Faltava um negro

Sebastião Nery

Mário Gibson Barbosa, ministro do Exterior de Médici, fez um périplo africano por sete paises. Gorda comitiva. Na véspera da viagem, percebeu a gafe. Não havia um só negro na delegação.

A “carrière” não tinha negro. Gibson convidou um amigo médico, negro, para acompanhá-lo.E apresentava orgulhoso o dr. Jair:

– Meu médico.

Uma noite, na Nigéria, foram a uma solenidade. O presidente da mesa chamava os que iam compô-la e perguntava a função :

– Dr. Jair. Função?

– Médico.

– Especialidade?

– Ginecologista.

E era. Gibson quase desaparece por baixo da mesa.

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MALUF SOCIALISTA

Paulo Maluf era governador de São Paulo, esteve no Kwait, deu entrevista a um jornal de esquerda. O deputado cassado Neiva Moreira, diretor da excelente revista “Cadernos do Terceiro Mundo”, estava passando por lá, leu. Primeira pergunta do jornalista árabe :

– Governador, como o senhor se define ideologicamente?

– Pró-árabe progressista a caminho do socialismo.

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ADEMAR E SENGHOR

Ademar de Barros era governador de São Paulo, Leopold Senghor, poeta e presidente do Senegal veio ao Brasil. Ademar fez as honras da casa. Levou-o a visitar a cidade, a Assembleia, o Ibirapuera, os cartões de visita. No dia seguinte, deixou-o em um avião da FAB, a caminho de Brasília, e disse aos jornalistas:

– Vejam só. Não sei o que esse pretinho veio fazer aqui. Comprar o quê? Assinar o quê? Mal sei onde fica o Senegal.

Ademar ficou na História de um jeito, Segnhor de outro, muito diferente e mais nobre.

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