Para o bem da humanidade, o marxismo e o capitalismo precisam se relacionar

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Charge do Willmarx (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nos dias de hoje, poucas pessoas se identificam como adeptos do marxismo ou do socialismo científico, que seria a denominação mais correta. A maioria dos simpatizantes se posiciona como esquerdista ou progressista. No meu caso pessoal, continuo me considerando marxista, por acreditar que este é o caminho do futuro longínquo da humanidade – se a vida, é claro, conseguir ser preservada da insanidade dos governantes, que insistem em permitir a acelerada devastação do planeta para consumo descontrolado das riquezas naturais.

É evidente que o capitalismo, nos moldes atuais,  não poderá continuar a prevalecer até o final dos tempos, porque seria grave ameaça à humanidade. Da mesma forma, não se pode conceber que se implante nos dias de hoje o comunismo idealizado em 1848 por Karl Marx e Fiedrich Engels. Se alguém defende qualquer uma das duas hipóteses, com certeza é caso de internação. Tanto o marxismo quanto o capitalismo necessitam de uma equalização, que começa a ser esboçada nos países nórdicos.

DESIGUALDADE – Há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, das quais cerca de 30% (2,2 bilhões) vivem em estado de pobreza, 850 milhões tem dificuldades para se alimentar e 120 milhões estão morrendo de fome. O continente mais desigual é a América Latina, onde o Brasil exibe a estranha experiência de conviver a miséria absoluta e a riqueza total, tendo como resultado o recorde mundial de homicídios.

Isso significa que o modelo brasileiro de capitalismo não está dando certo. É preciso aprimorá-lo, e o equilíbrio sempre está no meio, até as paralelas se encontram no infinito, como lembrava Belchior.

Para colocar ordem na discussão, pode-se dizer que foi o comunismo (socialismo científico) que provocou a humanização do capitalismo primitivo, em que predominava a exploração do homem pelo homem, quando praticamente não havia direitos trabalhistas e sociais.  O capitalismo se aperfeiçoou, não há dúvida, mas ainda é um regime altamente negativo.

MODELO ESCANDINAVO – Marx e Engels foram importantes pensadores, mas suas teses estão desatualizadas, claro. Não podem mais ser tomadas ao pé da letra. No entanto, ainda é preciso segui-los no que se refere à necessidade de superação das desigualdades sociais e da defesa da vida.

Os países nórdicos fizeram uma adaptação muito positiva do capitalismo, lá o Estado é forte e procura ser mais justo em relação ao interesse público. Mas esses países ainda têm de evoluir, especialmente no que se refere à questão da assistência médica à população. Lá também existe a ditadura dos planos de saúde, vejam que paradoxo.

No socialismo científico de Marx e Engels, o direito à vida seria garantido através de um sistema de saúde que contemplasse todos os cidadãos. Até hoje continua a ser uma das mais importantes metas sociais a serem alcançadas pela humanidade, há países que caminham nesse sentido, como o Reino Unido, mas há riscos de retrocesso.

MARXISMO MODERNO – Os marxistas modernos não mais defendem estatização das fontes de produção, planejamento central nem luta de classes. Mas têm certeza de que o mundo do futuro será mais marxista, em termos de proteção aos carentes, igualdade de oportunidades,  sistema universal de saúde, garantia de educação de qualidade para todas as crianças, restrições ao consumismo,  proteção do meio ambiente etc., metas que ainda não despertam interesse no capitalismo praticado nos dias de hoje na grande maioria dos países, sejamos francos, e nesse particular China e Estados Unidos são imbatíveis.

Se revivessem nos dias de hoje, Marx e Engels estariam revoltados com a desigualdade social que persiste no mundo. Repita-se que 30% dos habitantes do planeta (2,2 bilhões de pessoas) passam necessidades, dos quais 850 milhões têm carência alimentar e 120 milhões estão literalmente morrendo de fome.  Mas quem se interessa? Marx e Engels, com toda certeza, se interessariam.

15 thoughts on “Para o bem da humanidade, o marxismo e o capitalismo precisam se relacionar

  1. Olá colega desse pessoal pode ter certeza nenhum quer trabalhar, eu conheço esse tipo de gente…para resolver este a castração em massa de homens e mulher.

  2. 1) Muito bom CN !

