Folha de S. Paulo abala Teixeira; Record tentou mas não conseguiu

Pedro do Coutto

O título acima é, a meu ver, uma síntese concreta do poder da imprensa escrita, como se diz usualmente, e a influência e da televisão e da Internet. Estou me referindo, claro, ao plano político e administrativo. Não à esfera comercial, uma vez que nesta a TV é insuperável. Suficiente dizer que a Rede Globo, por exemplo, detém 60% do volume publicitário do país. A Rede Record de Televisão desencadeou, de um ano para cá, intensa campanha contra o presidente da CBF, Paulo Henrique Amorim foi à Suiça, onde se desenrola um processo judicial contra Ricardo Teixeira, apresentou reportagens focalizando sua luxuosa residência na Barra da Tijuca, sua fazenda em Piraí, além de outros bens. Teixeira não se sentiu atingido.

 O abalo, isso sim, começou a partir do momento em que a Folha de São Paulo passou a publicar reportagens iluminando seus problemas e também o distanciamento que a presidente Dilma Roussef quis manter dele, sentando-se ao lado de Pelé quando do sorteio das chaves para a Copa de 2014, no Hotel Windsor, no Rio. A que se pode considerar o final de seu longo mandato. Abalou seriamente.

Na edição de O Globo de 15 de fevereiro, Ancelmo Gois chegou a anunciar sua saída iminente. No mesmo dia, Sérgio Rangel, na Folha de São Paulo, revelou a vinculação direta de Teixeira com as empresas Allianto e VSV Agropecuária Empreendimentos, que teriam intermediado irregularmente partidas internacionais da Seleção Brasileira. A Allianto pertence ao presidente do Barcelona, Sandro Rossell. A VSV, registrada no Brasil, tem como sede exatamente a fazenda do presidente da CBF.

No dia seguinte, 16, a Folha voltou a carga com novo texto de Sérgio Rangel e também uma reportagem assinada por Bernardo Otri, Eduardo Okata, Martin Fernandez e Nelson Barros Neto. Num dos blocos da edição de quinta-feira, publica a movimentação de dirigentes de federações estaduais de futebol em busca de um substituto para Ricardo Teixeira. Este – ressaltou o jornal – passou a agir como se fosse afastar-se imediatamente, demitindo pessoas, como um tio seu, Marco Antonio Teixeira, cujo salário era de 88 mil reais por mês, e arrendando bens que possui.

Não deve ser tarefa fácil. Os bens, como está no jornal, são muitos. Coisas do futebol, como ouço dizer há muito tempo, frase usada para registrar imprevistos do destino. A diferença entre a força da mídia de papel e das telas mágicas está bem caracterizada na novela que se aproxima do fim.

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UM OUTRO ASSUNTO

Um outro assunto. Quando há cerca de dois meses, houve vazamento de um poço na bacia de Campos sob exploração conjunta da Chevron e Petrobrás, o Secretário do Meio Ambiente do RJ, Carlos Minc, entrou no palco dos acontecimentos, assumindo a posição de ator principal. Acusou a Chevron de tudo. Omitiu a responsabilidade conjunta da Petrobrás. Voou de helocóptero, junto com equipes da TV Globo, Record e BAND, acusou a Chevron de poluir diretamente praias, indiretamente lagoas, além de causar a morte de espécies raras de peixes. Para culminar, ameaçou multar a empresa americana em 20 bilhões de dólares.

Apareceu nas páginas, nas redes, nas emissoras de rádio. A opinião pública acompanhou inclusive sua ameaça de propor a proibição da Chevron permanecer no Brasil.

Muito bem. Depois do que ocorreu no poço do Frade, a Petrobrás provocou dois outros vazamentos, um deles igual, o outro maior que o da Chevron. O que acha que Carlos Minc destes dois desastres ecológicos? Não se sabe. Ele preferiu o silêncio. Nada disse até agora. Omitiu-se. Por quê?

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