Força da candidatura de Lula está no eleitorado de menor renda

Reação à política econômica reflete-se nas pesquisas

Pedro do Coutto

Numa excelente matéria publicada com destaque neste domingo, na Folha de S. Paulo, Joelmir Tavares, com base nos dados do Datafolha, mostra que a dianteira de Lula sobre Bolsonaro na última pesquisa (48% a 27%) decorre da maior influência do ex-presidente nos grupos de menor renda da população.

Joelmir Tavares focaliza que os votos variam na maior parte das eleições de acordo com a sintonia dos candidatos em faixas que podem ser sintetizadas na seguinte divisão de renda: de até um salário mínimo , de dois a cinco salários mínimos. E a outra faixa, acima de cinco salários mínimos, incluindo os que ganham mais de dez salários mínimos mensalmente.

EXEÇÕES – Em meu livro “O voto e o povo”, no final da década de 1960, focalizei esse fenômeno, e os resultados eleitorais, principalmente no antigo Estado da Guanabara, serviram de fonte de referência bastante sólida. Na estrada do tempo das eleições de 1955 até as de hoje, duas exceções se verificaram: Jânio Quadros conseguiu penetrar razoavelmente nas classes proletárias, e Jair Bolsonaro venceu disparado em 2018 já num embalo de um movimento intenso contra o governo Dilma Rousseff e o PT.

Os exemplos de votos por divisões por classe são muitos. A vantagem que Lula obtém se explica por temos no país uma maioria esmagadora da população que está contida na faixa de um a cinco salários mínimos.

A faixa dos que ganham até um salário mínimo inclui 35% da população brasileira. Se estendermos até dois salários mínimos, essa proporção chega até quase 60% da população. Essas correntes estão maciçamente com a candidatura de Lula da Silva.

VANTAGEM MENOR – Na faixa que recebe acima de cinco salários mínimos, Bolsonaro tem vantagem, porém menor do que a obtida por Lula nas outras faixas. O que se verifica no país acentua a dianteira do ex-presidente Lula, pois a política de concentração de renda de Paulo Guedes, apoiada por Boslonaro, cria condições contrárias ao voto.

Como o governo que congela os salários, todos praticamente, pode receber os votos dos que estão sob essa intensa crise econômica, sofrendo diariamente com a alta do custo de vida? A reação se faz sentir nas pesquisas e provavelmente nas urnas.

REFINARIAS –  Na mesma edição da Folha de S.Paulo deste domingo, Nicola Pamplona expõe com clareza o problema dos combustíveis no Brasil, gerando a alta de preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha em virtude da quase nenhuma expansão de refinarias brasileiras.

O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de petróleo. Sua produção é de cerca de 3 milhões de barris por dia. O seu consumo de 2,5 milhões de barris diariamente. Sobram 500 mil barris para exportação, e que são favorecidos pelos preços do mercado internacional e pela valorização do dólar. Mas tais efeitos não são considerados pelo Ministério da Economia. Só as despesas decorrentes do que importamos.

PROCESSAMENTO – E importamos gasolina, diesel e gás porque o óleo produzido pelo nosso pré-sal não é processado pelas nossas refinarias em condições econômicas, como consequência da falta de investimentos dos governos nas últimas duas décadas em refinarias adequadas.

Vemos que, no caso do refino, as empresas responsáveis pela exportação de gasolina, diesel e gás para o Brasil não têm interesse que o país refine o óleo do pré-sal, pois assim perderiam o mercado comprador. Existe a atuação de forças ocultas contra a construção de refinarias mais modernas no país. Isso é evidente.

17 thoughts on “Força da candidatura de Lula está no eleitorado de menor renda

    • Rue des Sablons, a senadora candidata pelo MDB ainda não conseguiu decolar. Teve o apoio do PSDB e do Cidadania, mas, é muito pouco para empolgar a base.
      O movimento do Partido União Brasil para lançar Luciano Bivar, impediu essa importante aliança em torno de Tebet. O União tem o maior tempo de TV e Recursos Eleitorais, mas, ficar a reboque de outro Partido, no caso o MDB de Tebet, não teria o condão de eleger uma bancada de deputados pelo menos igual a dessa legislatura, que é a maior dentre todas as legendas.
      Pediu o interesse de Bivar, de ACM Neto e dos deputados do União, que buscam a reeleição.
      Em relação ao PSDB, pouco agrega a candidatura da senadora, mesmo com Tasso Gereissat, o tucano do Ceará de vice. O PSDB está dividido no Sul ( Eduardo Leite), em Minas ( Aécio Neves) e na base do Partido em São Paulo. A jogada dos caciques para tirar Dória da disputa, rachou os tucanos na base.
      O ex Governador, que se elegeu com o slogan, BolsoDoria, saiu magoado e em coletiva hoje em São Paulo anunciou a renúncia da vida pública partidária. Vamos ver até quando? Pelo menos por ora, ele deu o troco, saindo do jogo eleitoral.

      Também considero, um sonho de noite de verão, a aliança lá na frente, da chapa Ciro/Tebet ou Tebet/ Ciro. O cearense está na frente de Tebet nas pesquisas e não vai querer seguir como vice. Tebet tem pontuado, que só aceita ir em frente, como cabeça de chapa. Por aí, não vislumbro uma união para alavancar a Terceira Via. Ciro e Tebet vem enfrentando pressões de deputados do MDB e do PDT para desistirem visando preservar a eleição de deputados federais, que estão nos palanques estaduais atrelados na Campanha de Lula ou de Bolsonaro.
      Uma frase desponta nessas eleições: ” O Brasil não é um país para principiantes”.