    2) Pensamento do Dia: “Os economistas tem um modo singular de proceder. Para eles, existem só dois tipos de instituições, as artificiais e as naturais. As instituições do feudalismo são instituições artificiais, aquelas da burguesia são instituições naturais. Nisso eles se assemelham aos teólogos, que do mesmo modo estabelecem dois tipos de religião. Toda religião que não é a deles é uma invenção do homem, ao passo que a deles é uma emanação de Deus (…) Assim, houve história no passado, mas já não há mais. = Karl Marx.

    3) Fonte: O Livro das Citações, Eduardo Gianneti, Companhia das Letras, pág. 103,

  3. Caros Newton, parabéns pelo excelente artigo, que com muita sensatez mostra a raiz dos problema da humanidade.
    Toda filosofia religiosa e toda ideologia política leva o ser humano a ter a mente condicionada, em que cada um ache que está com a verdade, criando assim as lutas estre as partes.
    A humanidade precisa compreender, que estamos todos nós no mesmo barco, somos todos irmãos.

  4. O comunismo é um regime político tão bom, que só pode ser implantado através de revolução e com fuzilamento dos discordantes.
    É tão maravilhoso que só existe com partido único, qualquer tipo de oposição é tratado com a brutalidade costumeira.
    Enquanto existir a “ganância” como marca registrada do ser humano e outros seres mais irracionais que nós, esqueçam que a solidariedade vá prevalecer, principalmente se for imposta.
    Talvez um socialismo moderado até possa prosperar, mas vai depender de uma ampla capacidade de educar as pessoas para um convívio fraterno.
    Comunismo é um mero capitalismo de estado, os que se apossam do poder se tornam os grandes capitalistas, isso sem precisar trabalhar.
    Já o socialismo seria um capitalismo com extremos, o estado como poder moderador seria o encarregado de fazer o equilíbrio , não deixar que existam tanto o milionário de um lado, assim como o miserável em outro extremo.
    O imposto de renda, seria a ferramenta ideal para a prática, porém uma coisa é fundamental, o parasitismo deve ser abolido por completo.
    Todos serão obrigados a trabalhar, ficando o estado apenas com o dever de prover os incapazes, os idosos e as crianças.
    Acho que esta fórmula seria a mais parecida com o sentimento humano, mas deveria também ser imposta com alguma dose de força, dai também haverá resistência, talvez um pouco menor que no comunismo.
    O capitalismo atual, criado com base no sentimento americano, vai até que se esgotem todos os recursos naturais do planeta, depois fica difícil imaginar o que o sucederá. O certo é que não estaremos aqui para testemunhar.

  5. Meu amigo Newton, marxismo? “Será que esse bicho ainda existe” ? Vamos fazer como o Diógenes, usar um candieiro. Quanto ao capitalismo não seria melhor mudarmos o nome para “gangsterismo”?

    • Concordo plenamente, amigo Aquino. O capitalismo é um fracasso colossal e o comunismo não serve de alternativa. Temos de procurar uma solução conciliatória, que aproveite o que há de melhor no capitalismo e também o que há de melhor no comunismo. Aí estaremos no regime ideal, até que todas as pessoas aceitem a lição de Sidarta Gautama, o Buda, e passem a fazer apenas a coisa certa, que é a essência do budismo e de todas as religiões do bem.

      Abs.

      CN

  6. Prezado Newton, o fato é que, conforme diz o professor Antônio Avelãs, depois que o Muro de Berlim caiu e o sistema soviético se desintegrou, o capitalismo ficou sem adversários e iniciou sua trajetória no sentido de voltar a ser o capitalismo selvagem do século XVIII. A precarização do trabalho em todo o mundo é consequência disso. Como a taxa de lucro tem uma inevitável tendência de queda no capitalismo produtivo, a alternativa dos magnatas do capitalismo passou a ser a financeirização da economia, para compensar a queda da taxa de lucro no setor produtivo e o rebaixamento cada vez maior dos salários, para aumentar a extração do excedente na parte produtiva do capitalismo. O professor Avelãs explica isso bem. O socialismo real russo e o modelo keynesiano social democrata eram freios para o capitalismo selvagem, mas com a hegemonia neoliberal desde 79, o capitalismo sem peias ficou sem limite.

    • Prezado Alverga,

      Muito boa a colocação do professor Antônio Avelãs, o neoliberalismo está mostrando um lado muito perverso.

