Festa de réveillon em Copacabana: desperdício de dinheiro público, desde Zefirelli (1995) a Seu Jorge & Companhia (2014)

Jorge Béja

Não é possível que a Prefeitura do Rio pague cachês de R$ 700 mil (Seu Jorge), R$ 210 mil (Maria Rita), R$ 430 mil (Titãs) para fazer a festa — de uma noite — do Réveillon (2014/2015) de Copacabana, por mais internacionais que sejam o evento e os artistas. Nada contra os intérpretes. São profissionais. Cada um tem seu preço. E para serem contratados nem precisam se submeterem à Lei das Licitações. A Autoridade Municipal tem o chamado Poder Discricionário para fazer a escolha de sua preferência. Mas é muito dinheiro público, que pertence ao povo e que deveria ser empregado a serviço do povo nas suas necessidades básicas, essenciais e indispensáveis. E nem esta liberdade de contratar é tão absoluta assim. Está sujeita aos princípios naturais da moralidade administrativa, da coerência, da decência, do pudor e de tantos outros inerentes ao Estado Democrático de Direito.

UMA COMPARAÇÃO

A Prefeitura do Rio paga pouco mais R$ 5 mil por mês de aposentadoria para um professor, com duas matrículas e curso superior, que durante 40 anos deu aula de História para alunos da rede pública. Para somar R$ 700 mil este professor vai ter que esperar perto de 12 anos, mais ou menos 144 meses de aposentadoria. Isso sem considerar os gastos próprios de idoso aposentado. Esse quadro financeiro alcança todo o funcionalismo municipal.

Em contrapartida, o artista vai receber de uma vez só, por 3 ou 4 horas (se tanto) de apresentação, um cachê incompatível com a realidadade social e econômica daquele professor, de todo o funcionalismo e de toda a população do Município do Rio. Registre-se que o valor do salário-mínimo, após 30 dias de 8 horas de trabalho diário, é de R$ 724,00 .Nada mais injusto, incoerente e absurdo, levando em conta, ainda, a situação econômica que atravessa todo o país.

O RÉVEILLON DE 1995

A reação deste articulista tem como ponto de partida a notícia publicada hoje, sábado, 6.12.2014, na página 11 do O Globo. A matéria do repórter Alessandro Lo-Bianco tem como título “Cachês para shows do réveillon de Copacabana geram polêmica” e relembra também que “No passado, já houve briga”. Textualmente: “Na virada de 1995 para 1996, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento receberam, cada um, R$ 128 mil. Paulinho da Viola ganhou R$ 35 mil e rompeu sua amizade com Gil, pois sua empresa havia organizado o evento…”.

TEVE TAMBÉM O ZEFIRELLI

A matéria do O Globo não relembrou, porém, que até o cineasta e então senador italiano Franco Zefirelli estaria entre os contemplados pela prefeitura naquele Réveillon de 1995/1996. Os jornais publicaram que Zefirelli também receberia R$ 1 milhão e 300 mil da prefeitura do Rio para organizar a festa. E seria para isso que em Setembro de 1995, Zefirelli se hospedou no Hotel Copacabana Palace. E foi lá, no hotel, que acompanhado de um intérprete e de um oficial de justiça da 5a. Vara da Fazenda Pública, compareci para intimar Zefirelli da liminar concedida em Ação Popular que impetrei na Justiça contra o dinheiro que iria ser pago ao cineasta italiano.

O juiz Luiz Felipe Haddad impediu que a prefeitura fizesse o pagamento e ordenou que Zefirelli e o prefeito César Maia fossem intimados, pessoalmente.

