Frei Betto elogia Dilma e diz temer que ela renuncie

No íntimo, eu temo que a presidente Dilma renuncie’, diz frei Betto

Ricardo Mendonça
Folha

Amigo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, de quem foi assessor especial no início do mandato, Carlos Alberto Libânio Christo, o frei Betto, já admite temer pela renúncia da mandatária, hoje com o recorde de 71% de reprovação no Datafolha.

“A minha pergunta íntima hoje não é o impeachment […] É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente”, afirma ele. “Ou ela dá uma mudança de rota […] ou ela pega a caneta e fala ‘vou pra casa, não dou conta’. Eu tenho esse temor”, completa.

Folha – Estão convocando mais uma manifestação contra Dilma para o dia 16. A principal pauta, ou uma das principais, é o impeachment de Dilma. O que acha?

Frei BettoEu acho que manifestação é sinal da democracia. Pena que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita faz. Deveria aprender as coisas boas – as poucas coisas boas – que a direita faz. Como convocar manifestações para domingo, não para o dia de semana, o que a esquerda tem feito [uma outra manifestação, com apoio do PT, deve ocorrer no dia 20, uma quinta]. Dia de semana? Uma burrice. Atrapalhando o trânsito, como naquela música do Chico Buarque. Não tem sentido, né? Faz no domingo, não tem escola, as pessoas podem sair de casa, estão disponíveis. Pena que a esquerda não aprenda com a direita as coisas boas.

E o impeachment?

Olha, a minha pergunta íntima hoje não é o impeachment. Eu acho que democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment. A minha pergunta é outra. É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente. Eu temo que ela renuncie.

O senhor tem algum sinal disso?

Não. É puramente subjetivo. Mas temo que ela renuncie. Ou ela tem uma mudança de rota ou eu me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio [pela frente] com menos de 10% de aprovação, com 71% dizendo que o governo é ruim ou péssimo. Isso é um sinal de que você não está agradando nada. Não adianta fazer cara de paisagem. Alguma coisa tem de ser feita. Ou ela dá uma mudança de rota, muda a receita do ajuste etc., ou ela pega a caneta e fala “vou pra casa, não dou conta”. Eu tenho esse temor.

No cenário atual, que combina crise política com estagnação econômica, denúncias de corrupção e baixa popularidade de Dilma, o que mais atormenta o senhor?

O Brasil está vivendo uma notória insatisfação, não só com o governo. Insatisfação com a falta de utopias, de perspectivas históricas, de ideologias libertárias. Desde 2013, quando houve aquela grande manifestação atípica. Porque não houve nenhum partido, nenhuma liderança, nenhum discurso [em junho de 2013]. E foi uma enorme manifestação em que as pessoas protestavam, havia protesto, mas não havia proposta. Isso chamou muito a minha atenção. E quando – isso é até terapêutico – a gente entra em amargura e não vê solução, não vê saída, a gente não consegue equacionar racionalmente o que está vivendo. Não consegue buscar as causas e as perspectivas. Fica tudo no emocional. Eu tenho dito a amigos que a minha geração viveu grandes divergências políticas na ditadura, mesmo entre a esquerda, divisão se siglas de A a Z. Mas o debate era racional. Debatia-se em cima de projetos, programas, perspectivas históricas. Hoje, o debate é emocional. É como briga de casal em que o amor acabou. Equivale a acelerar o carro no atoleiro de lama: quanto mais acelera, mais se afunda na lama. Estamos vivendo isso.

E o governo?

O governo, que eu considero o melhor de nossa história republicana – os dois do Lula e o primeiro da Dilma – teve grandes méritos, como a inclusão econômica de 45 milhões de brasileiros; e teve grandes equívocos, como a não inclusão política. Ao contrário do que a Europa fez no começo do século 20, o governo do PT propiciou, ao conjunto da população brasileira, acesso aos bens pessoais, quando deveria ter iniciado pelo acesso aos bens sociais. A metáfora que utilizo é o barraco da favela. Ali dentro a família tem computador, celular, toda a linha branca, fogão, geladeira, micro-ondas, e, no pé do morro, tem um carrinho, devido à facilidade do crédito. Mas a família está na favela. Não tem saneamento, não tem moradia, não tem transporte, não tem saúde, não tem educação, não tem segurança. Resultado: criou-se uma nação de consumistas, não de cidadãos.

O senhor falou em melhor governo da história republicana e mencionou os dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma. E o segundo da Dilma?

Esse segundo, até agora, eu não tenho nenhuma notícia boa para dar. Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá. Gostaria que alguém dissesse. O ajuste é necessário? É necessário. Mas o ônus é só sobre o trabalhador. E fica a dúvida se vai dar certo. É um país com um mercado interno fantástico, mas que mantém a síndrome colonial de que a gente tem de ser exportador de matéria prima, que deram o nome agora de commodities. Equívocos. E o governo terceirizou a política para a troika do PMDB – Temer, Cunha e Renan – e terceirizou a economia nas mãos de um economista, o Joaquim Levy, notoriamente um eleitor do Aécio Neves. Realmente fica difícil de acreditar que esse é um projeto do PT. Nunca fui militante do partido, devo dizer isso. Também não sou fundador, como alguns dizem por aí. Sempre fui eleitor. Mas nas últimas eleições eu tenho dividido meu voto entre PT e PSOL.

