Felizes e aliviados: até quando?

Carlos Chagas

José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha, Waldemar da Costa Neto, Pedro Henry, Marcos Valério, Delúbio Soares e outros passaram uma sexta-feira de cão, mas, no final do dia, como também ontem e hoje, disseram-se felizes e aliviados. Por decisão do ministro Joaquim Barbosa, não foram e certamente não serão presos nas próximas semanas e até nos próximos meses.

O presidente do Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido do Procurador-Geral da República para conduzi-los à cadeia antes do Natal, Ano Novo, quem sabe o Carnaval e a Semana Santa. Nem por isso o alívio e a felicidade vão durar, para eles, sequer abrangendo esses períodos de confraternização e de festas. Talvez já se tenham dissipado, ainda agora, seus sentimentos recentes de desafogo, concedidos pela postura de um juiz que se mostrou fiel à lei e à Constituição. Não havia porque mandá-los para o cárcere antes de suas sentenças transitarem em julgado. Mas acabam de ser condenados a prolongadas penas de prisão, que mais cedo ou mais tarde começarão a cumprir.

Não se conclua que injustamente. Vão pagar, ou já estão pagando, pelo mal praticado. Quando no auge do poder, todo-poderosos e arrogantes, imaginaram dominar para sempre os controles do governo e da sociedade. Presumiram-se acima e além da lei, motivados por razões diversas. Uns mais, outros menos, iludidos pelo sonho de estar prestando serviços à população, ou construindo um novo país, quem sabe reforçando um partido de papel, mas também mandando como senhores de escravos e enriquecendo através da manipulação do poder público.

Devem merecer a consideração devida a todos os criminosos, a solidariedade a que tem direito qualquer ser humano, mesmo a caridade tão difícil de manifestar-se nesses tempos bicudos, ainda que, acima de tudo, mereçam a cadeia. Senão apenas para reparar o passado, certamente para preservar o futuro.

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VIRÃO REFORMAS NO MINISTÉRIO?

Parece natural que ao conquistar um segundo mandato, todo presidente da Republica promova alterações em sua equipe de governo. Existem ministros que não corresponderam à expectativa, mesmo fiéis, como existem ministros conscientes de já terem dado sua colaboração. Há os que pretendem novos horizontes, como há os saudosos do passado anterior às suas nomeações.

Não se imagine, porém, que a reeleição produza um novo governo. Será o mesmo. Assim aconteceu com Fernando Henrique e com o Lula, ambos reeleitos.

Por isso, caso confirmadas as projeções que hoje indicam a permanência de Dilma Rousseff na chefia do Executivo, depois de 2014, não se pense num novo ministério, totalmente remodelado. Mudanças acontecerão, até mesmo agora, quando completada a primeira metade do mandato da presidente. Surpresas, porém, andam fora de moda, não obstante o número de ministros candidatos ao Congresso e aos governos estaduais, nas próximas eleições.

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