      Abs.

      CN

  7. Com todo respeito ao prezado Carlos Newton, mas eu entendo que o sistema capitalista é o pior sistema econômico que existe, excetuando os demais.
    Eu entendo o capitalismo não meramente como um sistema econômico, onde alguns homens “espertos” exploram o trabalho de outros homens e, sim como um processo de tentativa e erro, tal como a ciência, que nasce em um ambiente de liberdade, capitaneado pela livre iniciativa e pela livre concorrência.
    Entendo que a condição primária dos seres humanos é a miséria (no sentido financeiro da palavra).
    O capitalismo é mais um processo criado pelo homem para sairmos da lama. Em nenhum momento ele pode ser culpado pela miséria alheia. Podemos culpar o estado e até a igreja, pela ausência de planejamento familiar, mas não o capitalismo.
    O capitalismo, que nasce e prospera num ambiente de liberdade, permite que qualquer um de nós, dotado de conhecimento e vontade de trabalhar, crie algo que seja valioso aos olhos dos outros (os consumidores). E para se criar algo que tenha valor aos olhos do consumidor, é preciso o maior dos dons que o homem pode possuir: a inteligência e com ela, a criatividade.
    Pois bem, num estado de liberdade plena, um indivíduo, por mais pobre que seja, pode criar algo a partir da sua mente, cujo objeto é desejo dos consumidores, ganhar o seu sustento e, quem sabe ficar rico. Porém,o simples fato de criar algo novo não garante o sucesso. Os consumidores podem não estar interessado na nova invenção e ignorá-la. Todo o tempo e capital dispendidos são evaporam. O prejuízo é tão somente do empreendedor.
    Que sistema nefasto é este em que o indivíduo, gozando da liberdade para poder criar algo que agrade o desejo de consumidores cada vez mais exigentes, gaste o seu tempo e o seu dinheiro poupado, adquira bens de produção, contrate pessoas, num ambiente hostil devido a concorrência e corra o risco de quebrar.
    Eu penso que este sistema permite extrair o melhor do ser humano.
    Como nem todo sistema é perfeito, o capitalismo tem seus problemas: a degradação do planeta devido ao consumismo inconsciente e desenfreado. Entretanto, se pensarmos que o empresário só pode produzir o que é demandado pelos consumidores ávidos, que ele atende da melhor maneira possível; será a culpa do capítalismo, do empresário ou do consumidor?
    Por exemplo, se a nossa dieta fosse vegetariana, haveria tamanha produção de proteína animal (vide JBS), que necessita de pecuária e produção de grâos intensiva, com uso de agrotóxicos e que determina extenso desmatamento e poluição ambiental.
    Será que não podemos tratar o capitalismo como um plebiscito ininterrupto, onde quem manda é o consumidor, que determina o que é produzido e em que escala.
    Será que desejamos que um estado mastodôntico, com seus burocratas esclarecidos, floresça para regular o capitalismo “selvagem”; Será que a mudança de hábitos do consumidor poderia mudar os rumos da degração ambiental?
    Eu sonho que, um dia, que o capitalismo de livre mercado, com livre concorrência, seja implantado no Brasil e, os consumidores, os verdadeiros mandatários, conscientes de seu papel regulador num livre mercado, assumam o seu papel e determinem o que será e quanto será produzido.
    E para finalizar: eu tenho uma certa aversão a comunismo, socialismo, planejamento e welfare-state, visto que todos estes sistemas pressupõem a existência de um estado forte, centralizador, geridos por burocratas “iluminados”, que, em nome de uma justiça social, estorquem os cidadão via impostos, usufruem de salários totalmente incompatíveis com o retorno ofertado aos súditos, distribuem dinheiro para os amigos e espalhem migalhas para os mais necessitados.
    Disto, com certeza, eu quero distância.
    Um abraço para todos e boa noite.

    • Parabéns ao Sr. Izquierdo e ao Sr. Siróca Santos.

      O comunismo pode ser resumido como a ascensão da inveja e da presunção.

      Inveja daqueles que são mais eficientes e tem mais sucesso. ( como a inveja é um sentimento secreto e inconfessável, os comunistas disfarçam dizendo que tem pena dos pobres, nunca dizem que tem inveja dos vencedores)

      Presunção, por achar que se eles administrassem o mundo, não haveria desigualdades.

