Faltam 48 horas para o depoimento de Pagot, o diretor do Dnit demitido por Dilma, mas que não saiu. Preferiu pedir cartas à mesa e está pagando para ver. E Paulo Bernardo já o considera um diretor “correto”.

Carlos Newton

Como dizia o genial publicitário e compositor Miguel Gustavo, “o suspense é de matar o Hithcock”. Conforme anunciamos aqui no blog, emissários palacianos querem evitar que o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, revele o que sabe sobre a corrupção no Ministério do PR, perdão, do deputado Waldemar Costa Neto.

A oposição ainda não conseguiu o número de assinaturas necessárias para a criação da CPI, mas tudo é possível, especialmente porque Pagot não se curvou à ordem de demissão determinada pela presidente Dilma Rousseff, simplesmente anunciou ter entrado de férias, e dará depoimento terça-feira no Senado, em sessão conjunta da Comissão de Infraestrutura com a Comissão de Fiscalização e Controle. Na quarta-feira, vai falar na Câmara, em sessão conjunta de quatro comissões, vejam só o estrago que pode fazer.

“Não sei como será o depoimento do Pagot. Eu me encontrei com ele e achei que estava muito triste” – informou o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG). É aí que mora o perigo, como dizem os jovens.

Na quinta-feira, Pagot chegou a afirmar a O Globo que tudo o que fez no comando do Dnit “foi realizado conforme as instruções recebidas”. E quando o diretor em férias se refere a “instruções recebidas”, na verdade está dando um recado duro, porque já é mais do que sabido que essas determinações partiam do então ministro do Planejamento, Paulo Bernado, um dos petistas de maior prestígio e marido da atual chefe da Casa Civil, Geisi Hoffmann.

A informação que corre em Brasília dá conta de que Paulo Bernardo admitiu ter recebido uma ligação telefônica de Luiz Antônio Pagot, que negou ter citado o nome de Bernardo em qualquer conversa com parlamentares do PR. O ministro, por sua vez, teria se solidarizado com Pagot e dito que entendia sua indignação com o afastamento do cargo, além de reconhecer que, se havia alguém correto no Dnit, certamente era o ainda diretor do órgão.

Olhem bem como as coisas vão evoluindo. Pagot foi demitido, rebelou-se, entrou de férias e agora já é tido como um dirigente “correto” de um órgão inteiramente corroído pela corrupção das empreiteiras, que é uma espécie de doença crônica (e incurável) da máquina administrativa brasileiras nos três níveis – federal, estadual e municipal.

Bem, ainda faltam 48 horas para o esperado depoimento de Pagot, que será atacado frontalmente pela oposição. Até lá, as farmácias de Brasília certamente já terão esgotado todo o estoque de tranquilizantes. Detalhe: o depoimento será transmitido ao vivo pela TV Senado. Vai ter audiência recorde.

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