“Frente de fé”: Líderes religiosos reforçam pressão por abertura de processo de impeachment de Bolsonaro

Charge do Nando Motta (Arquivo do Nando Motta)

Daniel Weterman
Estadão

Líderes evangélicos e católicos vão aumentar a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro no Congresso. Em um movimento que será apresentado como uma “frente de fé”, um grupo de religiosos formalizará nesta terça-feira, dia 26, na Câmara dos Deputados, um pedido de afastamento de Bolsonaro, sob o argumento de que ele agiu com negligência na condução da pandemia de covid-19, agravando a crise. É a primeira vez que representantes desse segmento encaminham uma denúncia contra o presidente por crime de responsabilidade.

O pedido de impeachment é assinado por religiosos críticos ao governo. Na lista estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores. Embora sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de organizações como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e a Aliança de Batistas do Brasil.

RESGATE DA FÉ – “Uma parcela da igreja deu um apoio acrítico e incondicional ao Bolsonaro independentemente do discurso que ele defendia. Queremos mostrar que a fé cristã precisa ser resgatada e que a igreja não é um bloco monolítico”, disse ao Estadão/Broadcast o teólogo Tiago Santos, um dos autores do pedido de impeachment.

As falhas do governo durante a crise do coronavírus, na esteira de idas e vindas sobre a importação de vacinas da China e da Índia, elevaram a temperatura política. Partidos de esquerda como PT, PDT, PSB, PSOL e PCdoB, além da Rede, também vão protocolar na Câmara, nesta quarta-feira, dia 27, um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”. As siglas adiaram a formalização da denúncia, antes prevista para esta terça-feira, justamente a pedido dos religiosos, que temiam confusão entre os dois movimentos.

URGÊNCIA – “A palavra é ‘emergencial’. O que é emergencial? Não é duradouro, vitalício. Não é aposentadoria. Lamento muita gente passando necessidade, mas a nossa capacidade de endividamento está no limite”, afirmou Bolsonaro, nesta segunda-feira, 25, em conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada.

Em uma aliança que juntou partidos de esquerda à centro-direita, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também tomou a frente de um movimento que pode ser a prévia da nova articulação para tentar derrotar Bolsonaro em 2022, quando ele pretende disputar a reeleição.

A decisão de dar ou não o pontapé inicial no impeachment cabe ao presidente da Câmara, que também pode engavetar os pedidos – desde o início do mandato de Bolsonaro foram protocoladas 61 ações desse tipo contra ele, das quais 56 estão ativas.

CAMPANHA –  O Palácio do Planalto faz campanha para emplacar o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão, na cadeira de Maia, com a expectativa de que, nesse cenário, uma denúncia contra ele não avançará no Congresso.

Adversário de Lira, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente da Câmara, promete analisar “com equilíbrio” os pedidos de afastamento de Bolsonaro se vencer a disputa. A eleição que vai renovar as cúpulas da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro.

No pedido que será formalizado nesta terça, os líderes religiosos acusam o presidente de agravar a crise do coronavírus e, consequentemente, o número de mortes. Para eles, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e desrespeitou princípios constitucionais e o direito à vida e à saúde. Mais de 200 mil pessoas já morreram em decorrência de covid-19.

NEGACIONISMO – Declarações de Bolsonaro durante a pandemia, como chamar o novo coronavírus de “gripezinha”, são citadas no pedido de impeachment a ser apresentado pelos religiosos. “As ações e omissões de Jair Bolsonaro, que seguem em repetição e agravamento, levaram e seguem levando a população brasileira à morte e geraram danos irreparáveis. Isso é crime de responsabilidade. Crime contra os direitos e os princípios constitucionais mais primários: à vida e à saúde”, diz a peça.

O bispo primaz da Igreja Anglicana do Brasil, Naudal Alves Gomes, a presidente da Aliança de Batistas do Brasil, Nívia Souza Dias, e os teólogos Lusmarina Campos Garcia, Leonardo Boff e Frei Betto também estão entre os signatários da ação.

