Futuro presidente vai se defrontar com um país fraturado e em crise

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Charge do Rafa Balbueno (Arquivo Google)

Ascânio Seleme
O Globo

Quem vencer a eleição presidencial de hoje terá que governar um país fraturado. Além da tarefa gigantesca de redirecionar o país para fora da crise econômica e em direção ao futuro, recuperando a confiança de investidores e parceiros comerciais, o novo presidente terá de provar que reúne não apenas os votos, mas também a esperança dos brasileiros.

O presidente, que sairá das urnas com pouco mais da metade dos brasileiros ao seu lado, dificilmente conseguirá convencer a outra metade com o discurso do “governarei para todos”. Não importa se Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad, quem for eleito hoje terá enorme dificuldade para reconstruir todas as pontes dinamitadas ao longo da campanha e atrair o outro lado.

METRALHANDO – Bolsonaro passou a vida atacando a esquerda e a todos os que não se alinhavam com suas convicções de extrema direita. Como os petistas conseguirão superar a bravata que o candidato fez no Acre, ao dizer que iria “metralhar a petralhada”? Tampouco será esquecido o discurso para a militância em que o capitão ameaçou prender e banir “os vermelhos”. Suas ofensas pessoais a membros de partidos de esquerda também serão sempre lembrados.

Nas ruas, uma minoria sentiu-se empoderada e passou a agredir até fisicamente militantes do outro lado. Pelo menos um petista foi assassinado em razão da sua preferência política. Amparados pelo discurso do líder, eleitores de Bolsonaro mais barulhentos passaram a dizer coisas absurdas nas redes sociais, algumas que já foram até mesmo tipificadas como crime. Ofensas a minorias, gays, índios, negros e também a mulheres fizeram parte de sua retórica de difícil cicatrização.

MAIS OFENSAS – Do outro lado, Haddad e o PT atravessaram a campanha chamando Bolsonaro de fascista, nazista, homofóbico. Todos os candidatos que se aliaram ou foram eleitos ancorados no nome do candidato do PSL foram engolfados pelo discurso petista. A militância, menos compromissada e mais descuidada que o candidato, ultrapassou o limite e passou a se referir também aos eleitores do adversário como fascistas e nazistas.

Reaproximar estes dois polos será a mais árdua missão do presidente que conheceremos hoje. Não é fácil vislumbrar Bolsonaro convencendo eleitores de Haddad e tampouco Haddad cativando os antipetistas que apoiaram o capitão. Quem sair vencedor das urnas esta noite terá sido democraticamente eleito e deveria merecer o respeito e as felicitações dos derrotados. Seria assim num país menos dividido que o nosso. Já foi assim no Brasil.

COLLOR ODIADO – Desde a redemocratização, apenas um presidente eleito começou seu mandato sendo odiado pela porção do país que derrotou. Foi Fernando Collor, que atacou Lula abaixo da linha da cintura durante a campanha. Claro que Collor também colaborou e ampliou o ódio contra ele entre os seus próprios eleitores ao confiscar a poupança dos brasileiros.

Fernando Henrique, Lula e mesmo Dilma foram eleitos e iniciaram seus mandatos em paz. Lula teve forte oposição no episódio do mensalão e Dilma acabou cassada no caso das pedaladas fiscais. Apesar de os dois episódios estarem amparados pela lei e pela Constituição, Lula nega a existência do mensalão, e os petistas chamam de golpe o impeachment de Dilma. Foi aí que nasceu no petismo o estado de ódio, que em Bolsonaro cresce desde o seu primeiro mandato de deputado.

PACIFICAÇÃO – Embora sejam remotas as chances de sucesso de uma tentativa de reunião dos brasileiros, os dois candidatos juraram nestes últimos dias que querem pacificar o país. Bolsonaro disse na sexta-feira que fará um “governo de conciliação”. Haddad, também na sexta, pregou “um governo de união nacional”.

Por sorte, o eleito vai ter obrigatoriamente de buscar esse objetivo. Caberá ao novo presidente reduzir o ódio que ele mesmo construiu entre os seus adversários. Qualquer movimento que faça nesse sentido amenizará o clima político que promete ser muito tenso nos próximos quatro anos.

16 thoughts on “Futuro presidente vai se defrontar com um país fraturado e em crise

    • Ontem foi Werneck com o insosso, hoje temos Seleme.

