Fundos de pensão e bancos perdem R$ 2,5 bilhão na Sete Brasil

Deu no Estadão

Os bancos e fundos de pensão sócios da Sete Brasil vão ter de registrar perdas de cerca de R$ 2,5 bilhões com a empresa, criada para gerenciar a compra de sondas do pré-sal e que passa por grave crise financeira. O valor equivale a uma desvalorização de 30% nas cotas do fundo Sondas, que é o instrumento usado pelos acionistas para controlar a empresa.

A conta que mostrou as perdas desde o ano passado até 31 de março deste ano foi feita pela Caixa Econômica Federal (CEF), que é a administradora do Fundo Sondas. O extrato com a informação foi enviado ontem aos acionistas da Sete. Oficialmente, a Caixa informa apenas que o valor das cotas será apresentado somente na semana que vem.

Mas os acionistas já estão contabilizando as perdas. O BTG Pactual já tinha anunciado nesta semana que fez uma provisão para perdas de 25% do que investiu na Sete. Entre os principais acionistas da empresa, por meio do fundo Sondas, estão os fundos de pensão da Petrobrás (Petros), da Caixa (Funcef) e o próprio BTG Pactual, além do Santander. Ainda fazem parte da lista o banco Bradesco, os fundos de pensão da Vale e do Banco do Brasil, o FI-FGTS e as empresas Lakeshore, Luce Venture Capital e EIG Global Energy Partners.

IMPACTO EXPRESSIVO

Para Funcef e Petros, mesmo que seja apenas um registro contábil, o impacto tende a ser expressivo. Isso porque precisam contabilizar as perdas em meio a um cenário de déficits recorrentes, que têm levado aposentados e funcionários a terem de aumentar suas contribuições para cobrir os rombos nos fundos. Cada uma das fundações terá de registrar desvalorização da ordem de R$ 500 milhões.

O diretor de um dos fundos de pensão diz que as perdas deveriam ser registradas em porcentuais maiores, se levada em conta a base de provisões feita pelo BTG nesta semana. Isso porque o banco registrava em seu balanço apenas o valor que efetivamente aportou na Sete. Já as fundações e outros cotistas contabilizaram valorização de 25% registrada pela Caixa no fundo Sondas em 2013.

A Funcef confirmou que vai registrar nas demonstrações contábeis do mês de abril essa desvalorização, mas alegou que não havia sido informada ainda oficialmente sobre a desvalorização das cotas. Já o Petros disse que contratou um laudo de avaliação independente que informava ao fundo a necessidade de reduzir em 29% o valor que tinha aplicado na Sete. Mas essa desvalorização não afetará o balanço de 2014, que ainda não foi divulgado pela fundação.

SANTANDER SE ESCONDE

Entre os maiores cotistas do fundo, somente o banco Santander não quis prestar informação, nem mesmo de que porcentual possui do investimento. O Bradesco informou que tem uma participação de apenas 3% por meio de um fundo de private equity e está fazendo os ajustes necessários. Já o FI-FGTS, que tem cerca de R$ 640 milhões como acionista, disse que deve fazer correções na próxima publicação. A Previ tem uma participação pequena, que representa menos de 1% do patrimônio da fundação.

A situação da Sete Brasil é bastante delicada e pode levar a uma perda total dos R$ 8,3 bilhões aportados pelos acionistas da companhia. A empresa tem até junho para apresentar um plano de reestruturação que contemple a forma como vai se financiar no longo prazo. Desde novembro do ano passado, a Sete deixou de pagar os estaleiros que estão construindo as 28 sondas que contratou por US$ 25 bilhões. Neste ano, atrasou o pagamento de um empréstimo de R$ 12 bilhões feito por seis bancos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto chegamos. Trata-se de uma empresa “criada para gerenciar a compra de sonda do pré-sal”. Ora, por que a Petrobras não quis gerenciar ela própria a compra de sondas junto aos estaleiros, como sempre fez? A Bomba ia estourar no BNDES, que ia bancar quase tudo, mas o escândalo da Petrobras implodiu a mamata. A Sete Brasil é uma negociata maluca e irresponsável, feita para tirar dinheiro da estatal, mas a fonte secou e agora a empresa está tecnicamente falida. (C.N.)

4 thoughts on “Fundos de pensão e bancos perdem R$ 2,5 bilhão na Sete Brasil

  1. A carta em branca que a presidente Dilma Rousseff deu a seu vice, Michel Temer, para negociar cargos nos segundo e terceiros escalões do governo, em troca da apoio político, já provocou fortes movimentos dentro do Congresso, que está de olho em diretorias de estatais e de seus fundos de pensão. Esfomeados, deputados e senadores sabem o quanto podem tirar de proveito das empresas públicas e das fundações que deveriam garantir o complemento de aposentadorias de milhares de trabalhadores.

