FGV: Economia do país só recupera o nível de 2019 a partir de 2025

Charge do Amarildo (.agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

Estudo da professora Silvia Matos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas sustenta que a economia brasileira só poderá retomar o nível da pré-pandemia, portanto 2019, a partir de 2025, o que representa um espaço de tempo considerável, digo eu, pois em tal período a população brasileira terá crescido 6%, já descontada a taxa de mortalidade que é de 0,7% a cada 12 meses.

Silvia Matos é coordenadora do Boletim Macro da FGV e a sua previsão é de que o processo de resgate do atraso econômico só acontecerá a partir do último trimestre de 2025, caso se mantenha a tendência de crescimento do Produto Interno Bruto verificada de 2017 a 2019, antes portanto do coronavírus e da Covid-19.

TEMPO HISTÓRICO – Esse processo representa  uma perda do tempo histórico não só porque tem que ser descontado o crescimento populacional, mas também porque a situação exige que se verifique o que poderia ter sido feito no país e que não foi realizado se a economia estivesse seguindo o seu fluxo normal. Reportagem de Eduardo Cucolo, Folha de S. Paulo de domingo, destaca nitidamente o assunto, dando margem a que se analise a importância real do obstáculo ao desenvolvimento do nosso país.

Um exercício semelhante foi feito pelo pela OCDE em seu recente relatório sobre as economias do G-20. A retomada do crescimento que conclui o trabalho ainda não está nos horizontes das nações emergentes. Relativamente ao Brasil, o PIB está na mesma escala da que se encontrava em 2019, ao contrário, está 2% abaixo. Para que se possa avaliar bem o que isso significa, acrescento que o PIB em 2019 atingia R$ 6,6 trilhões. A incidência da porcentagem sobre o número bruto, como dizia o ministro Roberto Campos, avô do presidente do Banco Central, é extremamente importante porque, caso contrário, a citação da percentagem pode ocultar a realidade.  

Por exemplo: se a economia em 2023 alcançar algum crescimento, uma coisa é projetar-se a percentagem deste sobre o resultado de 2022. Mas não é só esta a questão. É preciso considerar o PIB de 2019, pois caso contrário a incidência de um número baixo sobre um absoluto também reduzido pode iludir aos que não estejam acostumados a cálculos desta ordem.

MÍRIAM LEITÃO – Matéria de Cora Rónai sobre os 30 anos de Míriam Leitão no jornal O Globo. A profissional é uma presença extremamente brilhante e importante no jornalismo, focalizando, traduzindo e difundindo os fatos que ocorrem na economia brasileira e internacional com os seus reflexos inevitáveis  no universo político. Tem sido uma presença decisiva na interpretação dos períodos que se sucedem na vida brasileira nas últimas décadas, até o que ela própria classifica de desgoverno Jair Bolsonaro.

Nos próximos dias, mais um livro que a tem como autora chega para todos os que se sensibilizam pelo processo econômico e a sua vinculação com os processos e desfechos políticos nos caminhos do poder que não consegue no Brasil resolver o impasse entre o capital e trabalho e, portanto, também não consegue reduzir a imensa dívida social que faz com que muitos não possuam redes de tratamento de esgoto e água potável de qualidade. A dívida social brasileira é maior do que a dívida do governo que se estende a R$ 6 trilhões, praticamente 90% do PIB. A respeito de Miriam Leitão, como um de seus leitores, devo dizer que é uma das melhores coisas no jornalismo brasileiro é a sua presença nele.

CORRUPÇÃO SE GENERALIZA – Em seu artigo ontem em O Globo, Merval Pereira destacou um fenômeno múltiplo que reúne petistas, integrantes do Centrão e bolsonaristas, que estão convergindo unidos para desmontar a estrutura de combate à corrupção organizada. E não só os integrantes de partidos políticos. É necessário assinalar a presença de empresários, sem os quais a corrupção não ocorreria, já que ela decorre dos contratos de obras e compras feitas pelos poderes públicos, evidentemente junto às empresas industriais e comerciais.

A reação às medidas de combate a esse processo socialmente trágico está desmoronando depois que a Lava Jato foi levada pelo vento para algo destinado a se incorporar ao passado e não mais se vinculando aos acontecimentos do presente. Agora mesmo, o repórter Vinicius Sassine, da Folha de S. Paulo de domingo, dá como exemplo o pagamento de R$ 193 milhões feito pelo governo Bolsonaro para a aquisição de máscaras chinesas destinadas a evitar a contaminação pela Covid-19.

Entretanto, o valor foi depositado de maneira antecipada na conta de uma empresa intermediária e até hoje não houve comprovação que o material foi entregue, conforme relatório da própria Controladoria-Geral da União.O relatório é de 4 de agosto e o fornecimento deve ter sido ou tinha que ter sido pelo Ministério da Saúde. O recebimento não foi confirmado, o que surpreende. Vários produtos adquiridos para o Ministério da Saúde passaram por intermediações da VTCLog  e da Global HK – e agora nova surpresa – de Hong Kong.

2 thoughts on “FGV: Economia do país só recupera o nível de 2019 a partir de 2025

  1. O Bolsonaro tinha razão. Imaginem se o presidente fosse algum esquerdista.

    Além dos esquerdistas nos obrigarem a ficar em casa (imaginem a maioria das famílias brasileiras, que tem 8 pessoas em casas pequenas).

    Hoje, ainda tem propaganda na TV, mandando apagar a luz, e fechar a torneira.

    Mote da esquerda: “fique em casa; com a luz apagada e feche a torneira”.

    PS: Quanto ao assunto do post; vamos deixar a própria malandragem esquerdista se desmentir:

    https://oglobo.globo.com/mundo/na-busca-por-insumos-medicos-contra-coronavirus-paises-ricos-empurram-os-mais-pobres-para-fora-do-mercado-24362129

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