Fuga de investidor estrangeiro cresce e já pressiona o financiamento da dívida pública

TRIBUNA DA INTERNET | Banco Central não explica por que remunera diariamente a sobra de caixa dos bancos

Charge do Nani (hanihumor.com)

Eduardo Rodrigues e Fabrício Castro
Estadão

A pandemia de covid-19 reduziu ainda mais a participação dos estrangeiros no financiamento da dívida pública do País, acelerando um movimento que já ocorria desde a perda do “selo de bom pagador” pelo Brasil, em 2015. De lá para cá, a parcela do investidor externo no estoque da dívida caiu de 20,8% para 9% em julho deste ano, o que dificulta ainda mais a tarefa do Tesouro de tentar alongar os prazos de pagamento da dívida.

Embora estejam na quarta colocação entre os principais detentores de títulos da dívida, atrás de fundos de previdência, fundos de investimento e instituições financeiras, os estrangeiros geralmente têm certa preferência por títulos mais longos, desde que confiem na situação macroeconômica de um país.

INCERTEZA E RISCO – A saída significa, portanto, um sinal de que a visão de fora sobre o Brasil é, neste momento, de incerteza e risco. Recentemente, o Tesouro fez o maior leilão da história em quantidade de papéis de curto prazo. A dívida que vai vencer em 12 meses (prazo curto) deve fechar o ano no maior patamar do PIB desde 2005.

Apenas entre janeiro e julho, a saída dos investidores estrangeiros de suas posições no Brasil ultrapassou US$ 30 bilhões (R$ 158 bilhões), segundo dados do Banco Central. Do total, um terço (US$ 10,8 bilhões, ou R$ 57 bilhões) saiu da renda fixa (onde estão os títulos do Tesouro). O restante deixou as aplicações em ações na B3, a bolsa paulista.

A perda do grau de investimento já havia tirado o Brasil das carteiras de vários fundos internacionais, mas as incertezas criadas pela covid-19 afastaram parte dos não residentes que ainda apostava nos papéis brasileiros.

A FORÇA DA LIQUIDEZ – “A pandemia trouxe um comportamento no mercado de preferência por liquidez. O investidor quer o dinheiro na mão, e não um ativo que ele pode levar meses para se desfazer, ainda mais no mercado internacional”, diz o coordenador-geral de operações da Dívida Pública do governo, Luis Felipe Vital.

A saída dos estrangeiros pressiona a taxa que os investidores em geral têm cobrado do Tesouro para comprar os títulos que são vendidos para financiar a dívida – eles querem receber mais do que o governo está disposto a pagar. E o prazo dos títulos tem ficado menor. Hoje, está entre 2,5 a 2,8 anos. Há um ano, era de 4,06 anos.

É UMA ARMADILHA – O economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e colunista do Estadão, alerta que a estratégia do Tesouro Nacional de aumentar as emissões de títulos prefixados com prazos de vencimento menores tem fôlego curto e pode se transformar em uma armadilha se o governo não conseguir equilibrar as contas.

Segundo ele, o problema fiscal brasileiro se materializa na inclinação da curva de juros de longo prazo e no excesso de volatilidade do real em relação a outras moedas emergentes.

“O Tesouro tem a obrigação de minimizar o custo da dívida, e por isso se vê obrigado a vender título curtos, que têm taxas de juros menores. Mas, se o órgão vender apenas papéis curtos, daqui a um ou dois anos vai precisar começar a rolar a dívida no dia a dia, como já aconteceu nos anos 1970”, diz. “O Tesouro pode ficar preso em uma armadilha extremamente difícil.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro não se preocupa com essa situação. No seu prosaico jeito de ser, trata-se de um problema da equipe econômica, a Presidência nada tem a ver com isso. Ou seja, se Guedes não resolver, Bolsonaro simplesmente troca de ministro e segue em frente, na direção do abismo. (C.N.)

