Faz seis graus abaixo de zero em Cambará do Sul

Francisco Bendl

Cambará do Sul, no Rio Grande, é local do nosso Itaimbezinho, o cânion brasileiro, onde me encontro! O frio é muito forte, e os gaúchos denominam a região como os Campos de Cima da Serra, um platô imenso no topo da Serra Geral com 1.200 metros de altitude. Faz seis graus abaixo de zero, mas a sensação térmica é de menos 15 graus!!!

As casas possuem lareira e fogão à lenha, e não há nenhuma que não esteja com eles acesos e suas fumaças saindo pelas chaminés.

A comida servida nos poucos restaurantes que a pequena cidade possui, inicia pela sopa de capeletti, uma iguaria, que se toma bem quente, acrescida de queijo ralado e se despeja sobre ela uma colher de vinho tinto para aguçar-lhe o sabor! Uma tradição italiana, mestres na elaboração de massas e molhos.

Em seguida vem o indefectível espeto corrido, um desfile de carnes suculentas e saborosas, além de pratos que acompanham este festival gastronômico como arroz, feijão, saladas diversas, maionese, aipim (mandioca) frito, polenta, espaguetti, salames, copa, queijos variados e vinho.

Todos estamos muito agasalhados, turistas tremem de frio, esfregam as suas mãos com força e assopram entre elas, batem com os pés no chão e andam de um lado para outro tentando se aquecer ao sol – fraco – para fazer frente ao frio reinante.

Os campos amanheceram brancos, um espetáculo belíssimo, cuja temperatura negativa impedia que até dez, dez e meia, a água saísse pelos canos gelados não permitindo que a gente lavasse o rosto e escovasse os dentes. Banho?! Nem pensar!

Aos poucos a cidade passa a assistir o vai e vem de gente ansiosa para sentir o frio na pele, de comentar sobre a sensação de algo que não está acostumada, da alegria em desfrutar com a natureza a temperatura gelada oferecida para que as pessoas vistam seus casacos, botas, mantas, gorros, meias de lã, luvas, e seus narizes vermelhos de tanto passarem as mãos neles ou lenços.

As crianças ficam indomáveis. Correm, gritam, pedem comida, bebida, querem andar penduradas em seus pais. Os namorados perambulam pelas ruas mais apaixonados que nunca. O frio os aproxima, estão permanentemente abraçados, beijando-se, fazendo suas juras de amor.

À tarde, seus desejos se revelam com intensidade nos quartos das pousadas aquecidas com lareiras e possibilitando um clima verdadeiramente romãntico para se fazer amor com a mulher amada, trocando energias e calores, suor e cheiros inebriantes.

A cidade acolhedora, os aposentos quentes, a comida saborosa, a esposa ao lado, são ingredientes que enaltecem a vida, o romance, o sexo, a vontade de se estar junto, em homenagem a esta oportunidade incomparável de valorizar o amor, as pessoas, os amantes.

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