A DILIGÊNCIA DENTRO DA SUÍTE DO COPA

Foi difícil. Primeiro, o intérprete, o oficial de justiça e eu, tivemos que aguardar no restaurante do hotel a autorização para subir. Foi quando veio até nós o cantor e compositor Gilberto Gil. Queria saber de que se tratava. O oficial disse que a ordem judicial era para ser cumprida: “ou o sr. Zefirelli desce, ou subimos até a suíte onde ele se encontra, a intimação é pessoal”, falou o oficial. Então, depois de muita demora, todos subimos. Na suíte e já ciente do que se tratava, encontramos um Zefirelli irritado, muito irritado. O juiz queria saber quem estava pagando sua viagem, sua hospedagem e qual o contrato firmado com a prefeitura do Rio. Zefirelli nada informou. Negou-se a assinar o Mandado de Intimação, dando-se por intimado. Em vez disso, apanhou na mesa um bloco com o timbre do Senado da Itália e seu nome impresso como senador, e escreveu mensagem ao juiz dando-se por intimado da decisão. Uma “ciência” em documento avulso.

A diligência dentro da suíte demorou cerca de 20 minutos. E foi muito importante a atuação do intérprete para conter Zefirelli. O clima chegou a ficar tenso. Ainda bem que ninguém soube que eu, ali presente, era o próprio autor da Ação Popular que frustrou a noticiada participação de Zefirelli no Réveillon de Copacabana em 1995. Se fosse identificado, teria apanhado. Ou teria sido xingado. Os anos se passaram. De setembro de 1995 a dezembro de 2014, lá se vão mais de 19 anos. Faz tempo que não advogo mais. Mas tenho esperança de que algum outro advogado questione na Justiça o gasto da prefeitura com o próximo réveillon. Que desperdício!!!!

30 thoughts on “Festa de réveillon em Copacabana: desperdício de dinheiro público, desde Zefirelli (1995) a Seu Jorge & Companhia (2014)

  1. Parabéns por mais essa atitude, Dr. Béja. Inúmeras vezes eu escuto pessoas de várias instituições reclamarem sobre corrupção, desmandos administrativos, etc e nada fazem. Quando eu digo para elas procurarem os meios legais elas fogem e/ou descreditam. Esse tipo de atitude de chorar nos corredores é tudo o que a burocracia quer, pois traz a inércia. Na época do caso em questão, o MP era bem menos eficiente, portanto a figura do advogado era imprescindível, atualmente o próprio cidadão pode denunciar com bons resultados. Algumas vezes alguns membros do MP, tentam ‘sentar em cima do caso’ mas, nesses casos na maioria das vezes uma reclamação ao Conselho do MP resolve.

  2. Dr. Béja, esse caso me fez lembrar da EBC do Governo Federal. Eles contratam os jornalistas e artistas amigos pelo mesmo critério e como pessoa jurídica. O pior é que a direção da EBC está querendo tornar o valor desses contratos em sigilosos por 100 anos, para o Dr. ter uma noção, na EBC há um chefe ( cargo de confiança ) para cada 2,75 funcionários.

  3. Caro Beja, concordo inteiramente contigo. Afinal, é um gasto descabido.

    Uma pessoa que ganhe o salário de R$ 724,00 por um mês de trabalho terá de trabalhar mais de 80 anos para faturar os R$ 700.000,00 que serão pagos ao “Seu Jorge”.

    Só aqui em Jabuticabânia.

  4. Estimado Dr. Beja :
    Infelizmente nós povo, nunca seremos ouvido. Resta a nós a esperança que vozes como a sua chegue aos ouvidos destes canalhas,corruptos, ladrões que, travestidos de autoridade temporária continuem esbanjando nosso dinheiro em maracutaias.

  5. Adicione à lista o Lenny Kravitz (2005) e Rolling Stones (2006), cujo cachê não foi pequeno. E também aquela coisa ridícula, outra do César Maia, chamada “Parada da Disney” (2007).

    Populismo “de elite” praticado pelo pupilo daquele ex-governador cujo esporte favorito era esfacelar as polícias e autoridades pra deixar os degenerados financiarem a bandidagem nos morros.

  6. Desculpe o grande Dr. Beja,porém isso é apenas poeirinha nesse verdadeiro mar de lama nesses governos Municipal e Estadual. Esse valor sem dúvida o prefeito deve andar no bolso.

