Fora do governo, Patrus Ananias retoma normalmente sua vida de professor e funcionário público. É um exemplo para outros ex-ministros, que tentam se pendurar nas tetas da viúva.

Carlos Newton

Quase dois meses depois da troca de governo, diversos ex-ministros do presidente Lula continuam no sereno, sem terem conseguido uma colocação no segundo ou terceiro escalão de Dilma Rousseff. Quem deu o mais belo exemplo foi o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que imediatamente reassumiu seu trabalho na Assembléia de Minas Gerais, na Escola do Legislativo. Voltou também a dar aulas na UFMG.

“O que não se coloca para mim neste momento, onde a vista alcança, é a disputa política eleitoral ou a disputa interna no partido por cargos. Meu desejo, minha opção, é a militância mais livre”, diz Patrus Ananias, que sem dúvida é um dos melhores quadros do PT e segue o exemplo de Olívio Dutra, ex-governador gaúcho. Quando deixou o cargo, Dutra imediatamente voltou a seu emprego anterior no Banco do Brasil.

Outros ministros de Lula também tinham empregos públicos e já reassumiram, como o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende (PSB), que retornou  à Universidade Federal de Pernambuco, onde é professor e pesquisador desde 1972. “Decidi que agora quero me dedicar à vida acadêmica, sem qualquer pretensão de ocupar postos no governo”, declarou, dizendo-se satisfeito por voltar à rotina universitária e ao contato com pesquisadores e estudantes.

O ex-ministro da Saúde, José Temporão (PMDB), voltou à Fundação Oswaldo Cruz, onde há 30 anos trabalha como professor e infectologista. Agora, dirige o Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.

Quem está no sereno mesmo é o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). Quis ser ministro novamente, não conseguiu. Tentou ser indicado à Presidência de Furnas, também não conseguiu. Agora, tem esperanças de ser nomeado para a diretoria de alguma grande estatal. Mas seria mais fácil voltar à TV Globo, especialmente em função dos fantásticos serviços prestados à organização enquanto esteve no Ministério.

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O comentarista Alexandre de Oliveira Brito retifica o texto, dizendo: “Olivio Dutra, logo após encerrar seu mandato de prefeito de Porto Alegre, retornou a trabalhar no BANRISUL onde era funcionário. Quando governador , já era aposentado.Depois do presidente Lula pedir o Ministério das Cidades, onde era titular, para entregar ao PP. Olivio nunca mais exerceu cargo publico”.

E o comentarista Paulo Renato também nos corrige: “O Patrus é uma figura pública fantástica, um ser humano incrível. Com certeza, um dos melhores quadros da política brasileira, independente da ideologia partidária. Contudo, quero esclarecer que ele é Professor da PUC-MG, e não da UFMG”.

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