Filha de Che Guevara cai no samba e vai desfilar numa escola de Florianópolis, cujo enredo é uma espécie de Samba do Crioulo Doido sobre a revolução cubana.

Carlos Newton

Como no Brasil tudo acaba em samba, a cubana Aleida Guevara, de 50 anos, filha do lendário guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967), vai desfilar como convidada de honra da escola Unidos da Ilha da Magia, de Florianópolis.

A filha de Che, que é médica em Cuba, viajou para Florianópolis acompanhada do cônsul cubano em São Paulo, Lázaro Mendez Cabrera. E na madrugada deste domingo, fantasiada de uniforme militar, Aleida é destaque num carro alegórico em formato de tanque de guerra.

O presidente da escola, Vamir Bráz de Souza, diz que não é só a revolução de 1959 que vai ser homenageada, mas o próprio povo de Cuba, que há mais de 50 anos é governado pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. Souza diz que o desfile não tem conotação ideológica. “Mas era impossível falar de Cuba sem falar da revolução e seus ganhos”, afirma.

O enredo é uma espécie de “Samba do Crioulo Doido” (famosa composição satírica de Sérgio Porto) em versão castrista. Os temas das fantasias, por exemplo, incluem a “rumba” e a “nacionalização das empresas estrangeiras”. Já o samba-enredo mistura alegria e Carnaval com o sistema de saúde cubano. Outro trecho fala do “preço” da revolução (“Um preço a pagar, não vou negar, mas a comunidade em primeiro lugar”). Segundo o presidente Souza, é uma referência às mortes na derrubada do regime de Fulgencio Batista. “Toda revolução tem um preço. Queríamos que o enredo fosse discutido, e mostrar que lá existe saúde e educação para todos.”

Uma grande ala se apresentará com fantasias dr “Tio Sam”, nas cores da bandeira dos Estados Unidos. Cerca de 2.500 componentes vão desfilar pela agremiação, que terá três carros alegóricos e tripés com figuras como o herói da independência cubana José Martí (1853-1895) e os irmãos Castro.

Segundo a escola, o desfile será financiado por governo do Estado, prefeitura, incentivos da Lei Rouanet e venda de camisetas e fantasias. “Cuba nem tinha como nos ajudar”, diz o presidente.

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