Fechamento da Rio Branco será um desastre

Pedro do Coutto

Reportagem –aliás excelente- de Isabela Bastos, publicada em O Globo de 2 de setembro, revela que o prefeito Eduardo Paes, certamente acometido por uma crise de insensatez, ou inspirado pelos assessores da fantasia, planeja fechar a Avenida Rio Branco entre a Candelária e a Cinelândia e transformar a área num parque urbano e rua de pedestres.

Francamente, o prefeito precisa urgentemente reexaminar o tema porque se o projeto sair do papel para a realidade será um desastre para a cidade e, diariamente um sofrimento para um milhão de pessoas, pelo menos, que se deslocam de um bairro a outro passando pelo centro. Não faz o menor sentido.

O parque urbano, como a rosa no asfalto de Drumond, paralisaria tudo. Comunicaria ou ficará o tráfego que vem da Praça Mauá e se dirige à Zona Sul ou ao outro extremo do centro? Teria que ser totalmente deslocado para o elevado da Perimetral ou para o mergulhão da Praça XV. Como ficaria o trânsito dos que se deslocam através da avenida Chile?

Como cruzariam a Rio Branco na esquina do Clube Naval para chegar à Almirante Barroso? A Alte. Barroso seria completamente anulada como artéria intermediária de acesso. O movimento de veículos que vem da Praia do Flamengo, extremamente sobrecarregado, seria todo deslocado para a Evaristo da Veiga para chegar à Rio Branco a partir da esquina do Teatro Municipal?

Estas colocações demonstram, de plano, a impossibilidade de tal projeto. Ele pararia a cidade. O refluxo de ônibus e carros seria colossal. Uma catástrofe. O custo, em tempo e poluição, seria imenso. Para que tentar uma impossibilidade e não procurar resolver as questões difíceis que envolvem o trânsito, mas que podem ser enfrentadas com uma racionalidade maior e melhor do que a atual. O caso dos ônibus por exemplo. Há ônibus demais, como todos sabem.

Um mistério, inclusive, pois trafegam vazios durante horas e horas. Poderiam ser reduzidos funcionando a plena carga nos períodos de rush. Isso de um lado. De outro, se a Prefeitura não quiser diminuir o número de ônibus em circulação, tem a alternativa de reduzir o número de paradas.

Há paradas em demasia, não só no centro, mas nos bairros, notadamente na zona sul. Paradas demais, como focalizou o Plano Doxiadis, governo Carlos Lacerda, 1962, representam ocupação maior de espaço de circulação. De 62 para cá são 47 anos. Uma solução simples. É. Mas nada foi feito.

Aliás –vale frisar- há administradores (assessores) que detestam soluções claras e simples. Se podem complicar, porque simplificar? Eles têm a visão distorcida pela sofisticação como se ela fosse sinônimo de capacidade técnica e cultural.

Quanto mais impenetrável o projeto, mais seus autores tentam falsamente se valorizar. Incrível isso. O prefeito, que já teve a idéia também absurda de demolir o elevado da Rodrigues Alves, e parece ter desistido em boa hora, deve agora desistir de mais um sonho. Ode criar uma Times Squire no Rio. E a Champs Elisée, maior pista central de Paris? É aberta ao trafego normalmente. Nem por isso a capital francesa deixa de ser fascinante, encantadora, moderna e também eterna.

Outro assunto. O governador Sergio Cabral sancionou a lei 5522, publicada no Diário Oficial de 27 de agosto, que assegura estacionamento gratuito para os motoristas com mais de 60anos de idade. Tudo bem no que se refere aos estacionamentos públicos.

Mas não pode valer, como o texto estende, aos parqueamentos privados operados por manobristas. Não faz sentido. Trata-se de um serviço e nenhum serviço pode ser gratuito.Usar um local público é uma coisa.Utilizar-se de mão de obra particular é outra. O governador precisa rever a lei.

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