Filho de Barbalho, ministro da Pesca, segue os passos do pai

Maior jornal do Pará diz que é um caso de “tal pai, tal filho”

Deu em O Liberal

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e seu filho, o ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho, lideranças do PMDB do Pará, são réus em processos que envolvem o desvio de pelo menos R$ 33 milhões dos cofres públicos, considerando valores já atualizados por juros, multas e outras correções monetárias. Os montantes desviados, já devidamente registrados pelo Ministério Público Federal, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), seriam suficientes para investimentos no desenvolvimento social de todos os municípios do Estado do Pará, com aplicações que transformariam a realidade de várias regiões carentes.

Helder Barbalho, que foi candidato pelo PMDB ao governo do Estado ano passado e, depois de derrotado, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para ser o ministro da Pesca, segue os passos do pai. Ele responde por improbidade administrativa perante a 5ª Vara Federal do Pará.

Uma investigação iniciada no Departamento Nacional de Auditoria do SUS constatou a irregularidade na aplicação de recursos do Ministério da Saúde em Ananindeua entre janeiro de 2004 e junho de 2007, quando ele era o prefeito.

De acordo com o processo, foram destinados ao município R$ 94,8 milhões para financiar programas de saúde. Não ficou comprovado o gasto de R$ 2,7 milhões nas duas gestões. Houve também fraudes e irregularidades em licitações. O Ministério Público chegou a pedir a indisponibilidade dos bens dos investigados, mas a Justiça negou em junho de 2012.

O fundamento foi o de que ainda não havia sido apurado o valor do dano causado por cada um dos suspeitos. A presidente Dilma Rousseff chegou a declarar que iria consultar o Ministério Público Federal antes de nomear os novos ministros, mas acabou premiando o incorrigível Jader Barbalho, dando ao filho dele uma pasta no seu governo.

TRÊS PROCESSOS

Helder responde por três processos no próprio Estado sobre o rombo de R$ 2,7 milhões nos cofres de Ananindeua. São eles a Ação Civil Pública 2009.39.00.009435, que tramita na 5ª Vara da Justiça Federal desde 11 de setembro de 2009, a Ação Civil Pública de número 32.990.62.2013.4.01.3900, também distribuída para a 5ª Vara em 13 de dezembro de 2013 e Ação Civil Pública, por improbidade administrativa, onde Helder Barbalho aparece como réu, é a de número 10.364.156.2014.4.01.3900, distribuída para a 1ª Vara da Justiça Federal em 23 de abril de 2014.

Além dos processos já existentes, há suspeitas de que Jader também esteja envolvido no escândalo da Petrobrás. Há uma semana, foi revelado um e-mail apócrifo que alertou os diretores da estatal, em 2008, sobre o pagamento de propina, que deixou mais evidente o envolvimento do Barbalho.

A mensagem, assinada por um funcionário anônimo da estatal, que se autointitula “O Vigilante”, coloca o nome de Barbalho ao lado do político já falecido José Janene (PP-PR), como um dos mentores das ações do cartel que funcionava dentro da Petrobrás. “Pobres diretores, tornaram-se escravos do Janene, do Jader Barbalho”, diz o alerta. Essa denúncia, publicada no jornal “Folha de São Paulo”, é mais um indício de que o político com a maior ficha corrida no Supremo Tribunal Federal (STF), não estaria fora de mais esse escândalo de saque dos cofres públicos.

O MAIOR LOBISTA

Segundo as investigações, Jorge Luz, um conhecido lobista paraense que tem ligações estreitas com os Barbalho, também já foi alvo de denúncias das revistas Veja e Época, com base nas apurações da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Jorge Luz é conhecido como o maior lobista do País e de maior influência dentro da Petrobras.

Ele ganhou esse status após trabalhar para o governo Jader Barbalho em 1982 e para o seu sucessor, Carlos Santos. O lobista manteria até hoje uma empresa de consultoria em Belém, atuando no setor elétrico e no ramo da construção civil, mas é mais conhecido no Rio de Janeiro, onde costuma desfilar pela Barra da Tijuca, bairro nobre onde ele reside, dirigindo uma Ferrari. O lobista era braço direito de Barbalho, quando o então governador protagonizou um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Estado, ao transferir dinheiro dos cofres do Banpará para a sua conta pessoal no Rio de Janeiro, fechando um ciclo de mais de 30 anos de histórias de corrupção.

