Frouxos e servis, jogadores recuam e aceitam jogar a Copa América pela seleção brasileira

Charge do Maringoni (Arquivo Google)

Jorge Béja

Não. Não posso perder tempo. Preciso escrever logo porque acabei de ouvir na televisão que os jogadores da seleção brasileira de futebol vão fazer um “manifesto” e, no entanto e mesmo assim, vão jogar a Copa América, essa disputa que do dia para noite veio parar no Brasil porque Argentina e Colômbia não aceitaram sediá-la.

Jogadores servis. Jogadores sem brios. Jogadores sem sentimento. Milhões e milhões de brasileiros sofrem com as mortes de quase meio milhão de outros tantos brasileiros e vocês, ainda assim, se curvam e decidem jogar a tal Copa América.

LUTO FECHADO – Não. Não posso aceitar. O Brasil está de luto. Luto fechado, permanente e indeterminado. Luto que aumenta a cada dia. E Copa América é festa. Festa do futebol. Festa em pleno luto, em plena dor. Sim, vocês venceram. Vocês e o vírus.

Mas saibam vocês, jogadores, que dos 160 artigos do Estatuto da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não existe um só artigo que trate dos direitos e garantias de vocês. Nem o Estatuto da CBF nem o Código de Ética e Conduta do Futebol Brasileiro, código que está anexado ao Estatuto da CBF. Neles, Código e Estatuto, só constam deveres, obrigações e punições.

E vocês, servis, gente endinheirada, afortunada, atletas que ganharam fama e prestígio, nesta hora de luto não ficam do lado do povo. E preferem atuar, porque a grana é alta.

RESPOSTA SOFRIDA – Acabei de perguntar a uma vizinha que perdeu a irmã gêmea numa semana, na semana seguinte o cunhado (marido da irmã gêmea) e na semana que veio depois perdeu os três sobrinhos para a covid, perguntei a ela que ficou sozinha na vida e a família acabou, se ela aprovou a decisão dos jogadores. “Não, não aprovo. Só quem sofre é que entende de dor. E de dor eu entendo”. Foi a resposta que a sofrida e idosa vizinha me acabou de dar.

Dirão que a Copa América no Brasil não aumentará o risco do agravamento dos casos de Covid. Não é disso que se cuida aqui, embora os cientistas tenham se manifestado em sentido contrário: que vai aumentar, sim. E muito.

MOMENTO SINISTRO – A revolta e o inconformismo derivam do momento em que esta Copa vem para o Brasil. Em 1986, a Colômbia disse que não poderia sediar a Copa do Mundo de Futebol daquele ano, cujo sorteio se deu em 1982. Então, o Brasil foi consultado. E o governo brasileiro – governo também militar – recusou a oferta.

O presidente Figueiredo alegou que a situação econômica do país não era boa e o Brasil não estava preparado para o evento. E a Copa foi parar no México. E agora, que temos a situação econômica também muito ruim e um flagelo sanitário que beira 500 mil mortos? Estamos preparados?

 Meu Deus, por que o Brasil passa por tanta maldição?

16 thoughts on “Frouxos e servis, jogadores recuam e aceitam jogar a Copa América pela seleção brasileira

  1. Porque, principalmente, eleitores-cúmplices de um admirador confesso da tortura e de torturadores por afinidade passaram a marchar junto com criminosos milicianos.

  2. Longe de mim ser Bolsonarista, porém a Copa América tem condições de ser realizada desde que se estabeleça protocolos rígidos.
    1 Todos estrangeiros vacinados.
    2 Teste no desembarque com quarentena.
    3 Não circulação desnecessária.

  3. O Dr.Béja tem o direito de opinar sobre qualquer assunto, assim como fazemos quando os temas são postados pelo Editor,

    Temos de respeitar o contraditório, ainda mais quando se trata de um tópico que requer tão somente a opinião pessoal, o que se acha daquele tema, e mais nada.

    Não implica em se dizer a verdade porque não existe, mas uma certa coerência de pensamento quando expomos as razões da discordância ou apoio.

    O excelso advogado foi sincero na sua opinião.
    Desnecessários comentários que nada tinham de relação com o artigo em tela, e que o autor foi à “lona”, simplesmente ridículo.

    Na razão direta que Bolsonaro é o maior incentivador de aglomerações e as pessoas deixarem de usar máscaras, a Copa América no Brasil, no seu entendimento, será um acontecimento comum, que não nos ocasionará maiores problemas com a pandemia.

    A crítica do dr.Béja é dirigida à Seleção Brasileira de Futebol, que deixou de se solidarizar com quase meio milhão de brasileiros mortos pela pandemia, pois um evento que não reuniria a alegria e o desejo de vencer do povo sobre às demais seleções, que também vivem essa mesma tragédia em seus Países.

