mal pavimentadas e sinalizadas. No acidente da sexta-feira (11/01/13) que matou seis pessoas de uma mesma família, entre elas duas crianças, numa colisão de veículos em sentidos opostos, na Via Lagos, em Araruama, município do Estado do Rio de Janeiro, a rodovia não possui mureta divisória de pista, o que é um erro de prevenção e engenharia injustificável.

TEMPORIZADOR

No âmbito do Estado do Rio de Janeiro, os órgãos municipais, responsáveis pela engenharia de trânsito, como é o caso na prefeitura do Rio, ainda não cumpriram totalmente, embora o prazo tenha se expirado, a Lei do Temporizador, (5818/10), de autoria do deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha. Tal lei, de caráter educativo-preventivo, prevê que os pardais eletrônicos, que registram o avanço do sinal, só podem ser instalados onde os semáforos possuam temporizador digital de contagem regressiva. Os pardais existentes, anteriores à lei, já deveriam também estar de acordo a nova regra.

Finalmente, aqui vale ressaltar as declarações do médico Carlos Alberto Lobo Jardim, ex-presidente da Associação Brasileira de Ortopedia, quando disse: “A arrecadação de multas é alta, mas nem de longe supera as despesas para tratar vítimas de graves acidentes. E a experiência nos hospitais mostra que aqueles pacientes que se envolvem em acidentes graves dificilmente são reincidentes. Ou seja, são educados pela pior experiência possível, disse Jardim ao jornal O Globo.

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