  1. Sr Pedro do Coutto, as refinarias da Petrobras processam cerca de 93% de petróleo nacional, fruto de sucessivos revamps realizados nas refinarias nos últimos 20 anos. A parcela de óleo arábico importada é utilizada majoritariamente na REDUC pra produção de lubrificantes. Esses dados podem ser encontrados nos relatórios setoriais disponíveis no site da ANP, peço a gentileza de que não propague mais essa informação desatualizada e repetida a rodo nos jornais.
    Nosso gargalo se chama novas refinarias, vamos convidar a BP, Shell, Total, Exxon, Equinor, a investir em novas unidades de refino no Brasil, afinal o mercado é aberto para eles empreenderem nesse setor desde o século passado? Não, preferem comprar refinarias prontinhas e já amortizadas da Petrobras na xepa, com mercados regionais cativos, e vendendo derivados bem baratinhos, como pode ser constatado com a refinaria de Mataripe, antiga RLAM.

    • Rafael, as empresas privadas do setor petrolífero, não querem construir Refinarias, porque o custo é muito alto, passando dos 10 bilhões e no mínimo 10 anos para recuperação dos investimentos. Então, se torna mais cômodo e lucrativo, deixar o Estado construir para depois pressionar os governos a privatizar o ativo, a preço de banana, como foi feito com a Vale Rio Doce, todo o setor da Siderúrgia e da Distribuição de Energia Eléctrica.
      Agora, Guedes e Bolsonaro avançaram com rapidez impressionante, na privatização da geração ver energia, com a venda de ações da ELETROBRÁS. O governo entregou para o setor privado, a gestão da companhia, apesar de ainda deter a maioria das ações. O valor arrecadado na Bolsa ( 35 bilhões) será usado para compensar a alta dos combustíveis. Vitória de Pirro, porque um novo aumento do barril de petróleo, jogará por terra todo o esforço para baixar o ICMS.
      O desespero para conseguir votos na eleição de outubro, fez os Liberais conservadores, Guedes e Bolsonaro, a implorar num evento com donos de supermercados, para eles ajudarem o governo a derrotar o Lula, congelando por três meses todos os gêneros alimentícios. Vejam só, para ganhar a eleição de outubro, estão copiando o Plano Cruzado de Sarney voltado para o congelamento de preços, conduzido por Dilson Funaro, o Guedes do Sarney. Com aquele engodo, o MDB elegeu quase todos os governadores, menos o de Sergipe.
      O congelamento de preços, até seria uma medida justa, porque compensaria o congelamento de salários, porém, trata-se de medida inócua, pois provoca desabastecimento, uma maneira dos empresários reagirem a medida. A classe trabalhadora, não tem saída. Ou aceita o congelamento, ou pede para sair ou então será demitido o trabalhador que protestar.

      • É isso aí, Rafael,
        parece que a mídia comprou a ideia falaciosa de que nossas refinarias não são capazes de produzir derivados com nosso petróleo.

        Quanto aos óleos lubrificantes, lembro que o petróleo baiano,, bastante parafínico, era propício para fazer isso. Talvez para a produção de CAP o nosso petróleo não seja apropriado.

  2. A Petrobras não é uma empresa cujo objetivo é o bem-estar da sociedade brasileira. Sua prioridade é o dividendo aos acionistas. Dane-se o povo.

    • Discordo Dirceu.
      A Petrobrás, desde a sua criação, em 1954, numa luta de civis e militares nacionalistas, ajudou o país da dependência da importação de petróleo e abriu caminho para a industrialização do Brasil.
      No governo Temer, comandado pelo Pedro Parente, economista liberal, houve a mudança dos cálculos do aumento dos combustíveis, os atrelando as oscilações do dólar e aos preços do barril de petróleo. A questão petrolífera é complexa. Por decisão errada, do congelamento da construção de novas Refinarias, ficamos reféns da importação de diesel. O refino e tão importante, quanto a produção de petróleo.
      Vejam bem, a dupla Guedes e Bolsonaro, mais perdidos do que nunca, decidiram vender algumas Refinarias a preços baratinhos. Ninguém fala na construção de novas Refinarias.
      Também, diferentes governos, venderam ações da maior estatal brasileira, na Bolsa de Valores, fragilizando a posição da empresa no Conselho de Administração.
      Os Liberais do Brasil, sempre defenderam o argumento de que as estatais que davam prejuízo deveriam acabar e serem privatizadas.
      Pois bem, a Petrobrás é super lucrativa, mas, estão privatizando e fatiando a empresa. Aos poucos, vão tirando aqui, tirando ali, como a BR privatizada, os dutos de petróleo privatizado, Refinarias privatizadas, enfim, a mesma política nefasta de ir no ando aos poucos até baterem o martelo final.
      Podem ter certeza, de que a privatização da Petrobrás tornará a situação dos aumentos ainda pior. Nenhum presidente trocará nenhum presidente, na tentativa de redução de preços. Além do mais, toda a tecnologia do pré sal será entregue para o comprador do martelo da privatização.
      Já praticaram o crime de lesa pátria na ELETROBRÁS, quanto a Petrobrás, a sangria está em andamento. Essa notícia de que, só em quatro anos para privatizar, não procede, trata-se de receio de perder votos, uma coisa sagrada, mas, os fatos desmentem as falas, a venda de ativos corre solta e não é no escurinho do cinema.

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