Fiocruz responde a Jorge Béja e diz que os médicos devem receitar o melhor remédio

Barcellos agradeceu as informações jurídicas de Jorge Béja

Carlos Newton

A propósito de artigo publicado aqui na “Tribuna da Internet” no último domingo, dia 19, sob o título “Ofício que o Ministério da Saúde enviou à Fiocruz sobre cloroquina é uma barbaridade!”, escrito pelo jurista carioca Jorge Béja, o vice-diretor da Fiocruz, Dr. Christovam Barcellos, enviou-lhe uma mensagem de esclarecimentos, na qual assinala que a instituição realmente recebeu orientações do Ministério da Saúde sobre a necessidade de exigir dos paciente de covid-19 a assinatura de um “Termo de Ciência e Consentimento” para que a cloroquina seja usada sem possibilidade de responsabilização criminal e cível do médico e do hospital.

Nesse artigo na TI, Béja explica que esse tipo de autorização é inútil e sem o menor valor jurídico. “O documento tenta isentar o médico e a instituição hospitalar de qualquer responsabilidade no caso de insucesso e/ou outros danos. Não isenta. Pelo contrário, as responsabilidades são até agravadas”, diz o advogado.

RESPONSABILIZAÇÃO – As responsabilidades são agravadas porque “o Termo de Conhecimento e Ciência exige que dê, quem não tem para dar. Que faça, quem não tem condições de fazer. Que se responsabilize, quem perdeu a capacidade de assumir responsabilidade. Que decida, quem não tem a mínima condição de decidir.  Que compreenda, quem perdeu a condição de entender”, afirmou, acrescentando: “Não tem condição de entender e a perdeu, porque o medo de morrer e o desespero deles retiraram o raciocínio, a razão, a consciência”.

Segundo Jorge Béja, se a cloroquina fosse a medicação indicada, o paciente não precisaria assinar nada. “A substância não precisaria de prévia autorização para ser usada.  Mas não é. E por não ser é que o Ministério da Saúde, audaciosamente, enviou este ofício à respeitabilíssima fundação, nele constando as esdrúxulas recomendações”, salienta, dizendo que a Associação Médica Brasileira, que reúne mais de 140 mil médicos, não reconhece a eficácia da cloroquina.

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VEJA A MENSAGEM DA FIOCRUZ AO DR. BÉJA

Caro Dr. Jorge Béja,

Agradeço as informações. O Fiocruz emitiu uma nota oficial sobre esta questão. Segue abaixo:

NOTA OFICIAL DA FIOCRUZ

A Presidência da Fiocruz e as Direções de seus dois institutos federais (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – INI e Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira – IFF), assim como os demais hospitais federais, receberam o OFÍCIO CIRCULAR Nº 3/2020/SAES/GAB/SAES/MS, do Ministério da Saúde, datado de 29 de junho de 2020, sobre tratamento precoce da Covid-19.

A Fiocruz está ciente das orientações do Ministério da Saúde sobre o uso “off label” (quando o fármaco é utilizado para uma indicação diferente daquela que foi autorizada pelo órgão regulatório, a Anvisa) da cloroquina e da hidroxicloroquina contra a Covid-19.

A Fiocruz entende ser de competência dos médicos sua possível prescrição. A instituição participa, por designação do Ministério da Saude, e é responsável no Brasil pelo estudo clínico Solidariedade, que avalia a eficácia de medicamentos para a Covid 19.

Att,

Christovam Barcellos, subdiretor da Fiocruz.

12 thoughts on “Fiocruz responde a Jorge Béja e diz que os médicos devem receitar o melhor remédio

  1. O cara não tinha preparo para enfrentar um vestibular de Medicina na sua época. Em vez disso optou pela Academia Militar onde despontou como bom atleta (a parte física não exigia exercício mental).
    Por um absurdo do azar, tornou-se mais um imbecil in chief. Aproveitou a oportunidade para aparar as arestas do seu ressentimento com a Universidade, decidiu tornar-se Médico in Chief – e deu nessa merda que estamos vendo.

  2. Resumindo, ou plagiando o editor da TI: Em tradução simultanea, se o médico for Bolsonarista, vai prescrever a Cloroquina e derivados, em não sendo, vai estudar melhor o paciente e seu caso em particular.

  3. Não acredito que haja na História um presidente, primeiro-ministro, rei, imperador ou ditador, que tenha forçado o uso de remédio à população, mesmo que a Ciência não o indicasse!

    Pois, Bolsonaro, age dessa forma desde o início da pandemia.

    Agarrou-se com unhas e dentes na cloroquina, divulgando a droga como salvadora do vírus, independentemente de países muito mais desenvolvidos que o Brasil, afirmarem categoricamente que o medicamento não correspondeu aos estudos e pesquisas, de modo que pudesse ser mencionado como parte do protocolo de tratamento aos contaminados.

