Fim da reeleição não vai redimir a política

Fernando Rodrigues
Folha

Para cada problema complexo existe uma solução simples. Em geral, errada. Essa é a lógica por trás de uma ideia que tem sido muito propagada: acabar com a reeleição para cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente da República).

No início da campanha, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) defenderam a proposta. Em seguida, Marina Silva abraçou a ideia. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa fez defesa enfática da tese: “A reeleição funciona como a mãe de todas as corrupções”.

Aécio e Marina acham que a reeleição deve ser eliminada e todos os mandatos então seriam aumentados de quatro para cinco anos. Todas as eleições passariam a ser coincidentes “”de vereador a presidente da República.

NOVA POLÍTICA

É curioso Marina “nova política” Silva estar de acordo com uma alteração que afastará os eleitores dos políticos. Isso mesmo. Hoje, os brasileiros votam a cada dois anos. Se vingar o que ela e Aécio sugerem, as eleições se darão apenas a cada cinco anos.

No mais, há um senso comum (equivocado) sobre a reeleição ser sinônimo de uso da máquina estatal, com recondução automática do governante. A vida real é bem diferente. Primeiro, basta observar o calor pelo qual passa Dilma Rousseff para tentar ficar outros quatro anos no Palácio do Planalto.

Há uma estatística contundente nos Estados. Desde 1998, quando a reeleição passou a ser possível, 77 governadores tentaram ficar no cargo para um segundo mandato (até 2010). Desses, só 50 tiveram sucesso. Ou seja, 35% dos que tentam a reeleição são rejeitados pela urnas.

Tudo considerado, o fim da reeleição não redimirá a política. Pior. Acabar com esse instituto vai privar bons políticos –do PT, do PSDB ou de qualquer partido– de ficar mais um mandato quando estiverem fazendo uma administração correta.

9 thoughts on “Fim da reeleição não vai redimir a política

  1. Claro que o fim da reeleição não vai resolver muita coisa. Mas com ela se terá a importantíssima alternância de poder que é fundamental em países como o Brasil onde ideologias nefastas como a marxista-leninista que ainda seduzem uma minoria da população, geralmente universitários e pseudo-intelectuais de esquerda, que já deixaram claro sua intolerância com a democracia. Isto ficou provado nesses 12 anos de desgoverno do PT.

  2. Tenho plena convicção que a correção de rumo deste país começa pela extinção da ignóbil e covarde reeleição no poder executivo. Os cargos executivos devem ser exercidos para servirem ao programa de compromisso prometido em campanha por um partido político liderado por seu representante indicado. O argumento de que grandes executivos podem ser impedidos de continuar um grande trabalho de gestão pode ser contraposto ao de que, se os partidos possuem quadros competentes, e a gestão de um mandato for muito boa, dificilmente o governante deixará de fazer o sucessor para continuar o programa. Ocorre que o Brasil gosta de caciques que, mesmo depois de serem eleitos e reeleitos, ainda se tornam pagés honorários, mandando e desmandando nos seus títeres de estimação. O culto ao personalismo, inerente ao DNA do povo, somente deixará de existir pela prática da escolha de um candidato e consciência do resultado dessa escolha. O Brasil, a meu ver, carece de partidos políticos fortes que fomentem e incentivem suas lideranças internas a serem verdadeiros representantes de ideias e não representantes de interesses particulares. Os partidos políticos, quando saudáveis, nascem, crescem, amadurecem e morrem com idade avançada. Se algum membro do partido se tornar o seu dono e comandar todas as suas decisões, o partido morrerá prematuramente com ele, mesmo que a sigla continue com o mesmo nome, tornando-se um espectro daquilo que foi um dia.
    Quanto ao legislativo, vejo como aceitável a reeleição. Mesmo que se mantenha a reeleição ao legislativo, se a gestão do executivo for ruim no seu período de mandato, é esperado que seus aliados legislativos serão expulsos pelo voto popular, enquanto que opositores serão eleitos. Assim é a democracia. Temos que começar a dar musculatura para ela, começando por enterrar os mitos com pés de barro (ou lama misturado com óleo), coronéis e chefes de quadrilhas que estão por aí deixando escutar os seus estertores.

  3. Sou plenamente a favor da eliminação desta ESCRESCÊNCIA; tanto para executivo como legislativo.

    NINGUÉM reeleito para mandato consecutivo; admita-se UM único segundo mandato (englobados os dois poderes) após pelo menos o interregno de um período; quem esteja em exercício, ou esteve no período em que houver pleito eleitoral, não poderá ser candidato – um senador em exercício não se candidata a prefeito, por exemplo; nem prefeito ou vereador em exercício poderá ser candidato a qualquer cargo). Uma redução efetiva no número de senadores, deputados – federais e estaduais, e vereadores será algo muito salutar.

    Senador, não mais do que UM por unidade da federação – para que mais do que isso?; a câmara federal com CENTO E SETE componentes já terá um muito bom número – bancadas estaduais variando de nove a três ocupantes cada uma; nenhuma assembléia legislativa teria mais de TRINTA E UM nem menos de QUINZE integrantes; vereadores, no máximo DEZENOVE nos grandes – populacionalmente municípios, chegando a SETE ou mesmo CINCO nos muitos inexpressivos espalhados pelo país.

    Por que não pensar em abolir a tal vitaliciedade do judiciário? Ministros, desembargadores e correlatos nomeados por, digamos, SEIS anos, com possibilidade de única recondução após idêntico período de intervalo.

    GRANDE UTOPIA, essa minha !!!

  4. A reeleição para candidatos do executivo foi implantada pelo PSDB, para favorecer única e exclusivamente seu presidente em exercício, Fernando Henrique Cardoso (e também Aécio Neves, que eleito em 2002 foi reeleito em 2006 por este mesmo expediente).
    Houve casuísmo para diminuir o mandato de presidente, que era de 5 anos, para 4 anos, pois consideravam que Lula venceria a eleição de 1993.
    Vencendo Fernando Henrique em 93, mais um casuísmo foi implementado, o da reeleição, para mantê-lo no poder mais tempo.
    Enquanto servia a esse partido estava bom.
    Se Aécio fosse mesmo contra a reeleição não teria se favorecido e sido reeleito governador de Minas Gerais em 2006.
    Ou seja, o instituto da reeleição beneficiou em primeira hora tanto FHC quanto Aécio Neves. Muito suspeito ele vir agora com pose de moralista.

  5. É lógico, quem está no poder leva uma grande vantagem para se reeleger:
    Faz campanha no cargo, tem a chave do cofre nas mãos, tem como atrair
    o maior número de partidos para sua campanha, conseguindo assim o maior
    tempo de propaganda na mídia, mesmo os governos ruins consegue se reeleger devido a essas facilidades, isso é anti democrático.
    Quem não teve cargos de governança, fica no primeiro mandato adquirindo experiência,
    aprendendo (como tem dito o Lula). A Presidência da República não é para se fazer estágio.
    Geralmente, no primeiro mandato, o governo trabalha para se reeleger, só não consegue
    se o seu governo for muito ruim, mesmo assim consegue uma boa votação, a Dilma é um
    exemplo disso.

  6. Cada qual no seu quadrado, todos os leitores até agora mandaram os seus recados, conforme suas convicções, prevalecendo o fim da reeleição.
    Se o senhor Aécio ganhar a eleição, o que espero, a REELEIÇÃO merece ser o primeiro projeto político da lista.

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