“Fomos surpreendidos pela existência de um propinoduto nas vacinas”, diz Simone Tebet

A senadora Simone Tebet (MDB-MS)

Simone Tebet vem fazendo uma atuação brilhante na CPI

Ana Paula Ramos e Larissa Arantes
Yahoo Notícias

Integrante ‘extraoficial’ da CPI da Covid no Senado, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que é chamada de líder da bancada feminina, afirma que a comissão já comprovou a omissão do governo federal na condução da pandemia do coronavírus, o que pode basear um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

“Está comprovado, por documentos, testemunhas, vídeos e perícias, que o governo federal foi omisso e que houve uma intenção”, disse a parlamentar, em entrevista exclusiva ao Yahoo!.  “Já tem crimes da primeira fase, com crime de responsabilidade, o que permitiria à Câmara abrir um processo de impeachment”, acrescentou.

EM NOVA FASE – No entanto, Tebet explicou que a CPI da Covid não pode se concentrar no impeachment, porque precisa entrar numa nova fase de apuração dos possíveis esquemas de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, por meio do superfaturamento das doses.

“Fomos surpreendidos por denúncias de um possível esquema de propinoduto, de compra de vacinas superfaturadas. Só não foi efetivada, embora todos os trâmites tenham acontecido, porque houve a denúncia de um servidor público”.

No depoimento à CPI da Covid, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) afirmou que Bolsonaro citou o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), quando foi informado pelo parlamentar e por seu irmão, Luis Ricardo Miranda, no dia 20 de março, sobre irregularidades envolvendo o contrato de R$ 1,6 bilhão assinado pelo Ministério da Saúde com a Precisa Medicamentos para a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

LÍDER ENVOLVIDO – O nome do líder do governo Ricardo Barros só foi confirmado pelo deputado Luís Miranda após uma incisiva intervenção de Simone Tebet no depoimento. “Aquela revelação foi decisiva em todos os aspectos”, destaca a senadora.

Durante sessão da CPI, no último dia 6, foi ela também que apontou diversos erros nas invoices (espécie de nota fiscal) apresentadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Elcio Franco. Segundo Tebet, os documentos foram manipulados e contêm uma série de indícios de fraude. “Não é mera narrativa”, avaliou.

“Nós já temos todos os elementos probatórios em relação ao contrato da Covaxin. A nota de empenho poderia ser feita, mas o contrato não podia ser assinado. Não havia lei permitindo a compra de vacinas sem a autorização da Anvisa ou das ‘Anvisas’ da Europa, da China ou dos Estados Unidos”, disse.

PAGAMENTO ANTECIPÁDO – “Tínhamos Invoices equivocadas, que não eram apenas erros formais, com pagamento antecipado, com doses erradas, para favorecer uma empresa que não constava no contrato”, pontuou.

A senadora destacou ainda que, apesar de alguns senadores terem avaliado que a denúncia feita pelos irmãos Miranda comprova que o presidente Jair Bolsonaro cometeu o crime de prevaricação, Tebet discorda.

“Neste momento, o crime de prevaricação a meu ver, não é o que a maioria dos colegas entendem, recai muito mais a suspeita em cima do ex-ministro Pazuello”, destaca. De acordo com a parlamentar, o ex-ministro da Saúde precisa mostrar que solicitou que a denúncia sobre a vacina Covaxin fosse apurada.

“Se não houver essa documentação, aí sim nós vamos ter que investigar quem dos dois prevaricou, se Pazuello ou o ex-secretário Executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco. Se não forem os dois, poderemos, sim, chegar ao presidente da República”, resumiu.

FAZER ACAREAÇÕES – Por isso, diante dos novos fatos que precisam ser apurados, Tebet não descarta que sejam reconvocados depoentes como Élcio Franco e que sejam feitas acareações entre aqueles que já deram esclarecimentos à CPI.

Um dos assuntos da entrevista também foi o enfrentamento às atitudes machistas de parlamentares que tentam calar e atrapalhar o trabalho das senadoras.

Ao ser questionada sobre o episódio com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), durante o depoimento da diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, a senadora foi enfática em dizer que “não é só ele”. Na avaliação da parlamentar, “há todo tipo de discriminação, de agressões verbais e, às vezes, psicológicas”. Ela relembrou ainda o episódio em que cobrou uma retratação do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pelas acusações que fez, sem provas, contra a senadora Kátia Abreu.