11 thoughts on “Frei Betto elogia Dilma e diz temer que ela renuncie

  1. A entrevista do Frei Betto é estarrecedora. Seria apenas cegueira ideológica ou tem algo com o seu caráter? Isso mostra que essas pessoas não se importam com o que foi feito e com o uso político da pobreza. Uma lástima!

  2. Frei Betto, pelo fruto se conhece a arvore…como pode dar bons frutos uma arvore ruim [sem juízo de valor, apenas os fatos…ela nem sabe falar uma frase que dirá governar] reconheça que um partido não pode possuir o monopólio das virtudes. Quem lhe conferiu essa dádiva? ai entra o perigo ideológico que transformou o PT em seita com a sua valiosa ajuda teológica…a Babilônia está ruindo…os ídolos de pés de barro estão sendo destruídos pelos fatos.
    Mas também os inteligentes [como o Frei] fazem e pensam burradas…ora aconselhar aa esquerdas a fazer passeatas no domingo [kkkkkkkkkk] não é um problema de inteligencia caro frei, é que eles não trabalham na quinta e no domingo, ora ora, estão descansando que ninguém é de ferro. Ja a direita que trabalhas as quintas e toda a semana no domingo está livre para ir a passeata…agora quem não aprende mesmo é de fato a esquerda que não quer aprender com a historia de que o comunismo fracassou…este é um trabalho de Sísifo [rodar a pedra até o cume] a pedra roda para baixo e eles alegremente voltam a subir com ela até o cume de novo para recomeçar sempre do zero…aprendem?

  3. “A entrevista do Frei Betto é estarrecedora. Seria apenas cegueira ideológica ou tem algo com o seu caráter? Isso mostra que essas pessoas não se importam com o que foi feito e com o uso político da pobreza. Uma lástima!”
    Eu ia comentar,mas o Antonio disse tudo!
    Assino em baixo.

  4. Esse artista é mentiroso. Escreveu um livro dizendo que viajava na época da ditadura até a fronteira do Uruguai e Argentina para dar fuga a perseguidos.Na época a vigiLãncia era severa; tinha militar de quinhentos em quinhentos metros revistando carros e pessoas pedindo documentos. A Ditadura cooptou muita gente não excluo Frei Beto que de frei não tem nada é só apelido. Ele só não diz qual a participação dele na tortura de Frei Tito que matou-se em consequencia dos maltratos e da cabeça que não aguentou o trauma. Muito menos disse qual sua participação na morte Marigella. É entrão, já esteve em Cuba varias vêses até falando com Fidel. É um pilantra que pela lógica serviu a ditadura. Os cooptados pensam que todos morreram ou ficaram imbecis. Eu estou vivo com boa cabeça para saber quem é quem. Inclusive os traidores.

  5. APLAUDIR OU CRITICAR SEM FOCO É LUTA INGLÓRIA

    Anotem aí, a dupla Dilma-Temer vai até 2018 e será benéfico que as cúpulas dirigentes continuem contrariadas, fomentando a chamada ‘crise política’, sinal de que algo de diferente está ocorrendo na República. Estimulam a confusão e o divisionismo confrontando pautas desprovidas de conteúdo, para no fundo evitar pressões sobre assuntos econômicos como alta de juros e o endividamento público, por exemplo.

    O lamentável é que nas redes sociais nos deparamos com uma gama de repetidores dessa trama sem causa, inspirados na infrutífera ‘política de bastidores’ (contra coletivos) e agindo como se tudo não passasse de jogo, com discursos vazios e bravatas deliberadas sem qualquer valor ou sentido. É fácil saber quem ganha e quem perde com isto, Leonel Brizola dizia que para mudar o Brasil devia projetar bons exemplos.

    Ou alguém duvida que das boas e construtivas relações da presidente Dilma Rousseff com seu vice Michel Temer depende o futuro? Que foram eleitos pra governar cabendo cooperar um com outro para o bem do país? Então observem como no geral se desdenha essa parceria institucional fazendo aflorar mesquinhos objetivos político-eleitoreiros, quando deviam focar nas ações cobrando resultados satisfatórios.

    QUE O VICE NÃO SE DEIXE LEVAR PELO GOLPISMO: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1544461642436768&set=t.100006188403089&type=3&theater

    COMBATE À IMPUNIDADE E DEFESA DA DEMOCRACIA http://br29.com.br/legado-de-dilma-e-o-combate-a-corrupcao-e-o-fortalecimento-das-instituicoes-diz-financial-times/

  6. De nossa parte, tememos é que ela NÃO renuncie. Quanto ao FT, que se ocupe do legado de Obama auzamericanu. Aqui, sabemos nós e a Lava-Jato o que essa malta aprontou.

  7. O que leva uma pessoa ter a ideia totalmente fora da realidade brasileira?
    é falta de conhecimento ou ma fé.
    Torço para que a Presidente Dilma não sofrer o impeachment, renuncie,
    largando a bomba no colo dos peemedebistas, eles merecem.

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