8 thoughts on “Fuga de investidor estrangeiro cresce e já pressiona o financiamento da dívida pública

  1. Os States se especializou em criar empresas estatais com aparência de “empresas privadas”.

    Quer um exemplo?

    Você acredita que a Tesla é uma empresa criada por esse retardado mental do Elon Musk?
    Você acredita que a Microsoft é uma empresa criada pelo Bill Gates?

    Não. Eles não são fundadores ou criadores dessas empresas. Eles são apenas peões do governo norte-americano para que o mundo ache que essas multinacionais estatais pareçam ser empresas privadas.

    Pergunte se Elon Musk e Bill Gates podem vender “suas empresas”.
    Quando uma dessas supostas empresas privadas são negociadas, acontece apenas uma substituição dos peões que foram colocados ali para aparentar serem os donos, como é o caso do Bill Gates, Elon Musk e outros.

    Os “compradores” dessas futuras empresas são os novos peões escolhidos a dedo pelo governo norte-americano para supostamente geri-las.

    O mais engraçado é que os governos como o Chinês já perceberam como é o jogo do governo norte-americano, e agora estão fazendo a mesma coisa.

    A chinesa Huawei é a mesma coisa. Mostra como o governo chinês embarcou nessa onda de empresas estatais com cara de “empresa privada”.

    O que mais me deixa indignado é que aqui no Brasil poderíamos fazer a mesma coisa, mas os nossos governos, políticos, e as nossas FFAA armadas são vira-latas demais para norte-americanos.

    Se os nossos milicos não fossem um bando de entreguistas, mamateiros e patriotas de nação estrangeira, as FFAA brazucas poderiam ser líderes em inovação e tecnologia.

    PS: Olha só outra “empresa privada” norte-americana demonstrando ser na verdade uma empresa estatal daquele governo:

    https://twitter.com/AnonymousAtman/status/1304083538854240256

    A Amazon tem um “ex” agente da NSA no seu conselho de administração. Não é por nada, mas essa é uma bela dica de como Jeff Bezos virou o homem que é hoje.

    Nós brasileiros que temos uma elite de trouxas, que vendem tudo.

  2. Felipe Quintas (via Facebook)

    O pós-estruturalismo francês era literalmente o que o crítico José Guilherme Merquior chamou de “niilismo de cátedra”: um pessimismo cultural elitista, um eruditismo sem maiores objetivos e um relativismo político imobilista bem remunerados e protegidos por torres de marfim acadêmicas, de onde os pós-estruturalistas não faziam questão de sair.
    Já o identitarismo de matriz estadunidense é bem diferente: é uma postura ativa e militante, muito mais prática que teórica (toda teoria deve ser estritamente funcional à política), de instrumentalização de virtualmente todas as instituições para a defesa da supremacia política e cultural de grupelhos estéticos e comportamentais com agendas muito bem definidas. Tais como as seitas puritanas que sempre ocuparam os EUA e as formas mais radicais do judaísmo (que não à toa influenciaram muito o puritanismo), esses grupelhos se veem cada qual como o povo eleito, à parte e acima de todos os demais.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1411954822335101

    • Felipe Quintas (via Facebook)

      A URSS homenageou espetacularmente Beethoven em 1927, no centenário da morte dele, e sempre o considerou um grande expoente da música, razão pela qual ele sempre foi ensinado nas requintadas escolas musicais soviéticas. Já o socialismx new left novaiorquino diz que a 5ª sinfonia é classista e opressora de negros e LGBTs (link nos comentários). Os EUA são um país tão bárbaro, inculto e doente que transformam em aberração e maluquice tudo o que incorporam, seja capitalismo, socialismo, anarquismo ou o que for.

      https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1411895782341005

  3. O boçal devia se aconselhar com o ministro da Economia dos hermanos, ele conseguiu um superdesconto na dívida externa do país, a redução nos juros e ainda adiou o início dos pagamentos das parcelas da dívida. O nosso problema é diferente, os investidores internacionais não querem mais nos financiar, na Argentina eles não vão financiar, a diferença é sutil mas o resultado é quase o mesmo.

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