França futebol, a REVOLUÇAO da SELEÇÃO. Negros, imigrantes, multidões de gente discriminada, salários baixíssimos, incompetência e “maquiavelismo” de Sarcozy.

O povão da Itália “sentiu” a derrota, mas não foi surpresa. A seleção vinha mal, terminar sem vitória e em último lugar, doeu, mas era esperado.
Já na França, a crise que se instalara no país, antes mesmo da surpreendente eleição da direita (fora de moda a “classificação” ideológica) de Sarkozy.

Os ingredientes (negros, imigrantes, salários, discriminação), ganharam primeiras páginas, atingiram o coração do próprio governo. Houve de tudo além da derrota, que poderia ser o de menos.

Os jogadores não eram os melhores, mas não são os mais culpados. Deram até uma boa justificativa, embora injustificável: “Não acreditávamos que a França fosse tão atingida pela eliminação”. E realmente não foi, afinal em 19 Copas a França só venceu uma, em casa e favorecida por circunstâncias inesperadas.

A França, depois da tremenda catástrofe que foi a derrota para a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, (Paris foi invadida em 22 de abril de 1940, mal começara a luta) ficou durante muito tempo dividida entre comunistas e socialistas.

(Excetue-se a eleição de De Gaulle, chamado para salvar a França em 1958 e reeleito em 1967, com Mitterrand enfrentando-o sob protesto, não queria dividir o país. De Gaulle ganhou a primeira por 54% contra 46%. Na segunda, em 1967, Mitterrand se recusou a concorrer).

De Gaulle renunciou em 1969, Mitterrand continuou não querendo concorrer, o que só faria em 1974, (perdendo para D’Estaing) e em 1981, ganhando do próprio D’Estaing no Poder. Reeleito em 1988, ganharia novamente em 1995, não fosse o câncer que o matou.

Mas esse câncer não liquidou apenas Mitterrand, acabou com as lideranças de esquerda. O Poder foi para o conservador Chirac, não queriam que fosse reeleito, concordaram reduzindo seu mandato de 7 para 5 anos. Ainda assim queria outro período, não conseguiu.

Mas depois dele veio o fim do mundo, que é Sarkozy, não conservador, mas reacionário mesmo. Surpreendente, porque os franceses sempre votavam neles mesmos, nos seus direitos, salários, e até levando em consideração as horas de trabalho semanal.

Tudo isso explodiu na Copa do Mundo. Embora a França não seja uma escola de futebol nem tenha a tradição desse esporte, a seleção é paixão nacional. E o ultraje e até a vergonha de toda a França, surgiu com a forma clamorosa da classificação.

A França inteira envergonhada (e até revoltada) com o gol de mão de Henry. Uma parte do país lutava para que a própria França pedisse à Fifa, a repetição do jogo que eliminou a Irlanda. Os presidentes das Federações, que dominam o esporte na França, se insurgiram, defenderam “isso é do esporte”.

A repercussão no mundo, abalou a França. E aí entraram com grande importância, o que chamei de “ingredientes” da revolta-revolução. Depois, tudo se agravaria, com a formação da seleção, a convocação que era o que existia, mas aumentaria o clamor. O que foi isso?

O que hoje se transforma em conflito, e ganha manchetes e provoca protestos reacionários: “a convocação de negros e imigrantes, que não representam a França”. Apelam para o falso “nacionalismo”, usam a derrota para firmar e fixar privilégios, abusando do que não têm o Poder.

Durante a convocação, a França e a seleção estavam divididas. Levaram Henry (autor do gol com a mão da classificação), mas a ordem era não escalá-lo. O que irritou os jogadores, fazendo com que chocassem a direção e o time. A partir daí, tudo o que aconteceu.

***

PS – Mesmo antes do segundo e do terceiro jogo, a ministra dos Esportes fazia intervenção, por ordem direta do presidente. Conseqüência: a expulsão de Anelke, depois dos palavrões ditos “na cara” do treinador.

PS2 – É evidente que ninguém contribuiu para a derrota, dentro do campo. Mas fora ele, foram criados fatores e episódios que não permitiam a vitória.

PS3 – Agora, o esporte foi dominado pela política, perdão, politicalha. E Sarkozy procura recuperar a popularidade que nunca teve, mostrando visivelmente a impopularidade do presidente, e consequentemente do governo.

PS4 – Tudo está sendo decidido no palácio Élysée. Precisamente onde, no dia 12 de julho de 1998, com 48 horas de antecedência, se comemorava de forma entusiasmada, a data nacional do dia 14.

PS5 – Comemoravam por causa do futebol que agora sacode, revolta e movimenta o pais. Sarkozy não esconde, “temos que fazer uma REVOLUÇÃO (textual) no futebol e nos esportes”.

PS6 – E não se surpreendam que a crise da França fora do futebol, seja aumentada e contaminada pelos que querem se aproveitar.

PS7 – E no centro de tudo, o que era sussurrado antes e agora ficou público, não demora a ganhar manchetes. Palavra de ordem de Sarkozy: “Existem negros demais no futebol”. A França imortal está precisando COM URGÊNCIA de uma Lei Afonso Arinos contra o racismo.

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