      Bolsonaro disse isso e aquilo, abusou do verbo a mais não poder.

      Fato: cuspiram-lhe em plena câmara dos deputados (ficou por isso mesmo) e o esfaquearam (colostomia).

      Conta outra Seleme.

  1. Já começou a violência.
    Teve um homem que levou uma garrafada na Pça São Salvador, uma mulher com a face toda arrebentada em Salvador, BA, um homem que saiu armado verificando os condutores e passageiros carro por carro que passava na rua de uma cidade de MG…

  2. Este verme chegou a dizer que Bolsonaro não iria para o segundo turno.
    Ganhou, e colocou esta globo, globo news, e estes merdas na cloaca da história, que é o lugar certo para ali chafurdarem.
    E este salame sabe o lugar, como puxa-saco dos patrões, como a maioria da globo.

  3. A democracia da mídia amestrada
    Por Ipojuca Pontes

    O conceito de democracia defendido pela mídia engajada encontra amparo nas muletas e elucubrações acadêmicas do charlatão espanhol Manuel Castells, modernoso sociólogo marxista, guru de Fernando Henrique Cardoso e figurinha badalada das chamadas ciências sociais desde a publicação do livro “Sociedade em Rede”, em essência uma diluição das teses levantadas pelo teórico da comunicação canadense Marshall Mcluhan no seu esquecido “O meio é a mensagem”, chavão em moda nos anos 70 e que procurava “desconstruir” ou relativizar o conteúdo da informação a partir da supremacia das novas tecnologias dos meios de comunicação (as “redes”, em Castells).

    (Abro parênteses para anotar que Gilberto Freyre, único sociólogo brasileiro com contribuição de porte universal, com a obra “Casa Grande e Senzala”. afirmou certa feita, em palestra proferida na Faculdade de Direito da Paraíba, que as ciências sociais, inexatas, tinham a ampla capacidade de atrair determinados “tipos psicológicos”, em especial os “intrujões”).

    Voltando à vaca fria: para camuflar a existência do comunismo no mundo, o grafomaníaco espanhol (todo mês aparece com um novo livro velho, tal qual o contista Humberto de Campos e o próprio FHC) diz que não existe mais confronto entre esquerda e direita, mas,
    sim, agora, apenas o conflito entre “populismo” e “autoritarismo”.

    Deixo aqui o trabalho de abordar mais uma vez as definições de populismo e autoritarismo e pergunto: Lula da Selva, mantendo o PT debaixo do chicote e corrompendo as instituições
    “democráticas” para impor seu projeto de perpetuação de poder (via “postes”, por exemplo) é “autoritário” ou não?

    Ou melhor: o “líder carismático”, que sente saudades dos tempos em que os “meninos do interior” transavam cabras e galinhas; que saracoteia ao som de Zeca Pagodinho entornando doses da cachaça “51” e ainda vende a imagem do eterno “pai dos pobres”… bem, ele é populista ou pilantra? E Raul Castro, a se esconder por trás de fantoches bem armados para manter o poder ditatorial? E Xi Jinping, ditador chinês que intensifica a produção de armas nucleares e reabilita os métodos do pedófilo Mao mandando para longínquos “campos de reabilitação ideológica” milhares e milhares de improváveis dissidentes do regime comunista – o que é que ele é?

    Sobre essas coisas, o esperto partisan da gororoba marxista não dá um pio. Mas, em compensação, se apressa em afirmar que Lula é um rapaz honesto e que “está preso por motivo político” – e não pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, motivos de sua condenação em juízo.

    No mesmo tom o “guru” desinforma que o impeachment de Rousseff se deu porque “a presidenta propôs enviar ao Congresso uma proposta de controle da corrupção” – e não, como ocorreu e foi votado por ampla maioria parlamentar, pela tipificação de crime de responsabilidade.

    (Castells, como é fácil perceber, não passa de petista vulgar, tipo Gleisi Hoffmann ou Lindbergh Farias).

    No caso da Democracia, para afrontar a realidade, jornais como Folha de São Paulo e O Globo, que vivem de verbas oficiais bilionárias, espalham que Jair Bolsonaro representa uma “ameaça” à sua existência e é, ao mesmo tempo, no plano político, um reles “populista autoritário”. (Royalties para Castells!)

