Foi Cármen Lúcia quem indicou a ministra da AGU e agora Temer tem de aturar

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Charge da Pryscila (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nesta crise aguda que enfrenta, o Planalto perdeu a confiança na lealdade da ministra Grace Mendonça, chefe da Advocacia-Geral da União. Foi considerado surpreendente e estarrecedor o fato de Grace ter-se negado a ir ao Supremo Tribunal Federal para buscar cópia das gravações envolvendo o presidente Temer com o empresário Joesley Batista, porque a ministra se absteve de exercer suas atribuições legais e constitucionais, invocando uma suposta condição de “advogada de Estado”. Mas na realidade Temer tinha razão ao pedir-lhe assistência jurídica naquele momento, pois, em tese, poderia acionar a AGU para defender interesses do governo e da própria União em face de ilícitos noticiados nos áudios.

Na verdade, o que ocorreu foi uma gravíssima omissão da ministra que, no limite, poderia beirar a prevaricação. Foi Lauro Jardim quem informou detalhes dessa negativa de Grace – que teria sido suave e delicada com o Presidente, em relação ao exercício de suas atribuições.

SUMIU DO PLANALTO – Essa crise de relacionamento é muito mais profunda do que se pensa e tem implicações externas. Grace sumiu do Planalto no auge da crise, que ainda persiste e persistirá por toda a gestão de Rodrigo Janot na Procuradora (no mínimo).

Certamente, a ministra da AGU se tornou é um foco de desconfiança do Planalto, especialmente considerando-se que foi indicada para o cargo por Eliseu Padilha, que conversou com a ministra Cármen Lúcia, que deu força total à nomeação, rasgando elogios à Grace Mendonça, segundo o colunista Maurício Lima, da Veja.

Poucos sabem que a presidente do Supremo é uma articuladora nata e gosta de participar de indicações políticas. Em Minas Gerais, recentemente, Cármen Lúcia atuou para nomear o atual procurador-geral de Justiça, que era o segundo colocado na lista tríplice, para o cargo. Falou diretamente com o governador Fernando Pimentel e sua intervenção veio a ser decisiva. Na época, tinha em seu poder a pauta do processo em que Pimentel estava pendurado no Supremo, discutindo a possibilidade de governador ser processado sem autorização da Assembleia. E o processo, por coincidência, demorou a ser pautado.

NOS BASTIDORES – O fato concreto é que Cármen Lúcia atua nos bastidores da política. Em relação a Grace Mendonça, foi especialmente marcante sua influência para a nomeação da ministra, em articulação direta com o presidente Michel Temer. Ambas são mineiras, amigas de vários anos e possuem relação muito estreita. Assim, Grace entrou na “cota” de Carmen Lúcia.

Essa “participação” de Carmen Lúcia no governo Temer, com indicação de uma ministra, é por si só algo nefasto. Uma presidente do Supremo não deveria articular indicações de autoridades do Poder Executivo. E agora Temer agora paga um preço por isso. De um lado, não pode demitir Grace Mendonça. De outro, não tem a menor confiança na ministra, pois sabe que de lá podem vazar informações importantes para segmentos que hoje o Planalto considera inimigos estratégicos.

Grace tornou-se, assim, uma espécie de “inimiga na trincheira” de Temer, o que é um perigo, considerando-se, sobretudo, o rol de atribuições da AGU, uma das pastas mais poderosas da Esplanada.

NA ALÇA DE MIRA – Já se sabe que, se Temer sobreviver à tempestade, Grace não sobreviverá. No Planalto, sabe-se que o presidente estava irritadíssimo com a postura da AGU em todo esse processo e viu sinais de deslealdade na atuação da ministra.

É viável imaginar, também, que Grace Mendonça esteja assustada, devido a sua inexperiência, e queira simplesmente preservar a biografia de advogada pública. Por isso, se omitiu da prática de atos inerentes à função de ministra, sob a justificativa de que não poderia praticar atividade de advocacia em prol de interesse particular do presidente, e com isso apenas tentou resguardar a própria imagem. Também é possível que a ministra, já de olho no próximo presidente, queira manter-se no cargo, depois de ter visto muita sujeira e corrupção no seu entorno. Isso, sim, assusta quem é correto. E,  assim, Grace Mendonça talvez tenha muito a falar.

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PSRecordar é viver. Quando Grace Mendonça foi criticada pela grande mídia, por ter “esquecido” que era filiada ao PSDB, a presidente do Supremo saiu de defesa dela, dizendo que a ministra da  AGU estava sendo vítima de “preconceito de gênero”.  (C.N.)

7 thoughts on “Foi Cármen Lúcia quem indicou a ministra da AGU e agora Temer tem de aturar

  1. Resumo da ópera: Carmem Lúcia meteu os pés pelas mãos duas vezes, pois pressionou pela escolha de uma AGU despreparada e sem noção de sua função e, ainda, tem que engolir em seco já que ficou devendo favor a Temer, que agora resolve afrontar sua autoridade de presidente do STF. E Grace virou uma pedra no sapato tanto de Carmem Lúcia quanto de Temer, que deveria mesmo demiti-la. Não tem postura de AGU e nem cumpre suas obrigações.

  2. Nos EUA temos o “Lame Duck”, aqui temos o Porco Manco.

    Dra. Grace tem juízo, e faz muito bem, em se afastar do Porco e sua sujeirada.

    Em grande evidência negativa, temos aquele que fica com seu bico frenético, enfiado na lama do chiqueiro, e está totalmente desmoralizado e morto, em seu meio.

    De Porco em Porco, o Brasil faz sua história de podridão.

  3. Decididamente esta edição, este artigo do Moderador ainda vai dar muito que falar mais na frente.

    Um prognostico captado com muito faro jornalístico.
    Parabéns, Carlos Newton.

    Outrossim, também deu margem a duas opiniões que são válidas no momento, a do Vic e Eduardo RJ, igualmente convergindo prismas que não se conflitam no balanço geral…

    • Gessé,

      O artigo diz que Temer pediu que a ministra Grace Mendonça requisitasse ao Supremo uma cópia da gravação de Joesley Batista, à qual ele tinha direito de ter acesso, apenas isso. Não pediu que a AGU o defendesse. Há uma diferença enorme.

      Abs.

      CN

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