Fidel confessa fracasso com atraso de 48 anos

Pedro do Coutto

Numa entrevista efetivamente sensacional ao repórter Geoffrey Goldberg, da revista americana Atlantic, Fidel Castro que, na realidade ocupa o poder em Cuba há 51 anos, desde a épica vitória do movimento revolucionário que derrubou Fulgêncio Batista, reconheceu que o modelo comunista não funciona assim mais, nem para os próprios cubanos.

Os leitores hão de perguntar por qual motivo no título me refiro há 48 anos quando as forças de Sierra Maestra entraram em Havana em fevereiro de 1959. Explico: o projeto comunista desabou a partir da crise de 1962, quando a URSS de Kruchev cedeu ao ultimato de John Kennedy e retirou ao mísseis, instalados na Pérola das Antilhas, que apontavam para a Flórida. Foi nesse momento histórico que, econômica e socialmente, o modelo cubano fracassou.

Fracassou porque perdeu o apoio externo indispensável para enfrentar o bloqueio aplicado pelos Estados Unidos à sua economia, em vigor desde o final do governo Eisenhower. O modelo era sustentado por Moscou que comprava antecipadamente as safras de açúcar. Em 1962, no fundo da questão, Kruchev negociou com Kennedy, trocando Havana por Berlim. Washington aliviou a tensão na Europa. Moscou aceitou a doutrina Monroe, dos anos 1800, famosa pela frase” A América Para os Americanos”.

Fidel Castro naquele instante de incerteza, quando o mundo esteve à beira de um conflito atômico, deixou de interessar à União Soviética. Ele tinha se tornado apenas uma peça no tabuleiro internacional. Não foi o único na história. Arafat, no final da vida, foi outro exemplo. Política é assim, sobretudo a internacional. Hoje, basta colocar uma pergunta concreta. Quem fornece as armas ao Irã? Talvez seja o mesmo ou os mesmos fabricantes que abastecem Israel. A indústria da violência e da morte não tem pátria. O capitalismo e o comunismo também não.

Aliás, comunismo nunca foi colocado em prática no mundo. Marx, o maior analista da história, foi um desastre como doutrinador. Inclusive sua doutrina, exposta no Manifesto Comunista de 1848, que assinou junto com Engels, é a síntese do pensamento que, brilhantemente colocou em O Capital, obra que escreveu em 1869, portanto vinte e um anos depois. Se a presença do interesse econômico está presente em quase tudo, principalmente na política, jamais poderia haver a igualdade absoluta que propôs no Manifesto. Em matéria de previsão, outro desastre. Jamais os operários do mundo se levantaram contra o capital. Pelo contrário, tentaram chegar a ele.

De fato o ser humano está muito mais preocupado com o consumo do que com os meios de produção. E tem a esperança, como num ensaio magnífico colocou Homero Icaza Sanches, ex-diretor da Rede Globo, de sempre galgar de um a dois degraus acima do patamar em que se encontra. O fracasso do comunismo, inclusive o soviético com a queda do Muro de Berlim em 1989, foi a derrota de Karl Marx doutrinador, mas a vitória do Karl Marx analista.

O ponto essencial de tudo é que é impossível substituir o capitalismo por qualquer outro sistema econômico e portanto político. O capitalismo é eterno. Sempre foi. Seja ele o capitalismo estatal russo ou o capitalismo privado. Está nos dois lados. É insubstituível. Não há ninguém no mundo, país ou ser humano que não deseje se capitalizar.

Citar a religião como exceção? Nada disso. É só destacar o tesouro , eterno e belíssimo de arte, do Vaticano. Tesouro que está exposto, como museu, nas principais basílicas e igrejas do universo. Não adianta remar contra a maré. Fidel Castro, 48 anos depois de Tordesilhas 62, finalmente reconheceu a verdade. Figura importante no cenário internacional, sem dúvida, com a entrevista a Geoffrey Goldberg, assegurou sua passagem para a história. De modo sincero e, agora, positivo. Esclareceu a realidade a várias multidões.

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