Fim do auxílio emergencial prejudicará a sobrevivência de 50 milhões de brasileiros

Distribuição de auxílio emergencial alcança 29,4 milhões de domicílios em junho | Agência de Notícias | IBGE

O mais grave problema brasileiro é a desigualdade social

Flávio José Bortolotto

O grande e experiente jornalista Pedro do Coutto, com sua especial acuidade econômico-social, lamenta o término do auxílio emergencial em 31 de dezembro de 2020. E chama atenção para a situação de cerca de 25% de população sem emprego formal e sem renda, que representam mais de 50 milhões de pessoas, computados pais de famílias e crianças,

Uma situação que já era difícil, com a recessão induzida pela pandemia Covid-19 que está derrubado em 4.5% o PIB deste ano, ficouainda pior.

PPROBLEMA GRAVÍSSIMO – Os comentaristas Francisco Bendl, Roberto Nascimento e outros colegas escreveram muito bem sobre a terrível situação desses bolsões de miséria junto as grandes cidades, um problema gravíssimo que urge enfrentar.

E o que que os economistas recomendam frente a um quadro desses? Acredito que a maioria dele, ao demonstrar preocupação com o avanço da desigualdade social, recomendaria ao governo fazer de tudo para reativar a economia, a começar com a vacinação contra a Covid-19 o mais rápido possível, acelerando também as reformas, e criar um clima de confiança e otimismo, enfatizando que o pior já passou.

UM PLANO MARSHALL – Mas só a reativação econômica não é suficiente para socorrer os mais 50 milhões de “invisíveis”, como estão sendo chamados, especialmente as crianças. Para esse grupo é necessário criar uma espécie de novo Plano Marshall, reativando obras paradas, construindo casas populares, desfavelizando, com obras de infraestrutura em geral, saneamento etc. etc.

Para financiar esse programa emergencial, que requer cerca de R$ 300 bilhões iniciais, o governo deveria aprovar uma emenda emergencial permitindo que o Departamento do Tesouro emita títulos que não iriam para o open market, mas diretamente ao Banco Central, que teria seu passivo aumentado desta quantia. Nesse caso o governo deveria ao próprio governo e seria apenas uma dívida contábil.

MISSÃO PRINCIPAL – Também o governo deveria buscar financiamento em todas as  Instituições Internacionais (Fundo Monetário, Banco Mundial, Banco Interamericano do Desenvolvimento, Banco Internacional Chinês etc.), enfim, usar todos os recursos possíveis, nacionais e internacionais para financiar produção útil para empregar esses “invisíveis” agora ameaçados até com a fome.

O povo é o principal fator de produção de um país, e suas crianças devem ser “a menina dos olhos do governo”. Socorrer esses mais de 50 milhões de brasileiros, ameaçados de miséria e até da fome, precisa ser a missão principal do governo.

20 thoughts on “Fim do auxílio emergencial prejudicará a sobrevivência de 50 milhões de brasileiros

  1. Take ease! Aguenta firme! Psicólogos e demógrafos costumam-se abalizar numa teoria, já com algumas recorrências, fundamentada no instinto de multiplicação ou autopreservação da espécie: sempre que há um desencarne coletivo, a exemplo das pandemias, a Pulsão de Eros se desata nos casais e a taxa de natalidade dispara, como se fosse uma tentativa de repor a mortualha produzida pela tragédia .
    Hoje, atribui-se ao fenômeno da Superpopulação – a causa de quase todas as desgraças com as quais se defronta a humanidade – estamos naquela de agradecer os que morrem e malquerer os que nascem?
    Pessoas irracionais que insistem em negar a axiomática ameaça ambiental, apenas para endossar os latidos de figuras irresponsáveis, do tipo Trump e Bolsonaro, a melhor atitude que esses LIXOS RADIOATIVOS poderiam tomar, era recorrerem ao suicídio em massa. Ao chegarem no inferno Maia (Xibalba), a deusa dos suicidas, Ixtab, devolver-lhes-ia suas vidas!

    VEJAM A QUE PONTO::

    “O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu neste sábado que os governos declarem “estado de emergência climática” em uma cúpula virtual na qual países renovaram seus compromissos de redução de gases com efeito estufa.
    Apesar da severa recessão causada pela covid-19, os países devem se esforçar e cumprir suas metas, disse Guterres, cinco anos após os Acordos de Paris, que fixaram metas históricas”

    https://www.google.com/amp/s/www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/12/12/interna_internacional,1219983/amp.html

  2. Hoje a TV mostrou um grande truck da UPS saindo da Pfizer com vacinas contra a covid-19. Amanhã mesmo começará a vacinação nos USA. Quando eles dizem amanhã, quer dizer amanhã.
    Toda a estratégia de armazenamento e distribuição foi idealizada por técnicos da área médica e oficiais da Army. Que beleza, né? Lá a logística funciona. Aqui, o min da Saúde ainda age de modo simplístico, como se estivesse ordenando “Direita, volver” a novos recrutas. Acontece que o buraco, quando se trata de sistemas complexos, o buraco é mais embaixo. Por isso o resultado foi o que vimos: um plano de distribuição sem o produto, sem data de início, sem meios de armazenamento, etc. Foi, por assim dizer, um Direita volver na área crítica da saúde.

