Fora o poder público

Luiz Tito

O país conviveu nos últimos dias com a repetição de problemas que parecem não ter fim: a falência operacional dos nossos aeroportos, como parte de uma falência ainda muito maior, que é da infraestrutura de transportes e mobilidade no Brasil. O que ocorreu nos principais aeroportos brasileiros nesses dias não é nada além do esperado e é, em menor volume, vivido todos os dias por passageiros, companhias aéreas e operadores.

Os principais aeroportos brasileiros, junto com as rodoviárias, as estações de metrô e tudo do gênero comandado pelo poder público, têm uma falta de qualidade quase imoral, desumana, nojenta e onde prosperam esquemas criminosos de corrupção, desvios e favorecimentos.

Nas mãos do poder público, essas estruturas são inoperáveis, porque viraram formas múltiplas de ganho fácil, de empreguismo, de acobertamento de centenas de negociatas, de interesses de empresas prestadoras de serviços e exploração dos usuários. Não há saída. O poder público, no mundo e obviamente também no Brasil, é incompetente para administrar tais operações, com qualidade e economia. Os prejuízos à economia são pagos pelo contribuinte, por toda a sociedade.

NEGOCIAR BEM

Perdemos a oportunidade de negociar bem e com eficiência a concessão à iniciativa privada de estradas, portos e aeroportos, numa fase onde os investimentos estrangeiros estavam decididos a desembarcar no Brasil. Gastamos tempo discutindo se a opção pela concessão desses serviços era privatização, ressuscitamos o discurso desatualizado da defesa do patrimônio nacional, como se o interesse coletivo pudesse esperar. O resultado está aí. Vivemos na contramão do mundo, nessas decisões. Em toda a Europa desenvolvida, serviços públicos que prestam e que funcionam estão em mãos privadas. Em cidades com demandas muito maiores do que as que temos no Brasil, faça sol ou chuva, aviões, trens e veículos operam, com pontualidade, qualidade e com segurança.

O brasileiro que viaja com certa frequência se escandaliza com o estado do Galeão, de Cumbica, de Congonhas e também de Confins, apenas para citar alguns. As estações rodoviárias e de metrô dessas mesmas cidades são repugnantes. Isso é desrespeitoso com o usuário, que paga para ter serviços com um mínimo de qualidade e não tem com quem reclamar quando não os recebe. O mesmo vale para nossas estradas.

Há mais de 15 anos, rodovias federais não têm balanças regularmente em funcionamento. Quem se vale da BR–135 para ir à Zona da Mata e tem que passar pelo trecho da rodovia que se estende até Congonhas convive com permanente ameaça de morte, pelo desordenado trânsito de caminhões, especialmente das mineradoras. Culpa de seus condutores? Nem sempre. Nossas estradas não reúnem condições técnicas para absorver tanta ocupação. Esse mesmo exemplo pode ser visto em toda malha rodoviária brasileira, que está sob cuidados do poder público.

Estradas mal conservadas, insuficientes para acolher a demanda que têm, fontes de uma corrupção crônica na contratação de obras de sua construção e manutenção, vias assassinas se observarmos os índices de acidentes que mantêm. Exatamente o contrário assistimos nas estradas privatizadas. Por que insistirmos nesse atraso e irresponsabilidade? (transcrito de O Tempo)

5 thoughts on “Fora o poder público

  1. A DeutschBahn alemã é estatal e funciona muito bem. Ótimos trens, metrôs, ônibus elétricos (tram). Muito pontuais, prestando serviço de excelência para a população. Esse discurso não cola. Precisamos de homens de bem que se preocupem com o bem comum, sejam eles governantes ou empresários. Aqui no Brasil tem uma penca de serviços que foram privatizados ou concedidos que funcionam de forma precária. Necessário é que os governantes sejam corretos na gestão do dinheiro público e que os empresários sejam menos gananciosos às custas da miséria dos outros.

  2. O articulista é totalmemnte desarticulado.

    Senta em cima do rabo privado e, desanda a falor do rabo público.

    Mesmo porque se dependessemos da iniciativa privada neste país, estariamos vivenda na idade das cavernas.

    Eles sempre mamaram nas tetas da mãe gentil, privatisam o lucro e, socialisam o prejuiso.

    Aqui não existem capitalistas, ma sim, mercantilistas da pior qualidade.

  3. FORA O PODER PÚBLICO: Se todos pensarmos assim, o estado não tem razão de existi. O que me parece é que muita gente acha bonito a palavra “terceirização” ou exploração da maioria pela minoria, os donos do capital. Vende-se a ideia de que tudo que é terceirizado funciona muito bem, isto é meia verdade. O que acontece no Brasil é que se fabrica empresário de hora em hora. Fabrica-se empresa sem nenhum compromisso social, mas com um só interesse, enriquecer grupos de pessoas. Coloca-se o bem público nas mãos de espertalhões e o povo nem ver essa tão propalada qualidade. De fato ela não existe, pelo menos em nosso país cheio de vícios e corrupção. Não precisa privatizar pra dar certo. O que precisa é melhorar o nosso sistema que está falido e viciado. Político não precisa ter foro privilegiado, ele se colocou a serviço da nação, portanto para servir. Magistrado precisa responder pelos seus erros. E a população pelos dela. Cada um tenha certeza que responderá perante a lei sem privilégio pra ninguém. Não diz a lei que todos somos iguais, porém, com funções diferentes. É assim que se comporta a sociedade. Então pra que criar os desiguais. Isso é uma esperteza dos que se acham inteligentes e pensam e vivem à margem da lei. Acabemos com os privilégios e tudo fluirá harmoniosamente.

  4. Concordo contigo, lafer, em número, gênero e grau! Quanta desarticulação num artigo tão pequeno! No afã de defender o indefensável, o (des)articulista saiu atirando prá todo lado! Bem se vê que não se trata de “um comum do povo”. Certamente, nunca entrou na ‘gare’ da Central do Brasil, aqui no Rio, privatizada, diga-se de passagem, cujos banheiros são administrados pelo Sr. Barata, aquele mesmo dono da maioria dos onibus que circulam por aqui, cujas passagens são as mais caras do planeta, e os serviços, ó! Pois bem, para usar um termo empregado pelo articulista, os banheiros são repugnantes! De graça? Aqui, ó: R$ 1,40 só prá fazer um xixi! Os trens da ‘supervia’ , igualmente repugnantes, atrasados e com as passagens caras, muito caras (privados, é claro!) bem, é melhor nem comentar…

  5. Sem falar das maracutaias das concessionarias de todo gênero contra o bolso dos usuários, sobressaindo as telefônicas. E muito mais … Claro que com a robalheira patrocinada pelas mais altas autoridades do país nada pode funcionar econômicamente. Mas daí concluir pela superioridade geral da iniciativa privada vai um buraco negro …

    J G Borges
    Tubarāo, sc

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