Férias sem explicação

Carlos Chagas

Tem alguma coisa errada na informação passada à mídia sobre a decisão do presidente Lula e do comando de campanha de Dilma Rouseff de levar a candidata a um cone de sombra,   gozando férias por alguns dias ou semanas. A alegação é de que a chefe da Casa Civil necessita descansar, depois do tratamento de saúde  a que se submeteu, além de precisar sair da linha de tiro em que se encontra depois do episódio Lina Vieira.

Fica difícil  acoplar os dois argumentos. Acusada de faltar com a verdade, mesmo sem provas de  a então secretária da Receita Federal haver estado em seu gabinete,  Dilma ficou a cavaleiro. Ganhou a parada.    Afinal, Lina Vieira não soube informar hora, dia, semana e até mês do encontro que garante ter acontecido. Por que afastar-se de sua rotina diária e da natural exposição de  que sua candidatura necessita? Recolher a tropa  em meio  à batalha  pode prenunciar  a derrota.

Por outro lado, não dá para entender porque, depois das sessões de  radioterapia, ela deve descansar. O repouso se justificaria durante o período em que enfrentou o hospital, quase todas as semanas. Registre-se que mesmo durante esse  tempo a ministra cumpriu corajosamente  sua agenda. Chegou a viajar de São Paulo para Brasília no mesmo dia  das aplicações,  para estar presente a audiências  e solenidades. Agora que superou o mal-estar  do agressivo tratamento é que vai parar? Não fosse candidata e estariam justificadas essas pequenas férias, como a qualquer pessoa. Mas em meio ao tiroteio da sucessão presidencial, ainda mais quando emergem Marina Silva e Ciro Gomes como pretendentes?

Ou a saúde de Dilma não anda tão bem quanto divulga o palácio do Planalto ou suas condições eleitorais diminuíram, abrindo espaço para o inusitado          que seria a reformulação dos planos do presidente Lula. Já tendo se descolado do PT, o primeiro-companheiro faria o mesmo com a candidata que impôs ao seu partido e aos seus aliados? Tem azeitona  nessa empada.

Pista livre

Caso não sobrevenham imprevistos, o Supremo Tribunal Federal deve julgar e absolver  Antônio Palocci,  amanhã.   O ex-ministro da Fazenda estará livre para iniciar campanha ao governo de São Paulo ou para retornar ao ministério, como ministro da Coordenação Política. É peça importante no tabuleiro de xadrez movido pelo presidente Lula. Não fosse o episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro e naturalmente seria o candidato do PT à presidência da República, em vez de Dilma Rousseff. Dispõe de todas as condições para juntar os cacos da seção paulista de seu partido e ameaçar os tucanos, venham eles com Geraldo Alckmin,  Aloísio Nunes Ferreira ou José Aníbal. Tudo dependerá, como sempre, do presidente Lula.  Depois, é claro, do voto dos ministros do Supremo.

Nova afronta

Os militares continuam engolindo sapos em posição de sentido. Tem mantido conduta exemplar depois da lambança que foi a ditadura. Mesmo sem gostar, aceitaram a criação do ministério da Defesa, como tem enfrentado sucessivos cortes de verbas essenciais para a manutenção de  suas atividades. Pois vem mais uma paulada agora, começando pela Aeronáutica. O ministro Nelson Jobim quer retirar da força as investigações sobre acidentes aéreos. A FAB já  perdeu  o Departamento de Aviação Civil, que administrava desde que o avião foi inventado, mas desmontar as estruturas que com toda competência buscam as causas  da queda de aeronaves em todo o território nacional só pode ser revanchismo. Quem assumirá essas funções? Os presidentes de aeroclubes ou os proprietários de empresas aéreas? Do jeito que as coisas vão, logo o ministro da Defesa retirará da Marinha a supervisão dos portos. Ou do Exército, a guarda das fronteiras.

O mercado ataca novamente

Não há um ser humano, em todo o planeta, que não culpe o chamado mercado pela crise econômica que ainda nos assola. Foi a ganância do neoliberalismo e de seus especuladores  a causa maior da débâcle financeira responsável por mil falências, pela utilização de   trilhões de dólares para socorrer empresas falidas e, acima de tudo,  pelas demissões em massa de trabalhadores pelos cinco continentes. Pois não é que ao primeiro sinal de leve recuperação da economia os piratas estão de volta? Senão no mundo inteiro, ao menos no Brasil,  ressurgem das profundezas para exigir,  em nome do capital,  mais diminuições nos direitos do trabalho.  Pretendem  mandar a conta de suas lambanças para a categoria mais sacrificada com a crise, a dos trabalhadores. Querem suprimir a indenização  por demissões imotivadas, pretendem parcelar em doze vezes  as férias e o décimo-terceiro salário e exigem a redução de salários à vontade do empresariado. Redução da jornada de trabalho? Nem pensar.

O triste nessa história é que as  centrais sindicais baixam a cabeça e calam, submetidas que estão às benesses do governo dos trabalhadores, melhor dizendo, do governo neoliberal do presidente Lula.