    O loteamento político de estatais e de seus fundos de pensão tem apresentado resultados terríveis para o país. O caso mais visível é o da Petrobras. A empresa que já foi símbolo nacional, exemplo de eficiência e renovação tecnológica, se transformou no retrato mais cruel da corrupção. A companhia está em situação tão complicada que nem o balanço do terceiro trimestre de 2014 conseguiu publicar, por recusa da firma de auditoria em sancionar números inflados por obras superfaturadas, fontes de propinas que engordaram os caixas dos partidos da base aliada do governo, sobretudo do PT.

    Quem se dá ao trabalho de analisar os demonstrativos financeiros das estatais e de seus fundos de pensão fica estarrecido. Os dados mostram, na maioria dos casos, elevado grau de ineficiência, que estimula a sangria de recursos públicos. Os prejuízos se acumulam. Somente no ano passado, a Eletrobras, que controla uma série de empresas do setor elétrico, registrou perdas de R$ 3 bilhões. Na Infraero, em dois anos, o buraco atingiu quase R$ 5 bilhões. Nos Correios, onde a presidente Dilma Rousseff deve abrigar Ideli Salvatti, demitida da Secretaria de Direitos Humanos, o lucro caiu 71% entre 2012 e 2013 — os resultados do ano passado ainda estão pendentes.

    Entre os fundos de pensão, o Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal, contabilizou, em 2014, rombo de R$ 5,6 bilhões. Foi o terceiro resultado negativo seguido. No Fapes, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a deficiência de caixa está em R$ 1,2 bilhão, correspondente a 11% de todos os ativos administrados pela entidade. No Postalis, dos Correios, os desmandos decorrentes do rateiro do fundo entre o PT e o PMDB provocaram um buraco de R$ 5,6 bilhões. O Petros, da Petrobras, até agora não liberou os números do ano passado, mas se sabe que, até setembro, o deficit chegava a R$ 5,5 bilhões.

    Técnicos de respeito da equipe econômica afirmam que, num momento em que o país se revolta contra a corrupção e mostra repulsa ao governo, a presidente Dilma deveria ter pulso mais firme para conter a gula dos políticos. “Infelizmente, veremos a continuidade da sangria do patrimônio público. Políticos sairão ricos e as estatais e os fundos de pensão ficarão com os caixas esfacelados”, diz um servidor do Ministério da Fazenda. “Não pode ser esse o preço da governabilidade”, emenda.

    O governo já preparou o discurso para quando a porteira das nomeações for aberta. Dirá que as estatais e os seus fundos de pensão estão protegidos por regras rígidas de governança, com órgãos reguladores prontos para agir em caso de malfeitos. Mas serão apenas palavras ao vento. Os políticos sabem que terão licença para surrupiar, sem constrangimento, o patrimônio público e de trabalhadores. Tudo será como sempre foi. Se for necessário cobrir os rombos deixados por eles, o Tesouro Nacional estará a postos para empurrar a fatura aos contribuintes. Simples assim.

  2. Eu queria mesmo que me explicassem é porque fundos de pensão, constituidos para gerenciar os recursos da aposentadoria de seus cotistas, vão investir em um outro fundo criado para financiar as atividades de uma empresa por sua vez criada para “gerenciar os investimentos” de uma empresa industrial.
    É óbvio que se trata de uma maneira de desviar recursos destes fundos de pensão.

    • A Sete não foi criada para tirar dinheiro da Petrobrás, porque o dela eles já estavam tirando mais “diretamente”, mas para tirar dinheiro dos fundos de pensão…

  3. A incompetência dos gestores dos Fundos de Pensão das empresas estatais irá prejudicar milhares de aposentados, da mesma forma que ocorreu com os aposentados do Aerus, falido por desvios e incompetência. Milhares de aeroviários foram prejudicados, inclusive pela falta de fiscalização do órgão regulador da Previdência Complementar, um mero detalhe na farra empreendida por gestores dos Fundos que se consideram reis sem coroa.

    É o que dá aceitar sem contestação o sopro do poder para investir o dinheiro dos aposentados em empreiteiras amigas, com o silêncio tumular das Centrais Sindicais e dos representantes das classes trabalhadoras.

    Dirão que sempre foi assim e deve ser verdade, mas na era do Partido dos Trabalhadores dói muito na alma. Chegou a um ponto dilacerante. Não temos mais em quem acreditar. E por que acreditar depois de terem tirado nossa utopia, nossa esperança de que tudo seria diferente!

    Como na canção famosa de Ivan Lins: “Somos todos iguais esta noite…” Fazendo um paralelo, todos os Partidos no Brasil são iguais ao longo do tempo, principalmente quando estão no PODER.

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