  7. A coisa mais fácil que tem é fazer festa com o dinheiro dos outros. O “nosso” prefeito está acostumado a fazer essas “doações”, já deu dinheiro para a Fundação Roberto Marinho, já ajudou a Athina Onasis num evento de equitação e por isso a “imprensa” no Rio de janeiro lhe garante uma blindagem que a muito tempo não se vê em favor de um político, só se compara com o que aconteceu nos oito anos do Sergio Cabral.

  8. Dr. Béja ótimo artigo, a Midia diariamente publica cidadãos (ãs) morrendo na porta dos hospitais, por falta de tudo, ATÉ VERGONHA NA CARA DAS AUTORIDADES, QUE TENTAM JUSTIFICAR O INJUSTIFICAVEL.
    O Zé Mané se contenta com pão e circo das migalhas que os governos dão, como essa, e depois, vai chorar na porta dos hospitais!?!!.
    Dr. Beja e demais comentaristas, parabens, não sejamos omissos, pois, a omissão nos torna solidário com o BEM ou o MAL.
    Infelizmente os 3 poderes estão mais podres que a podridão, e nós somos os grandes otários e palhaços, desse circo mambembe chamado Brasil, a pova está aí!!
    Roguemos à Misericórdia de DEUS…mas…façamos nossa parte de Homes e Mulheres do BEM, para merecer!!! “QUE ELE NOS AMPARE.

    • Os escritos de Theo Fernandes são os da experiência e sabedoria, a exemplo de tantos outros comentaristas. Faltou dizer no artigo que o trabalhador que recebe salário mínimo (R$724,00) ao final do mês de 30 dias trabalhados (8 horas por dia), recebe menos de 0,1% do cachê de R$760 mil que “Seu Jorge” vai receber por uma apresentação de 1, 2 ou 2 horas e meia no palco na praia de Copacabana no réveillon de 2014/2015.

      Tem mais: quem paga o trabalhador é outro trabalhador, seu patrão, com dinheiro próprio, também fruto do seu trabalho. E quem vai pagar o cachê do “Seu Jorge” e demais artistas é o povo, dinheiro do povo, que o município do Rio arrecada de impostos e outras receitas e fontes que também saem do bolso do contribuinte. Obrigado Théo Fernandes e demais comentaristas por terem lido e comentado o artigo.
      Jorge Béja

  9. Caríssimo Jorge Beja

    A farra de shows – DE TODO TIPO – é nacional. Prefeitos de inúmeras cidades, governadores de inúmeros estados, inclusive do pobre nordeste, geralmente carentes de agua, escola, hospital, segurança e saneamento, gastam “fortunas” anualmente promovendo “espetáculos” com pelo menos dois objetivos: ANESTESIAR A POPULAÇÃO e GANHAR “UM POR FORA”.

    bom domingo
    abraço fraterno

    • Obrigado, Dorothy. É pão, é circo, é promessa não cumprida… e o povo nem dá conta de que está sendo enganado. Vamos aguardar o comentário do nosso Francisco Bendl, que no final da década de 1950 morou e trabalhou aqui no Rio, Distrito Federal, naquela época. Então, Bendl, na sua bucólica cidade no Rio Grande do Sul acontece essas coisas com o dinheiro da população?
      Jorge Béja

      • Caro Dr.Béja,
        Muito obrigado em me convocar para que eu apresente situações no meu Rio Grande como esta, que o senhor tão bem demonstrou à Tribuna com relação à incúria do goveno com o dinheiro público.
        O meu Estado, RS, não possui eventos desta grandiosidade, de contratar artistas de renome nacional como entretenimento para o público.
        Tivermos uma situação com respeito ao Natal, em Gramado, famosa pelo Natal Luz, onde a verba que a Prefeitura disponibiliza à comissão havia sido mal usada, mas não para trazer espetáculos de fora.
        Nos poucos shows que acontecem na Usina do Gazômetro, local de espetáculos ao ar livre, em Porto Alegre, situada à beira do nosso Guaíba, cujo pôr do sol é famoso pela sua beleza, os artistas contratados são da terra, e não me lembro de escândalos desta natureza, Dr.Béja.
        E, olha que sou atento quanto ao comportamento de nossos governantes sulistas mas, neste aspecto, não me recordo de contratações vultosas com artistas famosos, com exceção do enorme fiasco e decepção para os gaúchos, proporcionado pelo governador que está de saída para nossa felicidade, Tarso Genro, o bizarro, que condecorou o assassino Batistti com uma honraria em pleno Palácio Piratini!
        Em termos de ofensa, acredito que esta atitude impensada e debochada de Tarso foi muito mais grave caso ele tivesse gasto o nosso dinheiro em espetáculos caros e desnecessários pois, pelo menos, o povo teria se divertido!
        Grato pela honra em poder participar comentando sobre seu artigo, mais um texto importante à nossa conscientização nacional, Dr.Béja.
        Um excelente domingo.

        • Caríssimo Bendl,

          É provável que o teu RS seja um dos pouquíssimos estados da federação a não adotar a prática de shows elaborados para ANESTESIAR A POPULAÇÃO E GANHAR UM POR FORA.

          PS.:
          Saudades da tua bela Gramado, famosa pelo Natal Luz, da usina do Gazômetro, situada à beira do teu Guaíba com pôr do sol estonteante , e do imperdível passeio de barco no fim da tarde pelas aguas turvas do rio.

          bom domingo
          abraço fraterno

          • Bah, minha querida Dorothy,
            Então conheces o meu Estado?
            Muito me alegra que tenhas gostado, e desta imagem fantástica que se obtém da Usina do Gazômetro com relação ao pôr do sol, deslumbrante!
            O RS tem como característica ser banhado por muitos rios e a maior lagoa do mundo, a dos Patos, que nos possibilitam fotografias memoráveis e belas da nossa fauna e flora.
            Apesar de muito conhecido do pessoal da capital, Porto Alegre, o passeio pelo Guaíba atrai muitas pessoas, pois revela a margem desse lago (já foi chamado de rio, estuário, agora é lago!) exuberante, e de casas suntuosas na sua extensão.
            Quem vem de avião e pousa sentido oeste-leste, tem uma visão da capital também maravilhosa, pois rente ao lago e vários quilômetros acompanhando o curso das águas, Porto Alegre é uma cidade encantadora, e seu povo tem com o Guaíba uma relação muito íntima, afetiva, de amor.
            Somado ao sentimento telúrico que acompanha o gaúcho, podemos dizer que somos um povo da terra e da água, que sabemos preservar o que é nosso, a lamentar que nossos governantes não têm administrado a contento essas riquezas naturais, permanentemente alegando falta de recursos, enquanto que boa parte do nosso Guaíba deveria ser despoluída e, o lago, mantido imaculado, em homenagem e agradecimento à Natureza ter sido tão pródiga conosco, os gaúchos.
            Obrigado, Dorothy.
            Um abraço, querida.

  10. Dr. Jorge Béja, definiu muito bem as prioridades da Prefeitura do Rio de Janeiro,
    é o esbanjamento do dinheiro público para oferecer apenas o circo.
    A prioridade desse Prefeito é o embelezamento da cidade. Não sei quanto será gasto
    para a derrubada da Perimetral e a construção do túnel que vai da Praça XV até o Caju,
    com certeza, será uma fortuna, enquanto isso o SUS acabou, empurram os doentes com
    a barriga até desistir ou morrer. A prioridade de qualquer governo, deveria ser primeiramente
    o ser humano.

  11. Limonji tem razão. E todo cidadão de bom senso seguramente participa de semelhante indignação. É uma afronta, um desaforo, um cinismo colossal pagar salários para determinados ”amiguinhos” e “coleguinhas” açeçores pralamentar. Mais: contratam sempre a mesma panelinha – TEM GENTE QUE MAMA DESDE 1972. Um absurdo. O dinheiro público, no caso dos gabinetes do legislativo, deveria ser melhor destinado.

  12. Vejo agora, mais de 19 anos depois, que minha atitude de brecar o dinheiro que a prefeitura do Rio separou para pagar Zefirelli, valeu a pena. Naquela época fui muito criticado. Chegaram a dizer que eu queria aparecer. Que eu estava preparando para me candidatar a cargo eletivo, o que nunca, jamais, passou pela minha cabeça. Um dia, Brizola pediu a meu pai que eu entrasse para o PDT. Papai respondeu; “inútil, prezado governador. Meu filho costuma dizer que as pessoas honestas não vão para a política partidária. E ele é intransigente”. Os jornais do Rio não deram à notícia (referente à liminar do juiz) o tratamento que merecia. Apenas a Folha de São Paulo e o Estadão deram ênfase. E todos os órgãos de imprensa estavam lá no hotel Copacabana Palace registrando a nossa chegada para intimar Zefirelli, enquanto outro oficial de justiça se dirigia ao gabinete do prefeito para intimá-lo também. Os prezados leitores não imaginam o bem que seus comentários estão me fazendo. Graças a Deus. Muito obrigado.
    Jorge Béja

  13. Adendo ao artigo:

    em 1995 o salário mínimo era de R$100,00 ( Cem Reais, Lei 9.032 de 14.6.95 ).
    Zefirelli iria receber R$1.300.000,00 ou seja, 13 mil salários mínimos.
    Hoje, valendo o salário mínimo R$724,00
    a operação é simples: Zefirelli iria receber, em valor atual, R$9 milhões 412 mil Reais!!!!
    Não recebeu. E retornou à Itália.
    Jorge Béja

  14. Pois são essas intervenções jurídicas em nome da probidade administrativa e porque dinheiro do povo, que o trabalho do Dr.Béja deve ser enaltecido, reconhecido e homenageado.
    E tem se dado o contrário, ou seja, nós é que temos sido agraciados com seus artigos importantes e sua luta em nome da população explorada e aviltada por governos desonestos e interesseiros, pois nos ensina como desenvolver uma consciência política nacional e em defesa daquilo que verdadeiramente é importante para o cidadão, inexoravelmente diferente dos desejos de suas autoridades civís quando se refestelam nas manchetes da mídia local e internacional, justamente à base de gastos perdulários e desnecessários.
    Quem agradece pelo artigo sou eu, Dr.Béja.

  15. Dr. Béja, obrigado, está situação, acontece em meu municipio, e creio que em todos, por uma ou 2 horas de “trabalho”, paga-se o que o trabalhador levaria dezenas de anos para ganhar. Esse Pão e circo, questiono junto aos prefeitos de Guapimirim/RJ, como pagar com o dinheiro público, quando alegam que não tem dinheiro para as coisas básicas, como educação e saúde. Agradeço a este BLOG as informações dos articulistas e comentaristas, pois, sentimos que não estamos só, em nossa indignação. Por um Brasil decente e justo, e que Deus no ampare, hoje e sempre.

  16. Renomado advogado e jurista Jorge Béja, lembro muito bem da atuação do causídico naquele caso e em muitos outros de similar relevância, a ponto de colegas da Faculdade de Direito rotularem-no de campeão dos Direitos do Consumidor, assim como Ralph Nader também agia nos Estados Unidos.

    Você Béja, combateu o bom combate e venceu as batalhas que enfrentou na defesa dos mais humildes, como todo advogado deveria fazer, mas, poucos o fazem.