  3. Me aparece uma réstia de esperança quando expoentes desta TI, como o Professor Flávio formulam teses propositivas no lugar de análises pretéritas sobre as disfunções sócio económicas características e conhecidas do nosso país.
    Essa é uma atitude que deveria ser seguida por todos os companheiros deste espaço, apresentando ideias, cursos de ação e estratégias possíveis ou, até ilusórias, que um dia pudessem vir a converter-se em fatos provocadores de mudança.
    A força das ideias pode ser superior à das armas.

    • Acho sim meritório sugerir teses propositivas, como diz o autor. Mas o que é uma tese propositiva? Meu dicionário de inglês, define como these:

      1. A proposition that is maintained by argument. (tese e proposição seria quase a mesma coisa)

      2. A dissertation advancing an original point of view as a result of research.
      (PhD thesis,etc. Nesse caso não sairia nada prático por décadas)

      3. A hypothetical proposition, especially one put forth without proof.
      Tudo no Brasil de hoje parece ser hipotético: nossa segurança, a comida do pobre, etc.

      Se no Brasil um general feito ministro da saúde, sem ser médico, se dobra diante da opinião molúscula de um presidente incompetente que foi contra a compra de vacinas, quando o mundo já começou a se imunizar, o autor acha que se pode teorizar propositivamente? Que Deus nos assista, a menos que ele também seja uma hipótese!

  4. Mais ou menos, o que pregam André de Lara Resende, Pérsio Arida e outros.

    Mas esse negócio de reformas só atinge os de menor poder aquisitivo. A reforma administrativa deixa de fora os parlamentares, os juízes, os ministros e militares.

  5. ” Também o governo deveria buscar financiamento em todas as Instituições Internacionais (Fundo Monetário, Banco Mundial, Banco Interamericano do Desenvolvimento, Banco Internacional Chinês etc.), enfim, usar todos os recursos possíveis, nacionais e internacionais para financiar produção útil para empregar esses “invisíveis” agora ameaçados até com a fome”

    Pelo menos um blog (qual ?) diria que o governo estaria realimentando a inflação e que ela iria disparar.

    Saudades da coluna do Carlinhos (Carlos Castello Branco). Tudo o que lemos é matéria paga da mídia paulista ou da soberana carioca. Como se uma hospedagem fosse assim tão cara.

    De novo: “you say yes, I say no”.

  6. Estes pobres irmãos vão voltar à situação em que se encontravam antes da pandemia começar. Porém em pior situação bem. Enquanto a roda da economia não voltar a girar com força, o desemprego não baixa e a renda não cresce. Quem estava na pior vai continuar como estava. É triste mas é verdade.

  7. Quero agradecer de coração a TODOS que me honraram com Comentários.

    Creio que o fundamental é o Banco Central “Monetizar” R$ 300 Bi iniciais de “divida Pública Emergencial” para financiar esse Mini Plano MARSHALL para abrir EMPREGOS para esses 25% de Irmãos INVISÍVEIS,

    Não haveria muita Pressão Inflacionária porque ainda ficaríamos longe do Pleno Emprego tendo Capacidade Ociosa em toda a Economia, que hoje ronda os 40%.

    Abração a TODOS.

  8. Mestre Bortolotto,

    Minhas saudações ao amigo articulista, guru na economia e que tanto qualifica a TI.

    Mestre, tens um problema sério, assim como este teu admirador, que ora comenta o teu texto:
    somos idealistas, e não nos curvamos às ideologias.

    Para os governantes, por mais verdadeiros e indiscutíveis que sejam nossos avisos, nossos apelos, nossos alertas, nada interessa e importa quando o tema for acudir o povo necessitado, carente, sem qualquer recurso.

    Não é por nada que a fome aumentou, surpreendentemente no Brasil, nos últimos anos;

    os maiores índices de pobres e miseráveis têm uma causa, que seria o desprezo dos mesmos governantes pelos desvalidos;

    Encaminhamo-nos céleres para uma nação que se deteriora a olhos vistos, tanto nos aspectos políticos e econômicos mas, principalmente, pelo contingente de milhões de pessoas desempregadas e que foram condenadas à dependência da caridade governamental;

    Prefere o Planalto, sob a sua incompetência, rendição à corrupção, aproximar-se de parlamentares reconhecidamente desonestos, adotar uma administração que apenas e unicamente atenda os interesses e conveniências das castas, elites e poder econômico, que destinar um mínimo possível de atenção ao caos social que nos encontramos, e que se agrava a cada dia que passa.

