Futebol e política entrelaçados

Carlos Chagas

Conhecida a convocação do Felipão, a conclusão é de que política e futebol tem tudo a ver. Mais especificamente, a copa do mundo com a sucessão presidencial, que se não houver mudanças na Constituição, irão sempre coincidir de quatro em quatro anos.

A pergunta que não quer calar é se haverá reflexo na escolha do presidente da República caso o selecionado brasileiro se desclassifique, não chegando ao título de hexacampeão. No reverso da medalha, se nossos craques levantarem a taça, podem ser previstas consequências no comportamento do eleitorado?

Há quem preveja perda de votos para Dilma Rousseff caso nosso time fique pelo meio do caminho ou fracasse na última partida. Em nada a desclassificação beneficiará Aécio Neves, Eduardo Campos ou qualquer outro. Mas eles ficarão felizes ao ver que a favorita perdeu alguns milhares de votos, situação capaz de levar a eleição para o segundo turno.

Agora, se formos campeões, inegavelmente Dilma tirará proveito. O clima de euforia que tomará conta do país contaminará seu governo e sua candidatura ao novo mandato.

Uma variável desconhecida ainda pesa na equação: e se a presidente continuar caindo nas pesquisas e for substituída pelo Lula? Nessa hipótese o primeiro-companheiro precisaria de uma estratégia delicada. Assumir a candidatura em plena copa do mundo será um risco. No caso de nosso time pular fora depois da troca, não faltarão vozes a concluir que a culpa foi do Lula. No entanto, se coincidir a conquista no Maracanã com o lançamento do ex-presidente, será uma festa. Por via das dúvidas, se essa alternativa sucessória acontecer, melhor que aconteça depois do encerramento da copa, qualquer que seja o seu resultado.

Enfim, não há como deixar de relacionar futebol com política. Melhor seria, para evitar confusões, que no bojo de uma inviável reforma política o Congresso acabasse com a reeleição e aumentasse os mandatos presidenciais de quatro para seis anos. Desapareceriam as coincidências.

NADA DE NOVO SOB O SOL

Getúlio Vargas assumiu o governo pela segunda vez em janeiro de 1951 e durante alguns meses manteve o general Angelo Mendes de Moraes como prefeito do Rio, então capital federal. Por um desses conselhos de autor desconhecido, Getúlio aceitou comparecer ao Maracanã num domingo de Fla-Flu. Os alto-falantes anunciaram sua chegada na tribuna de honra. Havia tomado posse pouco antes e a multidão o recebeu com aplausos. Estava com ele o prefeito Mendes de Moraes, que logo mandou o locutor anunciá-lo. Sem exagero algum, cem mil pessoas se levantaram, entoando um coro capaz de ser ouvido até em Copacabana: “Água! Água! Água!”

O Rio vivia permanente estado de carência e racionamento.

Pois é. Caso o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad compareçam ao jogo de abertura da copa do mundo, no Itaquerão, deveriam ter a cautela de não mandar anunciar suas presenças. São Paulo de hoje nada tem de diferente do Rio de antigamente…

 

6 thoughts on “Futebol e política entrelaçados

  1. SINAIS EVIDENTES DE PREOCUPAÇÕES COM MOVIMENTO NÃO VAI HAVER COPA.

    1)Nenhuma rua está sendo enfeitada.
    que
    2)Nenhuma rede de tv está promovendo concurso para enfeitar ruas.

    3)Policia Federal ameaça greve.

    4)Sentimento que a seleção vai ser desclassificada na primeira fase

    5)Que vai haver quebra quebra se a seleção não for classificada

    6)Protesto contra rouba de grana na construção dos estádios.

  2. Pois é. Temos exemplos de como a política e futebol andam de mão dadas (e interesses também). É só relembrar a Argentina em 1978, e porque não dizer também, em 1998, quando o Ronaldo (que está assim com a FIFA) teve aquele piriri inexplicável. A França, país sede naquele mundial, passava por um péssimo momento político e financeiro, bem como a Argentina, que vivia uma ditadura bem mais linha-dura que a nossa. Então, agora façamos um esforço de memória: quantas vezes depois de 1998 Ronaldo voltou a ter algo parecido? Claro, algo assim seria fartamente noticiado, como foi na época. Para mim está bem claro que nos sagraremos campeões e que os corruPTos continuarão a fazer a festa. Pobre Brasil. Nada contra nosso escrete, mas deveria ser eliminado logo no início. Talvez assim nosso povo acordasse. Quem sabe?

  3. Nada contra os jogadores e nada contra o time de futebol brasileiro. Eu não vou torcer pelo Brasil. Não dá para comemorar nada ou torcer enquanto a situação brasileira está cada dia pior. Inflação, Pib pequeno, Industria em desaceleração e outras mazelas que já são muito conhecidas do povo Brasileiro ( educação, saúde, transportes, saneamento básico, moradia insuficiente para todos ). Sinto muito não dá para torcer pelo time brasileiro. O perigo é como fala acima o Rogério Alves é a Copa está já comprada por este governo junto com a tal de Fifa e o Brasil se tornar campeão do Mundo para que isto afaste o perigo de muitas manifestações que podem trazer sérios problemas para o País e para este desgoverno que possui um presidente totalmente incompetente. NÃO VAI TER COPA……NÃO VAI TER COPA……….Vergonhoso um governo ( governos do PT que estão no poder há quase 12 anos ) gastar rios de dinheiro com estádios de futebol enquando outras prioridades são esquecidas ou então relegadas a segundo plano.

  4. Em 2006 o BRASIL não ganhou a COPA e o PT ganhou, em 2010 idem. Em 2002 o BRASIL ganhou a COPA e o PSDB perdeu, pro PT. Hiii… até neste quesito não dá pra comparar PT com PSDB.

  5. Jornalista Carlos Chagas, com todo respeito…
    Diga algo que eu não sei…
    Podemos todos, os 200 milhões de brasileiros especular se vai ter Copa, ou como será à véspera do primeiro jogo, o encerramento, e o jogo final, que dará o campeão mundial.
    Digo eu: torço para que esse país, seja o Brasil… com o sexto título de Campeão do Mundo.
    Dilema: a voz rouca das ruas, que transcendeu às passeatas e está cada dia, mais rouca, exigente, e violenta, no resgate do que entende como essenciais, dívidas, da Nação, para com os seus filhos… e que, pelo visto, não é bem a Copa do Mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *