FELIZ ANO VELHO PARA MINC E DILMA, DOIS EX-COMPANHEIROS DE LUTA ARMADA QUE HOJE SE ODEIAM E SE HOSTILIZAM INCESSANTEMENTE

Nos bastidores do Planalto, aumentam progressivamente as divergências entre os ministros da Casa Civil e do Meio Ambiente. Embora tenham sido colegas na luta armada contra a ditadura, hoje Dilma Rousseff e Carlos Minc mal se toleram e a briga entre os dois vai se arrastar em Brasília até o final de março, quando deixarão os cargos para se candidatarem.

Dilma é altamente centralizadora e se julga dona do Poder, que Lula exerce apenas de forma representativa. O presidente brasileiro é como a rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa. Jamais na História deste país (e de nenhum outro), um chefe de governo viajou tanto, passou mais tempo fora do palácio de governo. É recorde mundial, absoluto, digno do Guinness. Por isso, quem governa é a Casa Civil. Primeiro, com o Zé Dirceu, depois, com a Dilma.

Como a popularidade do presidente nada sofre com esse distanciamento do Poder, tudo aparentemente fica bem para eles. Mas por trás das cortinas, o circo pega fogo. E o motivo principal é o autoritarismo de Dona Dilma, que concentra tudo e não dá espaço aos demais ministros. Nada de importante se faz no governo sem a aprovação dela (ou de Meirelles, na política monetária, já que ele é uma espécie de Dona Dilma em travesti econômico).

Minc desnudou a “guerrilheira” Dilma

No caso de Minc e Dilma, o velho companheirismo da luta armada e amarga já virou pó. Hoje, não se suportam.

Tudo começou em fevereiro de 2009, quando a revista Playboy publicou entrevista de Minc, em que o ministro do Meio Ambiente afirmou que a chefe da Casa Civil teria desempenhado papel de pouco destaque na organização clandestina VAR-Palmares, da qual ambos participaram no fim dos anos 60.

Minc disse que Dilma não atuou na mais conhecida ação da VAR-Palmares: levar 2,6 milhões de dólares de um cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, em julho de 1969. Minc foi além, muito além. Perguntado se Dilma liderava a organização, o ministro garantiu que os relatos sobre a atuação dela são exagerados: ”Realmente não é verdade. Numa certa época nós fomos do mesmo grupo, mas ela não tinha nenhuma proeminência”.

Foi o estopim da briga, que continuou com frequentes desentendimentos públicos, pois Dona Dilma não aceita aprofundar as discussões sobre impacto ambiental de grandes projetos, querendo aprová-los na marra, como já tentara na época em que a senadora Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente. Por causa disso, Marina largou o governo e depois largou o próprio PT, para se lançar candidata contra Dona DIlma. (Aguardem os debates entre as duas na campanha presidencial, serão imperdíveis).

Minc seguiu o exemplo de Marina e enfrentou Dilma nos grandes projetos, principalmente de hidrelétricas. E o circo começou a pegar fogo.

Dilma anuncia metas “inviáveis” e inatingíveis”

Em outubro, quando o governo se preparava para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, novo capítulo da novela. Sem ouvir Minc, Dona Dilma invadiu a área do Meio Ambiente e deu entrevista anunciando pretensas metas do governo. Foi desmentida no ato. Minc afirmou que as tais metas eram “inviáveis” e “inatingíveis”.

Dilma deu o troco no dia 10 de novembro, quando conseguiu que Lula a indicasse como chefe da delegação brasileira, Minc não passou recibo. Garantiu estar “confortável” diante da situação e disse que “o fato de ela chefiar a delegação tem várias leituras, cada um fará a sua”.

A participação de Dona Dilma foi um fiasco. Em sua primeira conversa com jornalistas em Copenhague, deixou como coadjuvante o ministro do Meio Ambiente, que teve que cancelar sua própria entrevista. Neste encontro com jornalistas, Dilma mal deixou Minc falar. Chegou a dizer que um dos programas aos quais o ministro se referiu não tinha “nada a ver” com o que fora perguntado.

O pior viria depois. Dilma cometeu uma gafe histórica ao abrir evento brasileiro sobre a Amazônia, proclamando que “o meio ambiente é um obstáculo ao desenvolvimento sustentável”.

Ainda não-satisfeita, voltou a desautorizar o ministro do Meio Ambiente, ao afirmar que o Brasil, em nenhum momento, pediu recursos para se adaptar às mudanças climáticas. (Mais cedo, Minc, durante entrevista, dissera que o Brasil abrira mão dos recursos).

A senadora Marina Silva, que era uma das estrelas da Conferência da ONU, entrou na briga. Em entrevista à Rádio CBN, disse que havia um “estranhamento” em Copenhague com a chefia da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na delegação brasileira. “Quando eu era ministra do Meio Ambiente, assumíamos os processos negociais em todas as COPs que participamos. Mesmo quando vim com o ministro Celso Amorim, ele era muito respeitoso em relação a minha titularidade”, comentou Marina.

Marina voltou a defender a participação do Brasil no fundo climático, e afirmou que repercutiu “muito negativamente” a recusa de Dilma em contribuir com 1 bilhão de dólares para os países pobres. E logo depois Dona Dilma acabou sendo desautorizada pelo próprio Lula, que anunciou a disposição brasileira de destinar recursos às nações carentes.

Comissão de Ética do Planalto “investiga” Minc

Por coincidência, mera coincidência, dia 15 de dezembro, no ápice da Conferência de Copenhague, em Brasília foi divulgada a notícia de que a Comissão de Ética Pública da Presidência decidira abrir um procedimento ético disciplinar contra o ministro Minc.

A comissão pretende que o ministro explique as relações com a deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) em nomeações para cargos públicos. Motivo: a parlamentar petista contratou como funcionária de seu gabinete a mulher do ministro, Maria Margarida Parente Galamba de Oliveira, a Guida, enquanto Minc contratou a servidora Flávia Martins Marques, que trabalhava no gabinete de Cida.

* * *

PS – Como se sabe que no Planalto nada de importante ocorre sem a aprovação da toda-poderosa ministra Dilma, a investigação contra Minc é bastante significativa. Afinal, na Comissão de Ética da Presidência não há qualquer investigação em curso sobre Meirelles, que responde a vários processos abertos no tempo em que era presidente do Banco de Boston.

PS2 – Também não existe investigação sobre outros ministros, como Edson Lobão, que no governo do Maranhão tornou famoso o filho Edinho (hoje senador, pois é suplente do pai), que merecidamente até ganhou o apelido de Edinho 30%. Por que dar essa “preferência” a Minc? É a “vingança da porta”, Dona Dilma não é mais do que isso, só que se julga muito mais. Até mesmo do que Lula, seu patrocinador. Lula é a Coca-Cola ou a Nike de Dona Dilma, favorece sua campanha com dinheiro do cidadão.

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