TERCEIRA VIA – A senadora Simone Tebet desconversou a respeito de sua possível candidatura à Presidência da República em 2022, por sugestão do deputado paulista Baleia Rossi, presidente do MDB.

“O foco neste momento é dar suporte às autoridades públicas no que se refere à pandemia e, no caso da CPI, investigar as suspeitas de corrupção. Então, vamos deixar para discutir eleição a partir de setembro”.

E defendeu a importância de uma candidatura de ‘terceira via’ na eleição de 2022. “Acredito que o MDB deva lançar candidatura própria, é uma opinião, mas vou trabalhar por uma candidatura da terceira via, seja ela qual for, para que ela vá ao segundo turno no lugar do atual presidente da República.

7 thoughts on ““Fomos surpreendidos pela existência de um propinoduto nas vacinas”, diz Simone Tebet

  1. Senadora irresponsável. Não tem condições de provar nem uma dessas acusações que faz. Dessa vez tratou de cobrir o ponto eletrônico na orelha, marionete da Plim Plim.

  2. SIMONE TEBET é uma excelente senadora. A cada dia, mais me entusiasma com a sua inteligência e percepção dos fatos. Precisamos de gente como ela para consertar esse Brasil já tão alquebrado pelos políticos imbecis e desonestos.

  3. O fato é que há muito tempo estamos à mercê de psicopatas loucos por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$, capazes de tudo (tudo mesmo) e qualquer coisa para lograrem os seus intento$, capazes de representar ou tentar representar todo e qualquer papel até o de desinteressados, capazes de vestir toda e qualquer fantasia, à moda camaleões, como já disse o HoMeM, que merece o nosso crédito e respeito porque é o único político deste país que preferiu ficar do lado de fora do cercado partidário dos mesmos para não se contaminar e tb porque sempre soube que um dia o Brasil e, sobretudo, o povo brasileiro precisaria de um HoMeM apegado à verdade como ela realmente é, propositivo, que chama as coisas pelo nome, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, que não tem medo de dizer as verdades libertadoras que estavam para serem ditas no Brasil há pelo menos 131 anos, face às mentiras da república que fizeram com que até o próprio Rui Barbosa um dos país da criança junto com as espadas de Deodoro e Floriano sentisse vergonha de ser honesto sob o teto da dita-cuja. O fato é que por detrás das cortinas de fumaça da tal “CPI” para inglês ver, do tal “voto auditável”, etc., etc., etc. e tal…, mais uma boiada passou, a do famigerado e criminoso “fundão eleitoral”, associado ao famigerado “fundo partidário”, ladrões do sangue, suor, vidas e lágrimas da população trabalhadora e contribuinte, cercada de carrapatos de todos os matizes e estirpes, por todos os lados. E daí, na cara de pau, os mesmos ainda tem o desplante de tentarem se passar por terceira via, como fez Bolsonaro, em 2018, que se passou por nova política não obstante na condição de dinossauro escondido atrás de um pé de alface, roubando assim criações e conceitos populares que na verdade são contra ele$ mas que, face ao imenso poderio financeiro, movimentação, e infiltração e a falta de escrúpulos dos mesmos, acabam capturados por ele$ que os praticam à moda porras-loucas inescrupulosos que terminam sempre na tragédia da corrupção que não obstante tudo continua dando as caras e jogando de mão, com o coitado do povão, tolo, conduzido à moda boiada, seduzido pelas mentiras dos mesmos, às vezes vestias com as roupas roubadas da verdade, sempre entrando de gaiato no navio furado dos mesmos, apaixonados pelos ditos-cujos, à moda bucha de canhão, brigando pelos mesmos entre irmãos em casas em que faltam até pão, sem saber sequer porque se tramaram nos xingamentos e até nos tapas,e se tornaram inimigos, constatações essas feitas apenas depois dos golpes ou das eleições, porque os resultados, exceto para as patotas dos mesmos, são sempre decepcionantes para o conjunto da população, inclusive para os cabos eleitorais remunerados que tb restam a ver navios, na frustração da entressafra na inanição.

  4. Agora os jairianos apelam para a ofensa rasteira, como faz o seu ídolo pé-de-barro: chamam a senadora Tebet disso e daquilo. Não, meus caros, ela está a muitos anos-luz de distância do Messias endemoninhado.

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