A posição desses líderes vai na contramão de pastores evangélicos que defenderam a eleição de Bolsonaro, em 2018, e integram a base de apoio ao governo. Entre os defensores do chefe do Planalto estão Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, José Wellington Bezerra da Costa, da Assembleia de Deus Belém, Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, e R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus.

COBRANÇA – Durante a crise, Bolsonaro chegou a ser cobrado por esses aliados para reagir a decretos de prefeitos e governadores que determinaram o fechamento de igrejas, em função do isolamento social necessário para evitar a covid-19.

Pastores pediram ao presidente que investisse na vacinação em massa para que o País voltasse às atividades econômicas. Sem cultos nos templos, que estão fechados, a arrecadação também cai para essas igrejas.

6 thoughts on ““Frente de fé”: Líderes religiosos reforçam pressão por abertura de processo de impeachment de Bolsonaro

  1. Pela primeira vez na minha vida adulta concordo com um grupo religioso. Sim, senhores e senhoras, com a ajuda de Deus tiraremos do governo esse infeliz filisteu. Que Deus seja louvado.

  2. Xi Jinping: Precisamos manter a globalização e a abertura comercial.

    Bolsominion: China imperialista! Quer comprar nosso país!

    Brasileiro consciente: Verdade, bolsominion. Por isso precisamos de uma política sistemática de desenvolvimento conduzida pelo Estado para nacionalizar os setores estratégicos do país, proteger os nossos trabalhadores e empresários da concorrência estrangeira e favorecer o investimento em detrimento da especulação e da jogatina financeira. Assim, a indústria brasileira florescerá e as nossas matérias-primas serão aproveitadas aqui dentro, sem que sejam enviadas ao exterior e abasteçam a indústria dos outros países.

    Bolsominion: Comunista! Estamos no século XXI! Gado do Lularápio e da Dilmanta!

    Brasileiro consciente: Então o que você quer, bolsominion?

    Bolsominion: O Trump vai voltar mês que vem e vai dar uma lição nesses comedores de cachorro!!

    Brasileiro consciente: Então vai se f****. Continua pedindo penico pra “China comunista” então, como seu presidente já fez no leilão do pré-sal, do 5G, da Ferrogrão e agora nas vacinas, enquanto o Trump nem atende os telefonemas dele.

    Xi Jinping (em off): Vida longa a Bolsonalo e Paulo Guedes!!

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1510148015849114

  3. Até parece que ninguém presta para este povo brasileiro !
    Olha só que que personagens gloriosos, competentes, justos e honestos, tivemos ultimamente : Sarney,O Imortal Collor, O Daquilo Roxo, FHC,O Reeleito,”Itamár dimais”, Lula 51, Dilma do Vento, Temer, O Vampiro, e o incomparável Bozo, o Coiso !!!
    Não está bom não ???
    Que povo exigente !
    Só sabem reclamar destes, quase santos, homens da mais alta relevância e conduta ilibada…
    Sempre insatisfeitos, estes brasileiros metidos…
    Gente complicada e “reclamona” !
    Credo !

  4. Bem feito para o Pinóquio, se elegeu apelando para Deus e agora está pagando o preço. Não que Deus o tenha abandonado, nada disto, é que Deus não gosta de demagogo, já tivemos muitos deles. O que Deus queria do Pinóquio é que ele sim fosse fiel a Deus, se conduzisse bem durante esta tragédia e não querendo ele, Pinóquio querendo dar uma de deus. Mas as justificativas apresentadas pelos “religiosos” não passam da mais pura demagogia, igualzinho ao que fez e faz o Pinóquio. Infelizmente neste pais onde o Pinóquio Deus está acima de tudo parece que os religiosos andam pondo muito pouca fé nele, em Deus.

  5. Um caso típico de extrema covardia: uma legião constituída pelos donos de Deus: contra um Capetão a cada dia mais solitário!
    Assim não dá, né! Há de surgir forças de quaisquer rincões do universo, para contrabalançar esse jogo desigual.

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