Faltam 3 dias para a posse de Dona Dilma, e o ainda presidente Lula só fala na sua reeleição, “ela tem todo o direito”. É estranho, não surpreendente, mas inexplicável.

Helio Fernandes

Eleita em 2010, a posse marcada para o primeiro dia de 2011, seu grande inventor, patrocinador e eleitor, não esquece de 2014, Repete e insiste, no que todos sabem, não foi inventado por ele e sim pelo antecessor, FHC. Quer dizer, comprado por ele, herdado por Lula, que como FHC, queria mais. O terceiro mandato.

Lula esteve mais perto dessa sucessão tão ansiada do que FHC. Não importa se vale ou não vale a pesquisa. A verdade é que Lula sai com 83 por cento de aprovação. Curiosa e contraditoriamente, foi essa inédita e inacreditável popularidade, que impediu Lula de tentar continuar de “forma legítima”, espremendo os votos do Congresso.

Para Dona Dilma, três dias que representam a eternidade da lentidão. Para Lula, velocidade incrível, ele mesmo deixa que isso fique bem visível, embora todo e qualquer objetivo a partir daí, seja rigorosamente invisível e até insensato. E para o povão, para os brasileiros, para toda a coletividade, o que pedir e esperar?

Lula deu entrevista coletiva, multidão de jornalistas querendo saber do Lula que está indo embora, e ele com a obsessão Dona Dilma. Lula disse algumas coisas que não tem como provar ou garantir, se referem ao futuro. Mas sobre ele mesmo, deu respostas interessantes.

Um jornalista desativado sem saber, perguntou ao presidente: “Como o senhor terá muito tempo, aproveitará para estudar?”. E Lula com simplicidade, mostrando ao jornalista o quanto ele mesmo precisa aprender, respondeu: “Em qualquer lugar ou qualquer época eu não poderia aprender o que aprendi nos 8 anos de governo”. Perfeito.

Dominando o ambiente, e vendo como eram e normalmente são primários tantos jornalistas, “botou banca”, flertou com a arrogância, afirmou serenamente: “Pensei que fosse mais difícil governar. Foi até fácil e gostoso”. Evidente que era gozação.

Demonstrou total “fé e certeza de que a Dilma fará um grande governo, cumprirá todos os compromissos assumidos com os 55 milhões que votaram nela”. Sobre isso, não há nem análise, avaliação ou comentário, tudo fica no terreno da imaginação. E do tempo.

É lógico que ela sabe que tem que FAZER e IMEDIATAMENTE, mas por onde irá começar? Os 37 ministros recolhidos, escolhidos, admitidos e a partir do dia 1º já nomeados e assumidos, serão participantes de um processo que tem que ser sempre positivo, avançado, executado sem qualquer interrupção. Ela sabe, participou de muita coisa, de quase tudo, que governar não tem nenhuma facilidade. Não é mesmo, haja o que houver. Lula estava apenas tentando confundir e impressionar alguns jornalistas.

Poucos perceberam que era o último show de Lula no Poder, ele se mostrava saudoso e pomposo, só tinha três dias no Planalto-Alvorada. Pode voltar ao Planalto, excepcionalmente, para um cafezinho, ao Alvorada não voltará nunca mais, e sabe muito bem disso.

Dessa forma, tenta confundir os fatos e as previsões. Os fatos precisam acontecer e não dependem dele. As previsões são dele, mas não se baseiam em fatos. Na entrevista coletiva insistiu tanto no “direito à reeeleição, garantido para Dona Dilma”, que fez uma parada, botou a mão na cabeça: “A Dilma só não ficará mais 4 anos, a partir de 2014, se não quiser”. Ha!Ha!Ha!

Reconheçamos: ninguém quis tanto a presidência, perseguiu tanto o Poder quanto Lula. Perdeu três vezes seguidas. Em 1998, sabia que não tinha nenhuma chance, perderia no primeiro turno. Mas teve a percepção exata; o companheiro que disputasse em 1998, perderia, mas ganharia o direito de concorrer novamente em 2002.

Assim, muitos acreditavam que Lula “estaria indo para o sacrifício”, esse sacrifício era dos concorrentes. Ganhou então na quarta e na quinta disputa, não conseguiu materializar a sexta, apesar do grande trabalho de bastidores.

Portanto, como Dona Dilma se alimenta e se sustenta, política e eleitoralmente do mesmo cardápio de Lula, se lutou tanto pela primeira presidência, por que recusaria a segunda? Lula não pode nem criaria deliberadamente, obstáculos para ela? Mas esses obstáculos existem, querendo ou não querendo.

Por exemplo: assim que assumir, haverá o prolongamento do que está havendo agora; a luta pela presidência da Câmara, cargo importantíssimo. Parecia tudo resolvido, mas “aliados e adversários”, não satisfeitos com o que receberam, tentam a intimidação, sempre baseada e impulsionada pelo subserviente PCdoB.

(Amanhã relatarei o que está acontecendo, e o esforço que Dona Dilma terá que fazer, durante todo o mês de janeiro, para garantir o esquema aprovado. Precisará dispor de mais cargos para “aplacar o exibicionismo e a ambição” de alguns).

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PS – Manchete interpretada, mas errada. Texto adivinhação na Primeira: “Lula agora diz que Dilma será sua candidata daqui a quatro anos”. Não afirmou nada, confundiu tudo, fez questão de se manter em primeiro plano. “Se Dilma quiser”, é a incógnita que colocou.

PS2 – FHC não aguentou tanto silêncio em relação a ele, e o festival de noticiário envolvendo Lula e Dilma. Não resistiu, veio a público, assumiu: “Sem falsa modéstia, quem mudou o Brasil fui eu”.

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AMANHÃ:

Quércia morto, continua o “Disque para a Corrupção”.
FHC vivo (?) não consegue se habituar com o ostracismo.
Entra na História como o DOADOR das riquezas.
E enriquecedor nacional e multinacional.

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