Faltam 9 dias para Lula abstrair, Dona Dilma assumir, ficar quatro anos inteiros, ou mais quatro, se as coisas se encaminharem para isso. Mas para ele tudo é fanfarronice, para ela, o que sobrar.

Helio Fernandes

Não foi com a entrada do verão que os problemas esquentaram para Dona Dilma. Rigorosamente reconhecido por todos, (incluindo ela) que deve a eleição ao próprio Lula, as complicações não são compreensíveis ou incompreensíveis, apenas visíveis.

Muitos analistas amadores localizaram e localizam dificuldades para ela, na formação do ministério. Segundo esses meteorologistas da política, (que erram tanto quanto os que ensinam com que roupa ou guarda-chuva devemos sair de casa), a maioria dos Ministros foi indicada por Lula. E aceita pacificamente por ela. Não foi assim, mesmo que fosse, o obstáculo maior a ser ultrapassado não vem daí. É muito mais grave.

Imposta pelo próprio Lula, Dona Dilma não teve tempo de examinar o extraordinário presente que recebia, não pôde nem examinar a validade do que lhe garantiram. Na campanha, o que não foi discutido nem negado por ninguém, é que ela ganharia, se empossaria em 1º de janeiro de 2011, e daí, um futuro que nem Deus reconhece. Ou garante.

Mas ela e todos esperavam que pelo menos a posse e o prazo do fim do mandato fosse janeiro de 2015, quatro anos depois. Se esse tempo já era longo demais para “adivinhações”, imaginem estender a análise para quatro anos depois, ou seja, de 2015 até 2019. Estava escrito (na Constituição), mas ela não criaria problemas para Lula, a partir daí. Mas de antes?

Não é nem conceito ou definição arbitrária e insanável, dizer: “Dona Dilma ficaria satisfeita em ser presidente por 4 anos”. Isso daria prazer e orgulho em qualquer biografia, e nem se fala, fazendo parte indiscutível de uma autobiografia.

Era até imaginável que Luiz Inacio Lula da Silva, desde 1989 vivendo em função da Presidência da República, fosse surpreendido pelo fim da rotina Planalto-exterior-Alvorada-exterior-Planalto. Mesmo nas três derrotas anteriores às duas vitórias, a constante era a conquista da Presidência da República. Sempre sonhou com isso.

Não a ponto de “sentir saudades” antes mesmo de ficar livre dessa rotina inimaginável, que explorou até a exaustão. A ponto de ter aparecido com mais de 80 por cento de popularidade. Que muitos não confirmam, preferem colocar como “popularidade”.

Talvez tenha, ou vá lá, mereça essa consagração, mas o país foi beneficiado na mesma proporção? Ou foram quesitos mal avaliados, como costuma acontecer no Sambódromo? Só que o Sambódromo de Lula é muito maior e tem 190 milhões desfilando em homenagem a ele. Que assiste, gostosa e prazerosamente.

Só que as dúvidas e contradições de Lula (e de porta-vozes), questionam não possíveis erros, equívocos ou desacertos da nova presidente, e sim a compensação-satisfação que Lula acha que merece. A de VOLTAR AO PODER.

Mas espantosamente as colocações vão se somando, ou até se multiplicando, e já identificam essa imaginária (não para ele) volta ao Poder, não em 2014 e sim A QUALQUER MOMENTO. Ou seja: imediatamente, como o próprio Lula deixa entrever.

Primeiro foi o mais autorizado de todos, Gilberto Carvalho, que falou: “Lula pode voltar”. Deliberadamente deixou em branco a DATA DESSA PRESUMIVEL VOLTA. Ele e Lula devem ter confessado, rindo: “Quem quiser que entenda o que chamamos de VOLTA”.

Ontem, abrindo o jogo ou o cassino das inconclusões, Lula disse em entrevista: “Sou um político nato”. É preciso examinar, entender, decodificar o que se esconde nessa frase. Todo presidente é e tem que ser um “político nato”. A Presidência é o auge e o apogeu da política. Fora da política, só se consegue a Presidência d-i-t-a-t-o-r-i-a-l-m-e-n-t-e.

 ***

PS – Dona Dilma reagiu não atrevidamente, mas com muita coragem, a tudo isso, demitindo Ciro Gomes, antes mesmo de ser nomeado.

PS2 – Ontem em perguntava: “Será Dona Dilma estrategista?” Tendo que decidir no PSB (Partido Socialista Brasileiro) entre o governador de Pernambuco (Eduardo Campos) e o ex-governador do Ceará (Ciro Gomes), tomou posição que pode ser considerada alerta.

PS3 – Eduardo Campos poder ser um aliado para o governo, e até para um possível (ou até impossível) confronto não esperado antes, praticamente assinalado agora.

PS4 – Ciro Gomes é tergiversante, incógnita, delirante, “político inato”, ainda mais convicto do que o próprio Lula.

PS5 – É quase impossível admitir que Ciro possa ser aliado, a não ser que seus possíveis parceiros não tenham objetivos, aceitem mesmo inadvertidamente, os dele.

PS6 – Amanhã, faltarão 8 dias para a posse de Dona Dilma. Todos os ministros escolhidos, convidados e confirmados, tomem nota e estudem o que aconteceu com Ciro Gomes. Pode se repetir com os outros 36, ainda não empossados.

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