FÉRIAS SEM EXPLICAÇÃO

Tem alguma coisa errada na informação passada à mídia sobre a decisão do presidente Lula e do comando de campanha de Dilma Rouseff de levar a candidata a um cone de sombra, gozando férias por alguns dias ou semanas. A alegação é de que a chefe da Casa Civil necessita descansar, depois do tratamento de saúde a que se submeteu, além de precisar sair da linha de tiro em que se encontra depois do episódio Lina Vieira.

Fica difícil acoplar os dois argumentos. Acusada de faltar com a verdade, mesmo sem provas de a então secretária da Receita Federal haver estado em seu gabinete, Dilma ficou a cavaleiro. Ganhou a parada. Afinal, Lina Vieira não soube informar hora, dia, semana e até mês do encontro que garante ter acontecido. Por que afastar-se de sua rotina diária e da natural exposição de que sua candidatura necessita? Recolher a tropa em meio à batalha pode prenunciar a derrota.

Por outro lado, não dá para entender porque, depois das sessões de radioterapia, ela deve descansar. O repouso se justificaria durante o período em que enfrentou o hospital, quase todas as semanas. Registre-se que mesmo durante esse tempo a ministra cumpriu corajosamente sua agenda. Chegou a viajar de São Paulo para Brasília no mesmo dia das aplicações, para estar presente a audiências e solenidades. Agora que superou o mal-estar do agressivo tratamento é que vai parar? Não fosse candidata e estariam justificadas essas pequenas férias, como a qualquer pessoa. Mas em meio ao tiroteio da sucessão presidencial, ainda mais quando emergem Marina Silva e Ciro Gomes como pretendentes?

Ou a saúde de Dilma não anda tão bem quanto divulga o palácio do Planalto ou suas condições eleitorais diminuíram, abrindo espaço para o inusitado que seria a reformulação dos planos do presidente Lula. Já tendo se descolado do PT, o primeiro-companheiro faria o mesmo com a candidata que impôs ao seu partido e aos seus aliados? Tem azeitona nessa empada.

PISTA LIVRE

Caso não sobrevenham imprevistos, o Supremo Tribunal Federal deve julgar e absolver Antônio Palocci, amanhã. O ex-ministro da Fazenda estará livre para iniciar campanha ao governo de São Paulo ou para retornar ao ministério, como ministro da Coordenação Política. É peça importante no tabuleiro de xadrez movido pelo presidente Lula. Não fosse o episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro e naturalmente seria o candidato do PT à presidência da República, em vez de Dilma Rousseff. Dispõe de todas as condições para juntar os cacos da seção paulista de seu partido e ameaçar os tucanos, venham eles com Geraldo Alckmin, Aloísio Nunes Ferreira ou José Aníbal. Tudo dependerá, como sempre, do presidente Lula. Depois, é claro, do voto dos ministros do Supremo.

NOVA AFRONTA

Os militares continuam engolindo sapos em posição de sentido. Tem mantido conduta exemplar depois da lambança que foi a ditadura. Mesmo sem gostar, aceitaram a criação do ministério da Defesa, como tem enfrentado sucessivos cortes de verbas essenciais para a manutenção de suas atividades. Pois vem mais uma paulada agora, começando pela Aeronáutica. O ministro Nelson Jobim quer retirar da força as investigações sobre acidentes aéreos. A FAB já perdeu o Departamento de Aviação Civil, que administrava desde que o avião foi inventado, mas desmontar as estruturas que com toda competência buscam as causas da queda de aeronaves em todo o território nacional só pode ser revanchismo. Quem assumirá essas funções? Os presidentes de aeroclubes ou os proprietários de empresas aéreas? Do jeito que as coisas vão, logo o ministro da Defesa retirará da Marinha a supervisão dos portos. Ou do Exército, a guarda das fronteiras.

O MERCADO ATACA NOVAMENTE

Não há um ser humano, em todo o planeta, que não culpe o chamado mercado pela crise econômica que ainda nos assola. Foi a ganância do neoliberalismo e de seus especuladores a causa maior da débâcle financeira responsável por mil falências, pela utilização de trilhões de dólares para socorrer empresas falidas e, acima de tudo, pelas demissões em massa de trabalhadores pelos cinco continentes. Pois não é que ao primeiro sinal de leve recuperação da economia os piratas estão de volta? Senão no mundo inteiro, ao menos no Brasil, ressurgem das profundezas para exigir, em nome do capital, mais diminuições nos direitos do trabalho. Pretendem mandar a conta de suas lambanças para a categoria mais sacrificada com a crise, a dos trabalhadores. Querem suprimir a indenização por demissões imotivadas, pretendem parcelar em doze vezes as férias e o décimo-terceiro salário e exigem a redução de salários à vontade do empresariado. Redução da jornada de trabalho? Nem pensar.

O triste nessa história é que as centrais sindicais baixam a cabeça e calam, submetidas que estão às benesses do governo dos trabalhadores, melhor dizendo, do governo neoliberal do presidente Lula.

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