    Entretanto, creio que seus artigos na Tribuna da Internet se revestem de uma relevância crucial para os inúmeros leitores do BLOG. A cada “artigo”, que reputo como aulas de direito e cidadania, em nenhuma Universidade do Brasil teríamos a oportunidade de acesso aos seus arrazoados. Lembro que Hélio Fernandes tinha um programa aos domingos na TV Educativa, que versava sobre a Política e a História do Brasil, porém, o SISTEMA vetou o programa que saiu do ar. O veto foi contra o conhecimento, o qual disseminado colocaria em risco a classe dominante.

    O povo, na mente obscura do PODER, não pode saber de detalhes da vida nos meandros do sistema. Os detentores da máquina “republicana” , o quanto puderem, manterão a sociedade presa na caverna do saber. Quando o feixe de luz começa a brilhar no horizonte, algo é feito para apagar aquela luz da liberdade retornando os moradores da caverna para a escuridão. Assim foi feito em 1964, condenando a nação aos 21 anos de censura, prisões, perseguições e mortes.

    No entanto, pouco mudou em relação àquele período negro da história do Brasil. Os jovens hoje sabem muito pouco comparando-os aos jovens de outrora no que concerne ao conhecimento filosófico e político, mas, sabem muito mais acerca das ferramentas tecnológicas (Ifones, tablets, notebooks, etc…).

    Por isso, seus ensinamentos ajudarão essa nova geração no processo do conhecimento, a qual aliado a tecnologia atual resultará em ganhos fundamentais no inconsciente coletivo dos jovens que governarão o Brasil para a frente. Só dessa maneira poderemos sonhar com um país do futuro.

    Grande abraço.

  17. Em relação ao pagamento dos artistas, essa prática ocorre todos os anos aqui e em alhures. Quantias exageradas por poucos minutos de apresentação.

    Entretanto, quando se trata de aumentar os salários dos servidores públicos nunca têm dinheiro. Os garis receberam aumento depois da greve tornar-se insustentável. Os bombeiros do Rio de Janeiro foram massacrados.

    Isso é revelador do grau de mentira a que estamos submetidos pelos entes municipais, estaduais e federais. A verdade virou artigo de luxo. Se especializaram na mentira e no marketing. Na propaganda cabe qualquer coisa.

  18. Nobre Roberto Nascimento. Restei absolutamente só, sem ascendentes, sem descendentes e sem colaterais. Éramos muitos. Agora restamos dois, minha esposa e eu. Eu, a guardar, vivas, as dores da saudade que senti e sinto desde a tenra idade. Dores das perdas. Das distâncias da casa….Então, decidi me dedicar exclusivamente à advocacia ao próximo, ao interesse da coletividade, em prejuízo dos estudos de piano, que somente há 7 anos retomei e voltei a tocar em frente.No início da década de 70, cumprido o curso de Direito, montei um franciscano escritório de advocacia, com móveis de 2ª mão, mas muitos livros, e comecei a advogar, exclusivamente causas indenizatórias, reparatórias de dano.
    Hoje, não ando em busca do tempo perdido. Mas colho respeito, reconhecimento e palavras de homenagem, como as de Roberto Nascimento e dos leitores do blog, a começar pelo nosso editor, Jornalista Carlos Newton, que anos e anos atrás, quando Hélio Fernandes perdeu seu primeiro filho, o nosso Helinho, e ao enviar mensagem de condolência a Helio Fernandes, Carlos Newton me respondeu e convidou para escrever no blog, à época tribunadaimprensa.com.
    Roberto Nascimento, Carlos Newton, Théo Fernandes, Francisco Bendl, Dorothy, Baleeiro, Nelio Jacob, Froes…todos, enfim, me tratam carinhosamente. E de minha parte tudo faço para agradecer e corresponder à plêiade de leitores do nosso blog. Obrigado, Roberto Nascimento.
    Jorge Béja

  19. Você e sua esposa formam uma estrela, que ilumina nossos passos, logo somos seus descendentes diretos, recebendo seus ensinamentos éticos, filosóficos, jurídicos e da vida em si com todas as suas nuances espetaculares.

    Além disso tudo ainda tem o dom de nos emocionar nessa tarde ensolarada de domingo.

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