(Texto enviado por Celso Serra)

21 thoughts on “Filho de Barbalho, ministro da Pesca, segue os passos do pai

  1. Se notícias como essa chegam ao exterior, devidamente traduzidas, as pessoas devem pensar que se trata de mentiras. Quem acreditaria que tal banditismo está abrigado em todos os níveis de governo, e agora no maior (e talvez mais corrupto) deles?

    • Amigo Virgilio
      Aquilo foi uma pegadinha. O que ella queria era somente os nomes para avisar o “bando”. Assim, com certeza, poderiam fugir ou sumir com propostas, testemunhas, etc.
      Nos dois governos de Lulla e nos dois dela, a lista de envolvidos em tudo é quase que total. Os que escaparam, possivelmente nos próximos meses também apareçam nos meios de comunicação.
      O negócio não tem mais fim, ou seja, enquanto houver dinheiro a corrupção continuará, e crescendo.
      Abraço

  2. Caro Jornalista,

    Se levarmos em conta a IMPUNIDADE e se esta não for estancada algum dia, O NETO SEGUIRÁ OS PASSOS (E O COMPORTAMENTO) DO AVÔ, provando a inutilidade do nosso PODER JUDICIÁRIO no que diz respeito a fazer justiça…

  3. Enquanto isso, trabalhadores da fábrica da Volkswagen – UMA DAS MONTADORAS QUE RECEBERAM BILHÕES EM INCENTIVOS FISCAIS – em São Bernardo do Campo (SP) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado na manhã desta terça-feira, 6, em protesto contra a demissão de 800 funcionários.

    • Dorothy, elas (montadoras) receberam incentivos porque seus empregados, todos sindicalistas, são PT e precisavam garantir o emprego.
      Mas a dose de erros da gerentona – era diretora de estatal falida no RS (CRT) antes de aterrissar em Brasília – superou todas más expectativas. O feitiço virou contra o feiticeiro.
      A reeleição dessa quadrilha vai custar muito caro ao país. O ano está apenas começando. Já passei por isto em governos anteriores. Acompanho as crises desde 1966.

      • Caro Martim Berto Fuchs,

        Concordo. Essa quadrilha, que há doze anos ataca os cofre públicos, deixou a economia e consequentemente a população brasileira em frangalhos. O Brasil precisará de cerca de 100 anos para a devida recuperação.

        abraço fraterno

  4. É por isso que eu insisto no lema: POLÍTICOS, NÃO PROCRIEM!

    Bem a propósito, acabei de ler o seguinte:

    Algumas estrepolias da família Lula da Silva até 2009
    Do livro “O Chefe”, de Ivo Patarra

    Dona Marisa Letícia, a primeira-dama, mandou fazer um canteiro de quatro metros de diâmetro com flores vermelhas em forma de estrela, o símbolo do PT, nos jardins do Palácio da Alvorada. Tentou caracterizar a residência oficial do presidente da República como uma sede do partido.

    Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente, usou avião da FAB (Força Aérea Brasileira) com 14 amigos. Foi durante as férias de 2004. O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) tentou de todos os modos verificar a veracidade da história. Só conseguiu confirmar a mordomia junto ao Gabinete Institucional da Presidência da República. Antes, havia feito sucessivos requerimentos à Secretaria-Geral da Presidência da República, Ministério da Casa Civil e Ministério da Defesa. Ninguém admitia o uso do avião oficial. Mas existiu.

    Cinco anos depois, em outubro de 2009, Lula nem deu atenção ao caso. Desta vez quem pegou carona no avião do governo foi Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho mais velho do presidente. Ele e 15 acompanhantes. O “Sucatinha”, um Boeing 737 da FAB, já estava perto de Brasília quando o piloto recebeu ordens para voltar a São Paulo e pegar a turma do Lulinha. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também voou na aeronave, que seguiu novamente para Brasília. O Palácio do Planalto só informou que Lulinha e os amigos eram convidados do presidente da República. Ponto final.

    De acordo com relato do economista Paulo de Tarso Venceslau, o amigo de Lula, Paulo Okamotto, resolveu um problema provocado por Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente. Eram tempos da eleição para o Palácio do Planalto de 1994. Lurian teria saído de uma loja em São Paulo sem pagar pelas mercadorias que levara consigo. A missão de Paulo Okamotto era pagar pelos produtos evitando que a história vazasse para os jornais. Ele conseguiu.

