Feitiço contra o feiticeiro. José Dirceu e Cia. à beira da condenação

Carlos Newton

Não adiantou nada a leniência do ministro Ricardo Lewandoswki nem a cumplicidade do ministro Dias Toffoli, que já estavam convencidos da necessidade de atrasar o mensalão. Se o ex-presidente Lula, com sua mania de grandeza, não tivesse resolvido se intrometer, o julgamento do mensalão seria atrasada naturalmente, nem precisava forçar a barra.

O Supremo ia julgar o mensalão este ano? E com quantos ministros? Você acreditava nessa possibilidade? Seria um tolo se acreditasse. Antes das trapalhadas de Lula, surgiam informações de que alguns ministros tinham reagido mal diante da proposta feita por Ayres Brito, que queria aproveitar o recesso de julho para analisar o caso. Diversos ministros foram contra, não queriam perder as férias, vejam só que impecável espírito público.

Ayres Brito terá de se aposentar em novembro e queria um fecho de ouro para sua gestão na presidência do Supremo. Por isso, sugeriu separar um mês na agenda do trinunal para julgar o caso, mas não conseguiu. Os ministros chegaram a decidir também que o julgamento não ocorreria em todos os dias da semana. Assim, a análise da ação poderia levar vários meses para terminar.

Como começaria em agosto, surgiu logo um problema. No início de setembro o ministro Cezar Peluso deixa o Supremo, completa 70 anos e será obrigado a se aposentar. Tudo conspirava para que o julgamento fosse retardado.

Alguns ministros também se queixaram da vontade do novo presidente de julgar semanalmente um caso relevante. Um deles disse que não é prudente colocar na pauta “uma final de Copa por semana”, porque logo no primeiro mês como presidente da Corte, Ayres Britto colocou em julgamento importantes casos como a validade das cotas raciais em universidades e o conflito fundiário entre índios e fazendeiros no sul da Bahia.

Com a péssima repercussão das pressões de Lula, tudo mudou no Supremo. Ayres Brito convocou mais uma sessão administrativa para discutir a tramitação do julgamento e dois ministros faltaram, justamente Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, dois amigos de fé, irmãos e camaradas de Lula, que devem diretamente a ele a nomeação ao Supremo. Se Lula não fosse presidente, jamais chegariam lá.

A ausência dos dois ministros foi demais. Funcionou como uma ofensa à moral dos demais ministros. Resultado: o julgamento começa dia 1º de agosto, e não tem mais jeito. O feitiço virou contra o feiticeiro e José Dirceu e o resto da quadrilha estão a um passo da condenação. Lula perdeu uma grande oportunidade de ficar quieto.

As penas menores já estão prescritas. Alguns dos 36 réus deixarão de cumprir pena. E assim caminha a humanidade.

 

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