FIFA tenta impedir liberação de documento judicial comprovando atos de corrupção praticados por Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Carlos Newton

Transmitida esta segunda-feira, uma reportagem do programa de televisão “Panorama”, da TV BBC de Londres, denunciou que a FIFA está impedindo a divulgação de um documento que revela a identidade de dois dirigentes da Federação que foram forçados a devolver dinheiro de propinas em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suíça no ano passado. Um dos dois dirigentes é o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que integra também o Comitê Executivo da Fifa.

No desespero com as seguidas denúncias feitas por jornalistas ingleses, a FIFA contratou advogados para contestar a decisão de um promotor de Zug, cidade no nordeste da Suíça, que determinou a divulgação de detalhes do caso. Trata-se de um  processo judicial que investigava propinas pagas a altos dirigentes da Fifa na década de 90 por uma empresa de marketing esportivo, a ISL (International Sports and Leisure), bastante conhecida dos brasileiros.

Até sua falência em 2001, a ISL comercializava os direitos de televisão e os anúncios publicitários da Copa do Mundo para anunciantes e patrocinadores. No ano passado, o programa “Panorama”, da BBC, acusou três integrantes do Comitê Executivo da Fifa, que escolhem as sedes das Copas do Mundo, de receber propinas da ISL. Além de Teixeira, foram citados o paraguaio Nicolas Leoz e o camaronês Issa Hayatou.

Os pagamentos feitos aos três dirigentes constam de uma lista secreta de propinas pagas a dirigentes esportivos pela ISL, em um total de US$ 100 milhões. A lista de pagamentos, a que tiveram acesso jornalistas da BBC, incluía uma empresa de fachada em Liechtenstein, chamada Sanud, que recebeu um total de US$ 9,5 milhões. Essa empresa é ligada a Ricardo Teixeira, fato conhecido no Brasil desde que uma CPI no Senado descobriu em 2001 que Teixeira tinha uma relação muito próxima com a empresa. Inclusive, fundos da Sanud haviam sido secretamente desviados para Teixeira por meio de uma de suas companhias.

O jornalista suíço Jean François Tanda, que requisitou à Justiça da Suíça a divulgação de detalhes do acordo, diz que os advogados da FIFA tentam de todas as maneiras atrasar a liberação dos documentos. “A meta agora é evitar que a decisão seja divulgada antes do fim de maio ou do começo de junho’, quando a eleição para presidente da Fifa será realizada, diz Tanda.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, que tentará ser reeleito para o cargo no próximo dia 1º de junho, anunciou que implantará uma política de “tolerância zero” para casos de corrupção. Quer dizer, “promete” trancar a porta depois que o cofre foi arrombado.

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