FHC acrescenta ou subtrai votos de Serra?

Pedro do Coutto

Nas suas edições de terça-feira, O Globo e a Folha de São Paulo colocaram na primeira página o reaparecimento do ex-presidente Fernando Henrique em cena política aberta ao lado de José Serra. Foi no ato, em São Paulo, que marcou o apoio dos verdes Fernando Gabeira e Fábio Feldman à candidatura do ex-governador paulista. O destaque da imprensa correu por conta de uma nítida modificação da estratégia dos tucanos que até segunda-feira, era de ocultar FHC da campanha serrista.

O temor vinha da impopularidade com que FHC deixou o governo no final de 2001 e seu cotejo com a alta aprovação do presidente Lula. Inclusive este confronto de imagem sempre foi testado pelo atual morador do Alvorada, de forma direta ou indireta, e permanentemente evitado cautelosamente por Serra. Daí a surpresa da aparição pública.

Fosse um encontro normal e habitual entre duas das principais figuras do PSDB não haveria motivo para o destaque jornalístico e para a surpresa política. Concretamente, então, justifica-se a pergunta que coloquei no título. Eis aí um bom tema para o Ibope e o Datafolha na reta final das urnas de 31 de outubro. Não estou incluindo o Vox Populi porque com base na recente reportagem da Revista Veja, ele é um Instituto contratado pelo Partido dos Trabalhadores.

Não desconfio de sua integridade, mas efetivamente constitui uma tarefa difícil o exercício de um trabalho duplo de tal sensibilidade. Existe sempre, em grande parte dos leitores, uma sombra, já que dificilmente alguém com um vínculo de trabalho estabelecido poderia, sem esforço, revelar-se absolutamente independente. Mas esta é outra questão.

Quero falar agora da lei dos grandes números. Muito usada na matemática, no momento em que escrevo não me ocorre o nome de seu autor, ou de quem lançou a bela teoria. Porém é indispensável levar em consideração que toda teoria nasce da prática. É preciso, portanto. que fatos tenham acontecido para que sábios possam teorizar sobre eles e sua incidência. Neste momento penso numa frase efetivamente genial do meu amigo Nelson Rodrigues: “Só os profetas enxergam o óbvio”. Vamos esperar o que os levantamentos de opinião pública vão dizer sobre FHC e Lula, Dilma Rousseff e José Serra, nos lances finais da campanha.

Na noite de segunda-feira, retornando ao Rio, li  um exemplar de O Globo de domingo no amplo aeroporto de Lisboa. Deparei com resultados de pesquisas de professores universitários, cientistas políticos, traçando um mapa eleitoral do Brasil, uma verdadeira cartografia do voto. Foram projetadas as coincidências regionais das vitórias de Lula em 2002 e 2006 com o êxito no primeiro turno alcançado por Dilma Rousseff. Os pesquisadores poderiam, para a tarefa ser mais completa, traçar a geografia do voto também nas vitórias de FHC em 94 e 98. Porque não o fizeram? Porque teriam que compará-la com o percentual obtido por Serra, e a comparação não se manteria de pé. São elas, esta é a verdade, situações diferentes.

Aí entra a lei dos grandes números. Eles, os grandes números, absorvem as tendências dominantes envolvendo todos os ângulos. As estatísticas frias podem se repetir. As emoções, não.Cada momento é um momento, cada etapa é uma etapa. A lei dos grandes números é uma síntese política da realidade. Reflete a política em seu conjunto. Não a substitui. Vamos ver o que acontece agora depois  de FHC entrar em cena aberta. Uma boa questão.

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