    E tem sido essa teimosia inacreditável, surpreendente, inaceitável, que gera outra crise no país:
    a intromissão indevida e até criminosa de Bolsonaro como propagandista-vendedor-indicador da cloroquina, podendo der acusado de falsidade ideológica porque não é médico!

    O artigo de domingo do excelso Dr.Béja, enviando o texto à Fiocruz, e obtendo a resposta postada em tela que,
    “A Fiocruz entende ser de competência dos médicos sua possível prescrição. A instituição participa, por designação do Ministério da Saúde, e é responsável no Brasil pelo estudo clínico Solidariedade, que avalia a eficácia de medicamentos para a Covid 19.”…
    denota indiscutivelmente que o presidente da entidade mesmo agindo politicamente, foi claro no sentido que não compete ao Ministério da Saúde impor um medicamento que a maioria absoluta dos médicos brasileiros e de outras nações não o usa no tratamento aos pacientes do coronavírus.

    A cloroquina não faz mais parte de estudos de viabilidade no seu uso para ou curar o doente do vírus ou amenizar-lhe os efeitos da doença durante o tratamento.

    Diante dessas afirmações constantes, causa espécie a obsessão de Bolsonaro pela droga, a ponto que teve três ministros da Saúde em trinta dias!
    Os dois primeiros se negaram em instituí-la como útil no combate ao COVID-19.
    O atual ministro, militar, sem qualquer condição técnica de exercer a função, pois um leigo, obedece ordens porque treinado e acostumado a acatar a voz de comando sem contestá-la.

    Nesse segmento, saúde pública, Bolsonaro se mostra mais que um simples incompetente, mas um criminoso e irresponsável nessa sua intromissão indevida em uma área que não lhe diz respeito como presidente da República, porém aumentando a crise existente através desse litígio com órgãos de saúde nacionais e internacionais quanto ao uso dessa droga!

    E, com a participação igualmente irresponsável das FFAA, que permanecem caladas diante dessa aberração governamental!

      • Prezado leitor Batista Filho.

        Sobre um tema tão doloroso, que faz sofrer toda a Humanidade e nenhum de nós está a salvo do vírus….Diante de milhares e milhares de mortos, de milhões de infectados…Diante do sofrimento e de tamanha saudade…
        peço, por favor, que me traduza (ou traduza a todos nós que vamos a cada dia nos deprimindo mais e mais), o significado do que o prezado e querido leitor postou para que lêssemos.
        Sim, querido. Cada um de nós, humanos, é parte do outro. Somos iguais na essência e forma. Só uma pessoa humana pode salvar a vida de outra pessoa humana. Eis o brado dos Les Médicins Sans Frantières. Nada mais verdadeiro. Uma pessoa sempre deve ser muito querida pela outra, porque da outra é parte, da outra depende, da outra é irmão….A dor de um é para ser a dor de todos…Também a felicidade de um é para ser a felicidade de todos…
        Nos explique, por favor.

  4. “A Fiocruz entende ser de competência dos médicos sua possível prescrição”

    Irretocável. Não “pegou”, no caso, o “genocídio”. Mas há os indígenas, ainda. Nonagésima instância.

  5. Dois virus destruindo o país Bovid-18 (Bolsovirus) e o Covid-19 (Coronavirus)

    ” Que nos cumpre fazer ?..
    – Depressa!… Mandem pôr dragonas de comando ao general Terror!”
    Salve-se a independencia! Erga-se a disciplina !
    Ordem. corre a pedir auxilio à guilhotina!” (GuerraJunqueiro)

  6. Na faixa,(estrada), POA X TAQUARA-RS,no município três coroas perto da fábrica cerveja schin,tem a tenda do PAJÉ que sugere ervas midicinais.
    N1H>chá camomila.

    convid 19 >chá com casca limão e casca da laranja com mel + 1 melhoral que não faz mal.

    Convenhamos, é natural eficaz pra “gripizinha”,e barato..

    sds..

  7. Tomamos remédios sem receita e sem comprovação de eficácia, mas em caso de reação negativa, ninguém pode ser responsabilizado pela nossa escolha.
    Quando o presidente recomenda publicamente e ainda exibe a embalagem para não deixar dúvidas, ele não pode ser responsabilizado porque “não recomenda nada, recomenda que vc procure seu médico”!
    Por que ele fica exibindo cloroquina, então?
    Por que forçam as instituições a liberar sem comprovação científica?

    Na minha opinião as prioridades do presidente em relação a situação atual é:
    a) Viabilizar o projeto do Aliança pelo Brasil (suspenso devido a pandemia);
    b) “Abraçar” o povo na rua (nem é campanha!);

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