    De fato, Bolsonaro quer passar o trator por cima da democracia, mas a democracia deles, conforme exige a grande maioria da população brasileira, farta do “sistema democrático e suas instituições” que coonestam o esquema de privilégios, discriminações, mamatas, mendacidades e muita astúcia política, em que a figura do vasilinoso professor de marxismo FHC, por exemplo, passa por ser “de direita”, tendo em vista a completa eliminação da representatividade política do conservadorismo.

    Hoje, nas redações dominadas em sua totalidade pelas esquerdas, em vez de um Eugênio Gudin, Roberto Campos, Augusto Frederico Schmidt, Nelson Rodrigues ou Tabosa Pessoa, temos Zuenir Ventura, Frei Beto (com um “t” só), Ancelmo Gois, Cacá Diegues e Clóvis Rossi, comunistas, marxistas, “neomarxistas” e esquerdistas notórios, travestidos de “democratas”. Já em 1965, em plena “ditadura militar”, quando trabalhava no Diário Carioca, a redação era ocupada na sua quase totalidade por comunistas, ou esquerdistas, entre eles Sebastião Nery, Milton Coelho da Graça, Carlos Alberto Oliveira (Cao), José Augusto, Antonieta Santos, Carlos Marques e tutti quanti. (No Globo, o último jornalista conservador que passou por lá foi Luiz Carlos Horta, católico, falecido há mais de 5 anos, trazido pelo dono do jornal, Roberto Marinho, hoje renegado, intramuros, por ter escrito editorial em louvor da Revolução de 64).

    Em editoriais, notas, artigos, notícias e reportagens da mídia impressa engajada despontam ainda o apelo e a manipulação em torno do império da democracia (deles) e até da necessidade de mudanças. Mas tudo, é bom salientar, sob a égide da legenda do Príncipe de Lampedusa, a estabelecer que “tudo precisa mudar, para que tudo permaneça na mesma”. Como se sabe, para ver haver mudança de poder é preciso que este poder seja, de fato, substituído. Ora, com o atual “poste” de Lula, que essa gente quer enfiar na goela do eleitor, fica claro que não haverá mudança alguma.

    E, de fato, mudança pra quê? Há décadas essa gente já detém o controle econômico e o poder ilimitado via estatização da cultura, da educação, da moral, dos costumes e mesmo das relações humanas. Daí a necessidade de aniquilar, a qualquer preço, inclusive a morte, o único vivente que apareceu para enfrentá-los no campo político: o honesto brasileiro Jair Messias Bolsonaro.

    (*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.

    • Obrigado, meu caro, por ter compartilhado um artigo tão bom como esse, e pela liberalidade de CN em fazê-lo publicar. Aos meus amigos da Paraíba, estendo meus parabéns. E aos de Campina Grande, uma ponta de inveja desse mineiro radicado no Nordeste onde a mãe natureza é madrasta.

  4. A máquina de destruir reputações só começou.

    A eleição do Capitão não foi o fim de nada, foi só o começo.

    Quem quiser vencer os esquerdopatas é melhor se preparar porque a guerra apenas começou.

    A imprensa vermelha e o comunistério público estão afiando suas armas e vão partir pra cima.

    Resistência, povo do bem !!!

  5. Vicente concordo, a mídia só começou. Bolsonaro não terá paz, o sistema, via George Soros, já começou a se mexer internacionalmente e aqui a mídia seguirá o seu roteiro esquerdalha. Mas, a mídia não deve esquecer que a Internet nos mantem mais informado, as fake news não ganharão.

  6. Alô Ascanio Seleme:
    Espero muito que você leia os comentários aqui postados.
    Bem….pelo seu texto bastante raso percebe-se que voce inclusive deve ter faltado àquela aula de fisica…
    A que fala na terceira Lei de Newton.
    Vou clarear sua memória petista:
    A toda ação corresponde uma reação de intensidade contraria.
    Leia o link:

    https://www.todamateria.com.br/terceira-lei-de-newton/

    E estude porque…cai na prova.

    Seja honesto.
    Venha a público e assuma que o PT sempre discursou com odio separatista.
    Não é de agora.
    O PT que criou e alimentou o discurso de odio do nós contra eles.
    Admita que o PT não quer de forma alguma largar o poder porque quer continuar roubando.
    Bolsonaro representa o bastião de resistência à ação deleteria que o PT plantou nesse país.
    Bolsonaro foi ultimamente apelidado pelo PT de “o Coiso” o Antihumano.
    Nos respeite antes de escrever suas asneiras!
    Aprenda!

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