    Resta saber quantas que decidirão vir a esta competição.
    Podemos ter a desistência de algumas Nações neste torneio, que seria inviabilizado pela ausência de competidores, por mais que Bolsonaro torça para que aconteça em nosso território.

  4. Bendl leu o artigo e compreendeu o que nele está exposto. Por outro lado, um respeitabilíssimo e experiente árbitro de futebol, muito meu amigo, leu o artigo e, inconformado e respeitosamente, divergiu. Disse-me, em mensagem que enviou para o meu e-mail, que há torneios de futebol no Brasil, há competições outras e não se constata nenhum perigo de agravamento da pandemia.

    Aqui reproduzo a resposta que lhe enviei e com a qual ele, em seguida, me respondeu dizendo que diante da explicação comigo concordava:

    Me curvo às suas ponderações. Mas o fundamento do artigo é a constatação de uma festa em pleno luto nacional. Este é o fundamento. Copa do Mundo, Jogos Panamericanos, Copa América, Jogos Olímpicos e outros do mesmo porte são festas. Aqui na Tijuca, bem pertinho de onde era o Rico Turfe, tem o chamado Alzirão. É pura festa. Festa que não tem hora para começar e não tem hora para acabar. Estamos muito longe da vacinação de todo o povo e já chegamos bem pertinho de 500 mil mortos. É luto nacional. A Bandeira Brasileira deveria estar permanentemente hasteada a meio-mastro. Portanto, o artigo defende o estado de luto. Em meio à desgraça, uma festa do futebol, arranjada da noite para o dia, enquanto a vacina demorou, demorou, demorou, demorou….E continua demorando e, enquanto demora, mais de 2 mil mortos a cada dia.

  5. Caro dr.Béja,

    Penso da mesma forma, que não há espaço para festa, onde estamos há dias para computar 500 mil mortos vítimas da pandemia!

    Apesar de nada mais doer tanto como os desaparecidos pelo Covid19, temos ainda várias questões que também deveriam evitar este torneio no Brasil:
    Economia em crise;
    desemprego;
    pobreza e miséria crescentes;
    violência;
    estádios que receberão pouco público, de modo que não haja aproximação entre torcedores.

    Logo, que raio de Copa América será esta?
    Apenas para contentar a insanidade de Bolsonaro?
    Apenas para deixá-lo feliz porque será mais um episódio que possibilitará aglomerações e milhares de pessoas sem máscaras?

    E quanto à falta de respeito às famílias enlutadas?
    Aos pacientes internados e intubados?
    Aos que morrem diariamente?

    Aonde está a solidariedade governamental?
    A sensibilidade do Executivo?
    A preocupação que nunca houve em termos de vacinas para todos, sem a necessidade de selecionar por faixa etária?

    A Copa América seria mais importante que a atual situação brasileira em várias áreas vitais para o povo e País?

    Grato pela deferência, dr.Béja.
    Abraço.
    Saúde e paz.

    • Disse tudo.
      Quando chegar 2022, quem hoje cospe no prato que comeu vote certo dessa vez. Votem em quem estiver contra Jair.

      Fazer arminha não esta adiantando ne mesmo?

  6. Infelizmente fiquei fira do ar e não pude me solidarizar ao Dr Beja e ao Chicão.

    O texto e oportunissimo. Estamos acostumados no Brasil, a nada fazer sobre nada.

    Assim quem tem maior cara de pau e ausência de qualquer tipo ou resquício de escrúpulos, vai tomando conta, vide Lula e Bolsonaro.

    Sob a desculpa de ” só eu não adianta, viu ficar com cara de bobo e sozinho, ficamos indiferentes a tudo o que vemos é sentimos.

    As perguntas básicas da copa América , que oara mim resumem a questão, sao:

    Por que??

    Para que fim??

    A quem realmente beneficia??

    O que podemos perder?

    Qual a intenção de Bolsonaro, tão devagar em quase tudo, ser tão rápido em intervir num assunto privado???

    Eu, em minha insignificância, tento marcar posição de busca de lucidez mínima, em todos os círculos que vivo.

    Talvez por isso, amizades ( sic) de anos, relações familiares e até emprego, tenham sido rompido.

    Mas tentei e tento evitar a novíssima idade média, que está se consolidando no Brasil.

    Oxalá, eu esteja mais uma vez errado.

    Parabéns Dr Beja, me sinto honrado de partilhar o mesmo espaço.

    Ao Chicão e a todis saúde e muita saúde.

    No Brasil este é um artigo raro e precioso

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