    Em junho de 2009, o marido de Lurian, Marcelo Sato, foi acusado de tráfico de influência em transações que envolviam a execução de obras no porto de Itajaí (SC). O Governo Federal tinha liberado R$ 350 milhões para reconstruir as instalações do porto, mas haveria 19 irregularidades na contratação de empreiteiras. Marcelo Sato participou de reunião para discutir as obras ao lado do deputado Décio Lima (PT-SC), um ex-superintendente do porto. Na época, o genro de Lula era assessor da deputada estadual Ana Paula (PT-SC), mulher de Décio Lima. O procurador Marcelo da Mota disse ao repórter Hugo Marques, da revista Isto É, que Marcelo Sato seria investigado:

    – Há indícios para investigar a intervenção de Marcelo Sato junto a órgãos do Governo Federal.

    Sandro Luís Lula da Silva, outro filho do presidente, foi funcionário-fantasma do PT. Os repórteres Lílian Christofoletti e José Alberto Bombig, da Folha de S.Paulo, revelaram o caso. Contratado por R$ 1.522, Sandro Luís prestava “serviços à distância”. Empregado do PT durante mais de três anos, Sandro Luís teria passado a prestar serviços em casa, em São Bernardo do Campo (SP), desde que o pai se tornara presidente da República.

    Deram diversas explicações. Numa primeira versão, o PT informou que o filho de Lula nunca trabalhara no partido. Depois, o PT alegou que o rapaz deixou de ser funcionário em meados de 2002. E, por fim, o partido informou que ele fora desligado dos quadros da legenda “há uma ou duas semanas”, ou seja, em junho de 2005, na mesma época em que a reportagem foi publicada.

    Os repórteres ouviram o presidente do PT de São Paulo, Paulo Frateschi:

    – Ele não ia todos os dias. Às vezes, aparecia um dia por semana, um dia por mês. Ele não precisa ir ao diretório para trabalhar. Trabalha na casa dele, até porque precisa apenas de um computador para realizar o serviço.

    Paulo Frateschi não informou quais serviços Sandro Luís prestava ao PT.

    • Amigo Froes
      Os relatos neste e em outros livros, verdadeiras obras da corrupção atual no país, á deveriam ter sido utilizados pelo MP para abertura de processos.
      Uma vez que os acusados não processaram ninguém, temos de considerar que os fatos são reais, verdadeiros.
      Alguns dias atrás, lembrei-me do simbolismo que a “vassoura” teve nas mãos de Jânio. Pois hoje, poderia ser novamente utilizada. É claro que para varrer o PT para fora do país. Se eles a usassem, seria para varrer tudo para debaixo do tapete.
      Abraço e saúde.

    • Governo FHC.
      Se não levarmos em conta o Plano Real, as privatizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal, também pouco fez, salvo a compra de votos para a reeleição, que afinal, se o beneficiou, acabou o feitiço virando contra o feiticeiro.
      No frigir dos ovos, prejudicou menos o país que a atabalhoada Dilma PACote, agora, conforme ella, Dilma EDUCAÇÃO.
      Haja saco para aguentar nos próximos 4 anos – se ella durar tanto – propaganda do governo (paga por nós) do que ella VAI fazer pela educação no Brasil. Aprendeu com o “padrinho” , o capo Lulla “Ninefinger”.

  5. Como os petralhas não podem botar a culpa dessa zorra no governo anterior, no anterior ao anterior e nem no anterior ao anterior ao anterior, para variar, sobra para FHC que, segundo uns e outros, não fez nada além de “apenas” o Plano Real, as privatizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal…

    São uns comediantes!

  6. m Pelos bons serviços prestados pelo papai, ranário de 10 milhões, nunca construido, e grana nunca devolvida ao cofre da viúva, culpado eles, NÃO, o eleitor que vende sua consciência, pois, a Midia anuncia, à mão no cofre, creio que 60% dos politiqueiros, deveriam estar em Gericinó ou papuda, e não continuarem a ser chamdos: execelência, para que mudou de significado: Ladrão!!!

  7. Xexcelência é o termo, Theo. São uns xexeletos sem moral para quem o termo ladrão tem conotação elogiosa – virou sinônimo de esperto.

    E é na falta de moral, abolida que foi pelo PT, meu caro Theo, que reside o maior problema do País. Longe de mim ter preconceito contra classes menos educadas e instruídas, mas o erro primordial foi terem eleito um dos seus representantes como presidente da República, e justamente um sujeito que cuja ascensão foi patrocinada pela ditadura, que não se deu conta do que o futuro dessa ideia de jerico do Golbery e do Petrônio iria nos trazer tantos problemas.

    Como dizia meu pai, alimentaram burro a pão-de-ló.

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