Força-tarefa da Lava Jato aperta o cerco a José Dirceu

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso
Estadão

O lobista Milton Pascowitch – preso pela Operação Lava Jato – acusado de operar pagamentos de propina no esquema da Petrobrás para a empreiteira Engevix Engenheria, foi quem pagou R$ 400 mil do imóvel comprado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em 2012, onde funcionava a sede de sua empresa de consultoria em São Paulo, a JD Assessoria e Consultoria Ltda.

A compra é alvo central do inquérito da Polícia Federal que apura corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Dirceu, a JD e seu irmão e sócio Luiz Eduardo Oliveira e Silva. Comprado por R$ 1,6 milhão, no ano em que ele começava a ser julgado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, Dirceu registrou em cartório ter dado R$ 400 mil de recursos próprios no negócio.

Em relatório de janeiro, a Receita Federal suspeitou da movimentação financeira porque o dinheiro não passou pela conta-corrente de Dirceu naquele ano. O documento resultou em inquérito aberto em 30 de janeiro, para apurar corrupção e lavagem de dinheiro na aquisição desse imóveis e de outro, em nome do irmão.

PAGAMENTO DIRETO

Nesta quarta-feira, 17, pela manhã, o ex-ministro, por meio de sua defesa, apresentou documento no inquérito em que revelou que o valor não pode ser rastreado em sua conta porque o dinheiro foi pago pela Jamp Engenheiros Associados, diretamente para o escritório responsável pela venda do imóvel, na Avenida República do Líbano, em São Paulo.

Em nota enviada ao Estadão na tarde de quarta-feira, a assessoria de José Dirceu diz: “Como corretamente aponta o relatório da Receita Federal, os R$ 400 mil reais não passaram pelas contas bancárias do ex-ministro nem da JD Assessoria e Consultoria porque foram pagos, como parte do contrato, pela Jamp Engenharia diretamente ao então representante do espólio do imóvel, o escritório de advocacia Leite & Rossetti.”

“A operação foi perfeitamente legal”, afirma o advogado de defesa do ex-ministro, o criminalista Roberto Podval. “A forma como se deu o pagamento – diretamente para conta de terceiro – estava explicitamente prevista no contrato entre a JD e a JAMP.”

OPERADOR DO ESQUEMA

A Jamp pertence a Pascowitch – que está preso em Curitiba – acusado de ser um dos 11 operadores de propina das empresas acusadas de cartel, com elos na Diretoria de Serviços da Petrobrás. A área era uma das controladas pelo PT, segundo os processos, por meio do ex-diretor Renato Duque, que teria sido indicado de Dirceu. Eles negam.

A Jamp assinou contrato com a JD em 2011, para pagamento de serviços que Dirceu teria prestado de consultoria internacional para a empreiteira Engevix. Foram pagos R$ 2,6 milhões entre 2008 e 2012 para a JD, de José Dirceu. Desses, R$ 1,4 milhão foram pela Jamp.

Segundo Roberto Podval, a cláusula 11 do contrato estabelecia que “os depósitos poderão ser efetuados em outras contas-correntes de sua titularidade ou, ainda, da titularidade de terceiros que venha indicar, responsabilizando-se isoladamente por estas operações”.

“Após o pagamento efetuado pela JAMP diretamente aos proprietários, a JD emitiu respectiva nota fiscal contra a JAMP no valor de R$ 436.449,79, recolhendo os impostos incidentes. Todas as informações já foram encaminhadas e são do conhecimento da Justiça Federal do Paraná.”

2 thoughts on “Força-tarefa da Lava Jato aperta o cerco a José Dirceu

  1. Os militares tinham razão quando falavam de Zé Dirceu ,um elemento perigoso capaz de tudo.
    Não se enganaram e ainda falam:Eu não disse?
    ,

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