Fritado por Bolsonaro e sem nenhum poder, Guedes virou uma figura caricata no governo

Nova CPMF é estelionato eleitoral (Bernardo Mello Franco, O Globo) | Jornal Contato

Charge do Cao Gomez (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nenhum ministro da Fazenda concentrou tantos poderes quanto ele, que colocou no chinelo figuras importantíssimas como Martim Francisco de Andrada, Ruy Barbosa, Getúlio Vargas, Oswaldo Aranha, José Maria Alkmin, Octavio Bulhões, Delfim Neto, Mário Henrique Simonsen, Dilson Funaro e Henrique Meirelles. O surpreendente Paulo Guedes comandava (no passado recente) as pasta da Fazenda, do Planejamento, do Trabalho e da Previdência, embrulhadas no mesmo pacote sob o codinome de Ministério da Economia.

Menos de dois anos depois, já não comanda mais nada, seu pomposo cargo é apenas decorativo.  Perder os poderes é fato comum, são coisas da vida. O pior é perder, ao mesmo tempo, a dignidade e o amor próprio, para se tornar uma figura caricata, uma pastiche de si mesmo.

REFORMAS DOS OUTROS – Hipoteticamente, Paulo Guedes seria o autor dos três grandes projetos de recuperação da economia nacional. Depois de meses e meses, apresentou a reforma da Previdência, mas o Congresso mudou os termos, aprovou em 2019 sua própria proposta, uma espécie de projeto Frankenstein, colando pedaços daqui e dali.

Em fevereiro de 2020, ainda no comando do Posto Ipiranga, Guedes entregou ao Planalto a reforma tributária, na qual tentava recriar a CPMF. O presidente Bolsonaro ficou furioso e sentou em cima da proposta, nem deu resposta a Guedes. Desde então o superministro foi perdendo seus poderes e submergindo na Praça dos Três Poderes.

ENFIM, AS REFORMAS – No ápice da pandemia, Guedes voltou à tona e apresentou novamente a reforma tributária e, logo depois, a reforma administrativa, que não agradaram a ninguém, muito pelo contrário.

Bolsonaro tem uma maneira diferente de fazer as coisas. Como nada entende de economia, passa a responsabilidade ao Congresso e se comporta como se nada tivesse a ver com o assunto.

Esse posicionamento do presidente fortalece a tal ponto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que ele simplesmente excluiu Paulo Guedes das negociações. Assim, de repente o superministro não é mais nada, não apita nada, não pode dizer nada.

Ontem, no Jornal Nacional, deu uma declaração patética, chamando o presidente da Câmara de “Rodrigo”, como se tivesse intimidade com ele e as relações entre os dois estivessem normais.

###
P.S.Paulo Guedes está completamente desorientado. Ao comentar o aumento do preço do arroz, que está sendo exportado para a China sem que o governo crie um estoque regulador, o ex-superministro acabou defendendo um aumento salarial para o presidente Bolsonaro e os ministros do Supremo. Parece estar no mundo da Lula. Enquanto isso la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

13 thoughts on “Fritado por Bolsonaro e sem nenhum poder, Guedes virou uma figura caricata no governo

  1. Já escrevi anteriormente. O único objetivo do Guedes é privatizar tudo o que for possível. O resto e figuração. Vai peanecer em banho Maria e gogo baixo até o segundo semestre de 2021. Aí vai dar uma de revoltado e pedir o boné. Anotem e podem cobrar.

  2. Desde quando esse Guedes se importa em realizar algo novo, muito bem lembrou a matéria nada dele passa, ele não consegue criar nada e quando cria é fora da realidade,fica fácil querer trazer de novo algo que já existiu como a CPMF, mas isso já é passado e deixou o povo brasileiro na lama muito tempo. Como dizia em sua musica o saudoso Bezerra da Silva “A lei só é implacável pra nós favelados e protege o golpista” no caso proteção aos banqueiros e querer privatizar tudo.
    Para o mega ministro cabe também a musica do Raul “A solução pro nosso povo eu vou dá negócio bom assim ninguém nunca viu ‘Tá tudo pronto aqui é só vim pegar a solução é alugar o Brasil…..

  3. Bolsonaro tem até o sucessor de Paulo Guedes. Só não troca agora porque ainda não lhe interessa.

    O nome do novo Ministro eu já sei e pode apostar: Roberto Campos Neto.
    Ele é neto do economista Roberto Campos, que comandou o Ministério do Planejamento no governo Castelo Branco (1964 – 1967) e foi um dos idealizadores do BNDES.
    O novo R. C. é executivo do mercado financeiro, com 18 anos de passagem pelo Banco Santander.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *