Frente Parlamentar luta para impedir corte de salário dos servidores nessa reforma

Charge é do Marcos Venícius (Arquivo do Google)

Edson Sardinha
Congresso em Foco

A reforma administrativa enfrentará uma oposição expressiva, através da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, composta por 235 deputados e 9 senadores, que tentarão evitar mudanças pretendidas pelo governo Bolsonaro (leia-se: Paulo Guedes), como o fim da estabilidade e a redução de salários. O líder da Frente, deputado Professor Israel (PV-DF), aposta na batalha da comunicação.

O Congresso em Foco teve acesso, em primeira mão, a uma cartilha que o grupo distribuirá entre os demais parlamentares para contestar a necessidade de uma reforma dessa natureza. Para o líder da Frente, o governo erra ao tornar em vilões os servidores públicos.

ESTRATÉGIA ERRADA – Diz o Professor Israel que o governo errou em sua estratégia com reforma e tenta transferir a responsabilidade pela mudança nas regras do serviço público para o Congresso. “O que está embarreirando é o fato de que os congressistas não vão aceitar levar essa reforma nas costas. Não vão aceitar que seja uma reforma do Congresso. Vão querer que o governo bote suas digitais. O trabalho dos governistas será pesado”, disse.

Para ele, os recentes “deslizes” do ministro da Economia, Paulo Guedes, dificultam a aprovação da reforma, sobretudo em ano eleitoral. “Os congressistas estão ressabiados com a possibilitar de votar agora. Guedes comete equívocos que tensionam mais a situação. Eu, que sou contra a reforma, acho ótimo isso. Ele só piora o clima político”, afirmou o deputado, em alusão à comparação feita pelo ministro entre servidores e parasitas e a referência às empregadas domésticas ao comentar sobre a alta do dólar.

CAMPANHA DE VINGANÇA – Na avaliação de Israel, o governo é imprudente ao tentar transformar os servidores públicos em vilões. “As pessoas atingidas se sentem em uma campanha de vingança. Elas são a ponta do serviço público, o toque do Estado no cidadão. Guedes tem imagem de revanchista, elitista e desastrado. É um tiro no pé. O governo é a principal oposição a ele mesmo nesse caso”, diz o deputado.

A Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público considera inegociáveis ao menos dois pontos da reforma administrativa que o governo pretende enviar na próxima semana ao Congresso: o fim da estabilidade e a possibilidade de redução de salário, já prevista numa proposta de emenda constitucional em tramitação na Câmara.

Para o presidente da frente, nem a promessa do governo de que as novas regras valerão apenas para os futuros servidores diminuirá a resistência de parlamentares ligados às diversas categorias do funcionalismo.

OUVIR OS SERVIDORES – Segundo ele, o Brasil deveria discutir a modernização do Estado. “O governo perdeu a oportunidade de ouvir os servidores ao vir com seu pacote ideologicamente construído. Os servidores não podem ser excluídos por um projeto revanchista declarou. “Para o governo, o serviço público é dominado pela esquerda. Mas muitos servidores que votaram no Bolsonaro estão se sentindo traídos hoje”, completou.

O deputado conta que recebeu do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a promessa de que a frente parlamentar terá representação na comissão especial que for discutir a reforma administrativa. “Ele disse que não seremos atropelados. Posso discordar do presidente da Câmara, mas não posso dizer que ele tratora. Apesar da posição dele favorável à reforma, a gente vai ter espaço pra discutir”, disse o deputado ao Congresso em Foco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O projeto do governo está muito mal estruturado. O que a opinião pública apoia é que sejam eliminados os privilégios e penduricalhos dos salários do marajás do serviço público, cuja maioria está no Poder Judiciário. Mas Paulo Guedes e Bolsonaro querem seguir beneficiando os servidores da elite, como os juízes, desembargadores e ministros, cortando apenas os salários dos funcionários de menor escalão. É uma injustiça que o país não pode aceitar. Agora, no combate à pandemia, ficou claro que o serviço público deve ser prestigiado, ao invés de ser perseguido. (C.N.)

5 thoughts on “Frente Parlamentar luta para impedir corte de salário dos servidores nessa reforma

  1. São torpes protozoários engravatados. Porque não cortam os próprios salários e altas mordomias? Newton, mandarei texto para você repudiando a patifaria.

  2. Por que não fazem uma audioria desta dívida maluca? É bem possível que tenha gente recebendo juros por grana que nunca emprestou

    Copiando o bordão do Mengão; ISTO AQUI É BRASIL !…

  3. Caro Newton;
    Qualquer direito a maior que o nosso Servidor tenha com relação a nós ,” os comuns “, é privilégio.
    Dr. Ulisses, ao não incluir o voto distrital em 1988, transformou o brasil numa república corporativa. Deputados representam os funcionários do banco do brasil, da caixa, da petrobrás, do legislativo, judiciário,etc. Mas não representam os “comuns”.

  4. A reforma da previdência prejudicou os trabalhadores de menor salario e se passar a administrativa cumprira o mesmo papel.Porque não propõe uma reforma tributaria que pegue os milionários desse pais ou uma reforma agraria,agricola e urbana que coloque alimento barato na nossa mesa e ajudaria a desincha as grandes cidades e uma reforma do sistema financeiro.

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