      Só se esquecem de dizer que para alcançar seus objetivos altruístas, todos devem abdicar de sua liberdade e de seus direitos.

  8. Marx e Engels nunca se preocuparam com a desigualdade ou com a dor humana. Senão não teriam preconizado as revoltas de sangue e morte em suas teorias, cristalizadas por seus discípulos em todo o mundo.Quem lê o manifesto comunista ( e tenha saído da adolescência) percebe que esta se pondo em contato com a mente de psicopatas ou no mínimo malfeitores da mais baixa categoria.Semeiam o conflito, até no seu linguajar chulo, não para chegar a um nível de civilização superior, mas para destruí-la. O capitalismo , sendo um erro, não justifica outro pior.Duvido que alguém maduro e com o mínimo de discernimento se engane com eles. Então qual a justificativa para retornar às ideias destes dois demônios do inferno?

  9. Não me sinto bem para escrever, mas este artigo escrito pelo nosso Mediador sobre a necessidade de o capitalismo e comunismo estreitarem as suas relações me motivou a sair da cama e teclar algumas palavras no empoeirado micro.

    Este incomparável blog publicou ao longo de quase cinco anos que participo como frequentador assíduo, uma série incontável de textos de diversos autores a respeito deste tema, possibilitando bons debates e discussões, evidentemente não havendo concordância unânime quanto às conclusões obtidas.

    E não se poderia obter um denominador comum sobre esta questão de quem é mais cruel à humanidade, se o capitalismo ou o comunismo, por uma única razão:
    O próprio Ser Humano!

    Se existem fome, violência, falta de remédios, de saneamento básico no mundo, e tais carências aumentam a cada ano, definitivamente a culpa não é do capitalismo ou comunismo ou socialismo ou teocracia ou ditadura ou totalitarismo … mas, do homem!

    Não serão esses regimes sociais, políticos e econômicos que alcançarão remédios e alimentos aos esfomeados no planeta, que distribuirão vacinas, que atenderão os mais necessitados para baixar hospital ou encontrarem escolas para aprender, casas para residir … não, mas a pessoa, o cidadão, caso tivesse solidariedade e caridade nos corações petrificados pela ganância, egoísmo, pela ânsia irreprimível de querer ser rico, ter poder e dinheiro!

    Os regimes comunistas implantados somente lograram êxito à base de matanças, de cerceamentos de liberdades, de tolher direitos de ir e vir, de impedirem que a criatividade humana florescesse porque a ideia era padronizar um mesmo comportamento para todos, ignorando as diferenças individuais, tais como talento e vocação de cada ser humano!

    Se o capitalismo ou a liberdade econômica, a livre iniciativa, transformaram-se em selvagem, predadores, não foi o sistema mas, o homem, querendo ser onipotente, acima de qualquer semelhante, querendo ser mais rico, mais poderoso, em detrimento justamente de pessoas que sempre foram ignoradas pelo … próprio semelhante!

    Não se pode culpar o comunismo e o capitalismo ou em separado pela pobreza e miséria reinantes no mundo, um erro clamoroso, como se esses métodos ou regimes ou sistemas fossem responsáveis pelo nascimento de mais pobres e miseráveis, e não os pais irresponsáveis e inconsequentes, que não levaram em conta se podiam ou não ter filhos!

    O aumento de carentes no mundo se deve à criminosa falta de senso de realidade do casal que faz sexo sem pensar na consequência, resultando que este filho indesejado será jogado para os braços de uma sociedade exaurida pela carga tributária absurda e injusta, que deverá sustentá-lo, enquanto o homem e a mulher levianos continuam a fazer filhos e jogá-los no mundo, culpando este ou aquele pela pobreza ou situação difícil que se encontram!

    Ora, além de cinismo e hipocrisia que tais críticas se revestem quando estabelecidas contra os “ismos” existentes, a tentativa infrutífera de transferir para os outros as responsabilidades inerentes à paternidade e maternidade, que também terão seus problemas e graves nas suas implantações porque administrados por seres humanos jamais terá um fim, mas a continuidade deste círculo vicioso de pessoas sem condições de terem filhos e que viverão dependendo da caridade alheia!

