Fraude e farsa nas “revolues” da Histria do Brasil, com presidentes “fazendo” os sucessores, e ditadores “mandando” na poltica

Haroldo:

Me desculpe, Hlio, pois o que vais ler a seguir circula na internet e est muito bem bolado: Na Histria do Brasil houve quatro revolues maiorais. A primeira foi em 1822, D. Pedro I, Independncia. A segunda em 1889, Deodoro, Repblica. A terceira em 1930, Vargas, Renovao. A quarta em 1960, JK, Braslia. Tais quatro revolues revolucionaram o qu? O que houve foi uma substituio de Estado o Estado que havia ficou obsoleto, e foi despachado pras urtigas e, instalado um novo Estado atualizado poca do Brasil. Ento, o Brasil o pas com o mais humanitrio dos histricos nacionais do Globo Terrestre em todos os tempos. Portanto, sugiro ao Hlio ser mais contido nas suas crticas ao JK e Braslia e Histria do Brasil e assim Hlio deixar de ser rspido e escabroso para com os brasileiros de todos os tempos.

Comentrio de Helio Fernandes:
Voc pode dizer o que quiser, Haroldo, at mesmo usar as palavras que assinalei. Infelizmente (para voc), no consegui impedir que confundisse progresso e desenvolvimento com retrocesso e estagnao. E essas quatro datas que voc relacionou, nada mais definidoras e definitivas sobre a situao nacional. Rapidamente vou analisar as quatro, se fosse me aprofundar, seria necessrio escrever mais do que 1 livro sobre cada uma, todas desastrosas.

Nenhuma dessas datas pode ser identificada ou catalogada como Revoluo e muito menos como maioral. So todas, mas todas mesmo, fraudes histricas, farsas polticas, representativas do nosso desinteresse pelos fatos, e do desprezo de historiadores pela Histria.

1822 Foi apenas barganha vergonhosa, demonstrao do primarismo de Portugal, do descuido e imprevidncia dos subalternos que se arrojavam aos ps de Dom Joo VI. Vindo para o Brasil em 1808, fugindo covardemente de Napoleo, que chegara a Lisboa, viveu aqui suntuosa mas no inteligentemente.

E no percebeu nada do que acontecia no Brasil, a respeito do seu potencial, do que o pais podia representar no s para Portugal, mas para ns mesmos. Tendo explorado o Brasil atravs dos criminosos dzimos, tendo roubado todo nosso ouro, e uns poucos outros minrios, se convenceu de que no havia mais nada, que o Brasil acabara. Era um pobre e medocre Rei. (Ou rei?)

Dom Joo VI tentou transferir o Brasil para a Inglaterra. Mas esta, que ainda tinha domnio sobre parte enorme do mundo, no se interessou, apesar de ter perdido h pouco, aquelas possesses sem nome, que j se transformavam em Estados Unidos. Mas como Portugal devia 175 mil libras Inglaterra, esta s tinha um interesse e uma pergunta: Quem vai nos pagar?

Ficou acertado que seria o BRASIL INDEPENDENTE. Este no tinha quem o defendesse ou quem o quisesse, fizeram a frase famosa: Ponha a coroa na cabea, antes que algum aventureiro o faa. E assim Dom Pedro I, jovem, imaturo e desinformado, assumiu o trono e a dvida, que s foi aumentando.

(Apesar de, em 1896, Prudente de Moraes ter expulsado do palcio um dos Rothschilds que viera renegociar o inegocivel. Mas logo depois Campos Salles assumiu, ia a Londres e fazia um acordo imoral).

Essa, Haroldo, a tua PRIMEIRA REVOLUO MAIORAL.

1889 To execrvel quando a independncia. A partir de 1860, os chamados PROPAGANDISTAS DA REPBLICA lanaram um jornal dirio, A Republica. Precisavam de autorizao pessoal do Imperador, obtiveram de Dom Pedro II, esse o nico estadista do Imprio. Que foi derrubado e exilado, quando era adepto da prpria Repblica. (Mas isso outra histria).

Lutaram durante 29 anos, nos ltimos 10 tiveram o apoio dos Abolicionistas, fuso dos maiores brasileiros de todos os tempos. Mas foram derrotados, ultrapassados e dizimados por dois generais, que logo, logo seriam marechais, os marechais das Alagoas, como eram chamados, e como entraram na Histria.

Eram coronis na estranha e jamais explicada Guerra do Paraguai. Brigados pela ambio, se reuniram para tomar o Poder e se dizerem REPUBLICANOS e REVOLUCIONRIOS.

