“Flor Amorosa”, obra-prima de Catulo e Joaquim Callado, no tempo da música romântica

Paulo Peres
Poemas & Canções

O relojoeiro, músico, cantor, compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946) e seu parceiro Joaquim Callado (1848-1880) criaram o célebre choro “Flor Amorosa”, gravado por Aristarco Dias Brandão, em 1914, pela Odeon.

FLOR AMOROSA
Joaquim Callado e Catulo da  Paixão Cearense

Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor
Em uma taça perfumada de coral

Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei

Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Um beijo teu tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá

Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
Não deves mais fazer questão
Já perdi, queres mais, toma o coração
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não, sim ou não
Olha que eu estou ajoelhado
A te beijar, a te oscular os pés

Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Se tu não me quiseres perdoar

Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim

A mim, a mim
Oh, por que juras mil torturas
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?                   

One thought on ““Flor Amorosa”, obra-prima de Catulo e Joaquim Callado, no tempo da música romântica

  1. Meu conterrâneo é Cearense até no sobrenome. Por aqui dizem que cerca de 34% dos maranhenses descendem de cearenses. Eu, por exemplo, já tive duas mulheres, cujos avós vieram da terra alecarina.
    No ano passado li a conclusão de uma pesquisa, na qual os cearenses aparecem como descendentes de holandeses, com uma percentagem 26%. E que, em média, 22% dos nordestinos o são, na ordem decrescente: Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco…… Neste último, há um município denominado Surubim; lá pode-se não encontrar o peixe que deu o topônimo ao lugar, mas gente com biótipo flamengo é abundante.
    Do Maranhão os flamengos foram expulsos a bala, todavia, permaneceram na letra do hino do Estado. Aqui, consta que, à época, o governo federal ordenou a troca dos sobrenomes batavos por tupiniquins. Raros foram os clãs que conservaram a onomástica original, a exemplo da numerosa família, Jansen.
    Quanto à letra do Catulo, quando a escreveu, ele não estava nos seus melhores dias.

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