    As teorias tão decantadas em prosa e verso de Marx e Engels não consideraram exatamente essas diferenças individuais, em consequência, a inexorável possibilidade de não darem certo em face da instabilidade do homem, do seu egoísmo, da sua vaidade, do seu objetivo de querer ser rico e ter poder, e da natural condição inata de cada pessoa em dominar a outra, de precedê-la, de ser mais importante, de querer ser mais do que o seu semelhante.

    Comunismo, capitalismo, socialismo … não deram certo e jamais serão efetivados com sucesso, pelo simples fato de que o homem é permanentemente insatisfeito, pois uma vez alcançando seu objetivo inicial busca novos horizontes, outras metas e, desta forma, deixa um rastro de destruição e prejudicados ao longo da sua existência egocêntrica, isolada, cujo fundamento da sua vida reside em lucrar ou comandar seres humanos, mesmo que usando de subterfúgios ou meios nada elogiáveis ou edificáveis para seus intentos.

    O comunismo é bom?
    Sim.
    O capitalismo é bom?
    Sim.
    O socialismo é bom?
    Sim.

    O problema é coordenar o ser humano, a sua rebeldia, a sua insatisfação, frustração, infelicidade, descontentamento, egoísmo … razão pela qual o despotismo, reis e imperadores insanos e desumanos, presidentes corruptos e incompetentes, gente que sofre e morre porque abandonada e negligenciada pelo seu semelhante e não pelos regimes, que são os fundamentos desse artigo interessante da lavra de Carlos Newton, mediante a sua notável experiência de vida e de homem das comunicações durante tanto tempo!

    O problema somos nós, e não o inferno são os outros, como dizia o célebre Sartre, que viveu em outra época, onde certamente nos dias de hoje modificaria a sua conclusão narcisista e que enaltecia a si mesmo.

    O meu abraço a todos, indistintamente.
    Cuidem de suas saúdes.

    • Se está enfermo e se esta réplica lhe perturbar a paz de coração, desde já peço que a ignore.
      O fato de o mal residir no coração humano é óbvio. O fato de que a felicidade não se encontra em nenhum sistema político é algo que não se pode contestar. Mas isto não exclui a responsabilidade individual de quem semeia o mal. Se reconhecemos o inferno em nos próprios, isto não nos justifica que criemos condições para que se propague na civilização. Se não somos juízes dos demais, não justifica que não identifiquemos ações mal-intencionadas contra a humanidade, diluindo a responsabilidade de seus autores pelo fato de todos termos o mal e o inferno em nós mesmos. Isto nos faz lembrar dos corruptos se defendendo afirmando que todos são corruptos.
      Faz lembrar também que há alguns anos , quando as malfeitorias de determinado partido vieram a público , seus representantes se “defendiam” perguntando: “Por que tanto ódio?” Ao que poderíamos responder: “Não tenho ódio em relação a ti ou aos do de teu partido, mas corrija teus erros , não engane ou traia a confiança de quem te elegeu. Mas se assim se “defende” somente atesta que não pretende se corrigir e sim se evadir de suas responsabilidades”
      Não posso ignorar o mal preconizado no manifesto comunista que sustenta conflitos e destruição para, supostamente, instalar um “bem”, entre outras coisas afirmando: “… As leis, a moral, a religião são para ele (proletário) meros preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses.
      Quando Marx e Engels exclamavam: “Proletários de todos os países, uni-vos!”, na verdade sustentavam uma maldição, da qual a humanidade já é vítima sem que seja necessário fomentá-la? Afirmavam de fato: “Seres humanos de toda a Terra, dividi-vos, separai-vos!” Antes das relações de trabalho, são os valores de cada ser humano, e do seu conjunto em sociedade, que resultam na formação das instituições, das leis, na superestrutura da sociedade.
      Ver pessoas esclarecidas e letradas tentando identificar algo de superior no marxismo causa perplexidade. É como ver alguém tentando tirar alimento de um prato sabidamente envenenado. Sendo o capitalismo um erro não pode justificar outro pior. Porém, assim como estamos, se for criada uma terceira via ali se assentará o mal.
      Saúde, força e paz.

      • Parabéns, está é mais uma resposta muito boa, desconstituindo o discurso de quem faz apologia do comunismo.

        Os comunistas não estão acostumados a ser refutados, muito menos ser refutados com tanta educação.

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