Nesse 15 de novembro, no houve Revoluo nem Repblica. O que houve foi um golpe, inaugurando a repblica golpista, que atravessa as pginas da Histria, e se tornou praticamente permanente. Os verdadeiros republicanos e abolicionistas foram alijados de tudo, assumiram os que vieram do Paraguai vitoriosos, (chefiados por Deodoro e Floriano) e que enriqueceram com a distribuio de terras e benefcios.

Era quase a mesma coisa que aconteceria 71 anos depois, com a mudana da capital. A Repblica foi implantada (e no promulgada, como se diz), o povo no soube de nada. Um reprter do Jornal do Commercio (ento o jornal mais importante do pas) perguntou a Aristides Lobo, grande jornalista e que seria ministro da Justia, como o povo recebera a Repblica?. Resposta: O povo assistiu a tudo B-E-S-T-I-A-L-I-Z-A-D-O.

(Fez questo de trocar a palavra rotineira, BESTIFICADO, por essa, verdadeiramente contundente. Foi a manchete do Jornal do Commercio do dia 17 de novembro, logicamente no deu para sair no dia 16).

A Repblica comeou toda errada, com Deodoro e Floriano sendo”presidente e vice”, indiretos a partir da Constituio de 1891. Mas no pararam de se hostilizar, da at novembro, menos de 8 meses, se derrubavam mutuamente, a Repblica no chegou a existir, v l, se consolidar.

1930 — No foram mais do que necessrios 41 anos (a partir de 1889 at 1930), sempre chamada de “Repblica velha”), para que tudo isso fosse derrubado. Com a Repblica, surgiu o “referendo” que atingia a todos, menos o presidente da Repblica. Este era escolhido, votado e empossado pelo mesmo grupo.

Governadores, senadores, deputados ganhavam a eleio, mas s eram empossados se fossem referendados por essa Comisso, ou ganhassem na Justia. Era comum estados com dois governadores, um eleito, o outro ganhando na Justia. A confuso era total, o tumulto inqualificvel.

Em 1896, Rui Barbosa foi eleito senador pela Bahia, claro. J. J. Seabra, senador, e Manuel Vitorino, vice de Prudente, no queriam emposs-lo. Precisou que a grande figura de Luiz Viana (o pai, o pai, depois admirvel governador) protestasse e garantisse a posse do grande tribuno.

Toda essa loucura, desatino, desperdicio e retrocesso, levou REVOLUO DE 30. Os presidentes escolhiam um nome, esse era o sucessor. Isso e mais o domnio das elites e a desigualdade social espantosa, exigiam uma providncia. Surgiu ento o que se chamou de revoluo de 30, que mesmo em minscula ainda era um exagero. Cunharam e criaram uma frase justificativa: “ preciso acabar com o monoplio odioso, dos ocupantes do Catete escolherem seus sucessores”.

Assumiu ento Getulio Vargas, um protegido do presidente Washington Luiz, a quem derrubou no final do mandato. Vargas cumpriu uma parte do “iderio da revoluo”, no indicou seu sucessor, nem nenhum sucessor. Ficou 15 anos numa ditadura cruel, autoritria e atrabiliria, como todas, e lgico, como a de 1964. (Vargas s saiu derrubado, queria ficar mais tempo. Lanou a Constituinte com Vargas, surpreendentemente apoiado por Prestes).

1960 — Desculpe, Haroldo, mas tenho escrito tanto sobre isso, que no adianta insistir ou repetir. Mas tragdia que no terminou. No possvel que se imagine que depois da devastao moral que desabou sobre a chamada capital, tudo esteja esclarecido.

***

PS – evidente que o procurador Roberto Gurgel, que sugeriu a INTERVENO, est coberto de razo. Como que um ex-secretrio de Roriz (e que com Arruda foi presidente da mais importante empresa do governo, a Codeplan) pode ser a SOLUO?

PS2 – E j se fala que esse Rosso, sem histria e sem memria, pretende ser candidato REELEIO em 3 de outubro. Isso j tem acontecido em outros estados.

PS3 – O acordo para a sua eleio, (no lugar de Wilson Lima, que no sbado estava “eleito” e perdeu logo a seguir) inclui a clusula: se Roriz no puder ser candidato em outubro (e devia estar preso em vez de querer voltar ao governo), Rosso ficaria mais 4 anos.

PS4 – Haroldo, que Repblica. E que capital. Logicamente geogrfica, mas tambm financeira.

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