    Bolsonaro é uma excrescência no poder;
    um presidente nocivo e nefasto para o país;
    um mandatário que despreza o povo, que entende ser qualquer tema muito mais importante que o ser humano,

    Tu sabes o quanto já postei de comentários mencionando as minhas ideias para diminuir sensivelmente o desemprego.
    E eram plausíveis, viáveis, realizáveis, e não devaneios ou ilusões de minha parte.

    Pois, agora, publicas os meios que haveria a disposição para atender os milhões de brasileiros e que o Planalto insiste em não vê-los, não percebê-los, não aceitar que existam, e não moverá uma palha para alcançar, pelo menos, a esperança para os desesperados.

    Por essas e outras que a violência aumenta, enquanto alguns colegas de visão obtusa querem e concordam que a população deve se armar – evidentemente quem tem condições, que não são os necessitados, carentes, pobres, miseráveis e desempregados deste país.

    Enfim, assistimos o fim inevitável de uma nação, antes uma promessa de desenvolvimento, hoje uma decepção total!
    Nossos governantes jamais foram dignos e honrados para nos comandar, pelo contrário:
    ao longo de mais de três décadas assistimos incrédulos a dilapidação do patrimônio público, roubos permanentes contra o cidadão, explorações as mais diversas; manipulações mal intencionadas porque quebraram a unidade que deveria atrelar o povo a si mesmo.

    Os poderes constituídos são nossos inimigos declarados:
    covardes, ladrões, desumanos, a escória política de uma nação que não tem mais identidade consigo mesma, haja vista nos terem transformados em feudos e, nas maiores cidades, seus arrabaldes, comunidades, vilas e favelas, cortiços e casebres, em guetos!

    Evidente que aplaudo, mestre, mais um artigo de tua autoria porque irrepreensível, contundente, legítimo, um clamor que nossos governantes sequer se darão o trabalho de lê-lo, quanto mais de colocarem em prática quaisquer das tuas sugestões.

    Enfim, este é o Brasil “deles”; esta é a terra que lhes pertence; o povo é apenas mero vassalo de desejos e caprichos de um grupelho acima de tudo e todos, o nosso verdadeiro lema!

    Um forte e fraterno abraço, mestre Bortolotto.
    Muita saúde e paz, extensivo aos teus amados.

  9. Prezado Colega Sr. FRANCISCO BENDL, um dos maiores Esteios do TRIBUNA DA INTERNET.

    O senhor sabiamente sempre foi contra a “Esmola” do Bolsa Família e favorável a Programas Sociais que forneçam EMPREGOS.

    Nossa ideia para o Governo gerar EMPREGOS para os +-25% da População sem Renda e Desasistida, tão claramente chamado atenção pelo grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, é um ataque Triplo:

    1- Vacinação Rápida para sairmos da Crise Covid-19 e injeção de ÃNIMO no BRASIL.

    2- Financiar um Mini Plano MARSHALL de iniciais R$ 300 Bi para reativar Obras Paradas e INFRA-ESTRUTURAS, via “Monetização” pelo BANCO CENTRAL de “Dívida Pública Emergencial”.

    3- Tentar aprovar Projetos no FMI, Banco Mundial, BID, Banco de Desenvolvimento da China, do Japão, UE, etc, etc. para ativar mais ainda a Economia.

    O Governo quer ajudar esses 25% de nossos Irmãos, entre eles quase metade das CRIANÇAS BRASILEIRAS, até porque conseguiria muitos VOTOS, mas não tem Coragem Política de enfrentar CERTOS DASAFIOS. Há interesses contrariados nesta história.

    Abração.

  10. Concluindo:

    Nosso Governo conta sempre com vultosos Investimentos PRIVADOS, especialmente Internacionais, que não virão na quantidade necessária, como não vieram na Argentina de MACRI, e em nenhum lugar, por mais Medidas Neo-Liberais que se tomem.

    O Governo deve contar muito mais com as FORÇAS ECONÔMICAS BRASILEIRAS.

  11. No artigo precedente, de Roberto Nascimento, tive o prazer de expressar minha satisfação pelo teor e nível do artigo e comentários, excluindo “aquelas diatribes pontuais de sempre que dão colorido…”
    Já, na presente página, infelizmente, tenho que excluir como exceção, o artigo técnico, atual, pungente e irretocável, e um comentário confirmativo e enriquecedor (sem nomes para evitar a tormenta das vaidades).
    Fora isso, um cipoal de manifestações, algumas válidas como lembretes enciclopédicos, outras sem conexão com o assunto ou sem meta construtiva alguma, apenas participações compulsivas no intuito de marcar posição ideológica, acadêmica ou enciclopédica.
    Volto a repetir, já me tornando cansativo, todos temos basicamente o mesmo problema, “um país à deriva” e qual seria a atitude a tomar, até num nível instintivo ?
    Fugir do perigo buscando soluções, rápidas, viáveis e efetivas.

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