Fim do padrão-ouro completa 50 anos, aumentando a desigualdade social no mundo

De acordo com banco central holandês, o mundo precisará do ouro se todo o sistema colapsar

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Mathias Erdtmann

Há 50 anos, o presidente norte-americano Richard Nixon extinguiu a conversibilidade do Dólar-ouro. Na época, quem tivesse 35 dólares podia requisitar 1 onça (31,1g) de ouro do Tesouro dos Estados Unidos.

Esta conversibilidade incentivava o uso da moeda norte-americana como padrão de troca internacional, mas o governo se viu em uma situação insustentável, com metade de suas reservas de ouro depletadas pelos saques, com a balança fiscal e comercial indicando que o país gastava mais do que produzia, gerando uma saída constante de ouro do Tesouro.

SEM ALTERNATIVAS – Portanto, só havia duas possibilidades: equilibrar as contas ou cessar a conversão e continuar deficitário. Nixon escolheu a segunda opção, e os norte-americanos puderam chutar a lata, como eles dizem, por mais 50 anos.

Neste tempo, o déficit acumulado chegou a 24 trilhões de dólares, e hoje uma onça está cotada a quase US$ 1.800. Esse é o tamanho da inflação.

Essa perda de valor não atinge todos igualmente: os mais ricos, que possuem ativos, ganharam muito, e hoje detém um quinhão de riqueza só visto antes na década de 1920 (desigualdade que gerou “O grande Gatsby” e a crise de 29, reverberando nas Grandes Guerras I e II).

COMPARAÇÕES – Em 1970, quando existia a conversibilidade, um americano médio comprava sua casa com dois anos e meio de salários, a um preço de 700 onças de ouro.

A maravilha da tecnologia (1% ao ano) conseguiu baratear o custo de uma casa para 350 onças de ouro, no entanto, isso equivale agora a 6 anos de salários, na média. Os salários médios se reduziram de 300 onças de ouro ao ano para 60 onças.

Todos sabem que a economia cresceu nos últimos 50 anos, então quem ficou com a fatia do leão? O número de médicos nos EUA avançou basicamente na mesma proporção da população (100%). Já o número de administradores subiu 3.000%. Vê-se que a nomenklatura e as atividades de “gestão” ganham mais que nunca.

RESERVAS ZERADAS – Os países têm as mais diversas histórias de relação com o ouro. O Brasil produz bem (10º maior produtor e 10ª reserva no subsolo, com pouquíssimo trabalho geológico feito), mas não guarda nada (reservas do governo e da população praticamente nulas, aproximadamente 2g por cidadão).

A Alemanha não produz nada e estoca muito (110 gramas por cidadão, metade no estoque do governo, metade em posse privada do cidadão). Somente dois governos no mundo tem reservas de ouro zeradas: Brasil e Canadá.

Brasil já teve uma discussão, lá pelos anos 1900, entre os Imperialistas (pró-agricultura, pró-Padrão-ouro) e o magnífico Ruy Barbosa (pró-industrialização,  pró-moeda fiat). Na época o imperialismo venceu e arrastou o país por mais algumas décadas de estagnação.

IMPOSTO OCULTO – Há pontos e contrapontos, a moeda fiat acelera a dinâmica, permite empréstimos “do futuro”, sem lastro, e faz a economia girar. Por outro lado, gera um imposto oculto aos mais pobres (inflação), produzindo desigualdade.

Nestes 50 anos de moeda fiat (sem padrão-ouro) duas gerações se acostumaram ao ponto de acreditar que este sistema é definitivo e eterno, e não buscam opções alternativas, nem veem problema em não se discutir o assunto.

Para o sistema da moeda fiat se manter, é necessário construir mecanismos que anulem a transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos, sob o risco de acontecer situações ridículas, como 6 pessoas terem riqueza equivalente a 100 milhões de pessoas em um país desenvolvido como os EUA. Inclusive, neste ano, dois destes seis bilionários se lançam em foguetes para ver quem voa mais alto durante alguns minutos.

7 thoughts on “Fim do padrão-ouro completa 50 anos, aumentando a desigualdade social no mundo

  1. Tá ai… Paul Krugman bem que podia mostrar como suas teorias ajudaram Reagan a ser menos Tacher, colocando a falsa ideia de que a Era Regan era o neoliberalismo salvando o capitalismo…

    • Agradeço os elogios e materiais adicionais. Os comentaristas da Tribuna sempre trazem novas informações à nossa vida. Abraços a todos, e muita saúde.

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